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Red Hot Chili Peppers era ruim nos anos 80, segundo antigo produtor

Michael Beinhorn, que produziu os dois últimos álbuns da banda antes de Blood Sugar Sex Magik, reconhece que o grupo “soava horrível” no passado

Igor Miranda (@igormirandasite) Publicado em 05/01/2023, às 19h00

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Integrantes do Red Hot Chili Peppers (Foto: Getty Images)
Integrantes do Red Hot Chili Peppers (Foto: Getty Images)

Muita gente se surpreende ao descobrir que o Red Hot Chili Peppers foi formado em 1983. A banda já era praticamente veterana quando atingiu o estrelato definitivo quase uma década depois com Blood Sugar Sex Magik (1991), o quinto álbum de estúdio de sua carreira.

De acordo com o produtor Michael Beinhorn, que trabalhou com o grupo nos dois discos anteriores a Blood SugarThe Uplift Mofo Party Plan (1987) e Mother’s Milk (1989) —, a explicação para o grupo não ter estourado antes é bem clara: eles soavam mal nos trabalhos anteriores, lançados na década de 1980. A opinião foi compartilhada em entrevista ao canal Produce Like a Pro (via Alternative Nation).

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Na ocasião, Beinhorn disse que o Red Hot Chili Peppers precisava passar por um processo de lapidação quando começou a produzir The Uplift Mofo Party Plan. Detalhe: já era o terceiro disco da banda.

“Foram tempos bem complicados, mas segui me reunindo com o pessoal da gravadora, a EMI. Um funcionário disse que tinha um artista para mim, mas não sabia o que deveria ser feito com eles. Era algo mais profundo do que isso. As pessoas da gravadora desprezavam a banda, já que eles eram diferentes demais, iam contra qualquer tipo de padrão pré-estabelecido", lembrou Beinhorn.

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No fim das contas, a culpa não era totalmente do Red Hot, já que eles trabalhavam com uma empresa que sequer entendia seu potencial. Não à toa, eles só estouraram quando mudaram de gravadora: saíram da EMI e foram para a Warner, onde lançaram Blood Sugar Sex Magik.

Eles olhavam para o Red Hot de forma relativamente conformada. Atentavam-se apenas no que o grande público gostaria de ouvir, deixando escapar as ‘pérolas’. Havia algumas coisas que, com algum esforço, poderiam gerar algo surpreendente. Era o caso deles.”

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“Uau, o Red Hot Chili Peppers é horrível”

No fim das contas, a falta de apoio dentro da própria gravadora gerava um material que Michael Beinhorn definia, sem papas na língua, como “horrível”. "Eu lembro de ouvir as demos deles e pensar: ‘uau, isso é horrível’. No entanto, tinha algo interessante ali que eu não conseguia identificar.”

Na visão do produtor, o grupo tinha grande potencial em transcender estilos. Isso foi notadamente percebido nos trabalhos posteriores, quando a mescla entre funk, hip hop, rock clássico, rock alternativo e melodias pop ganhou forma.

“Existia uma energia estranha em todas as músicas deles. Os fãs gostavam muito", pontuou o produtor. "O único problema é que isso ainda não havia sido combinado de alguma forma que fizesse sentido. Acho que foi isso o que consegui fazer com The Uplift Mofo Party Plan.”

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Mudanças antes do estrelato

O primeiro álbum do Red Hot Chili Peppers produzido por Michael Beinhorn deu início a mudanças que seriam sentidas no trabalho seguinte. The Uplift Mofo Party Plan foi o último disco da banda com sua formação original, que trazia o guitarrista Hillel Slovak (falecido em junho de 1988) e o baterista Jack Irons, além do vocalista Anthony Kiedis e o baixista Flea. Em Mother’s Milk, estrearam John Frusciante na guitarra e Chad Smith na bateria, na configuração que se tornaria a mais famosa do grupo.

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