Seu Jorge relembra as origens e utiliza a pluralidade na arte para se conectar com o público [ENTREVISTA]

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Seu Jorge relembrou as origens humildes e a importância da arte na vida - seja na música, cinema ou até na moda

Mariana Rodrigues (sob supervisão de Yolanda Reis) Publicado em 24/07/2021, às 14h00

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Seu Jorge na campanha da Kenner (Foto: Divulgação/Kenner)

A calma na voz é um privilégio de poucos. Mas, para alguém como Seu Jorge, por que pressa quando aos 50 e poucos anos se é um dos maiores nomes da música brasileira? Colocar as conquistas dessas cinco décadas na ponta do lápis certamente não é uma tarefa fácil. No entanto, o sucesso não subiu à cabeça: mesmo com a vida de artista, a simplicidade, a simpatia e a alegria de viver não ficaram de lado.

Pelo contrário, as raízes da música de Seu Jorge estão conectadas na humildade e talento que compartilha com amigos e familiares quase desde sempre. "Venho de um lugar que tem a tradição do encontro, um mutirão das pessoas se juntarem para umas ajudarem as outras e no final do trabalho poderem comer juntas, tocar, cantar e fazer samba e festa," relembrou em entrevista à Rolling Stone Brasil.  

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Foi assim que a música surgiu na vida do cantor, compositor, multi-instrumentista e ator. Nunca foi com um propósito de construir uma carreira artística, era apenas "pensando em fazer amigos e me aproximar de algo especial." A profissão aconteceu de forma orgânica e se desenvolveu gradualmente até chegar aqui.

Nada disso seria possível sem o apoio de quem ele ama. Se dedicar às artes parecia uma decisão arriscada, incerta e até um pouco assustadora, mas necessária. Quando as pessoas ao redor perceberam a potência do artista, o incentivo ficou cada vez mais forte - e ele busca repassar a inspiração para quem pensa em começar nesse meio. "Vale a pena sim, vale a pena com luta, vale a pena como um trabalho elaborado. Busquem a beleza sempre, a verdade do seu coração, escute sua voz interna, siga suas intuições," aconselha.

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E para alguém que respira arte, a música e, principalmente essa tradição de compartilhar melodias e harmonias, vai ser repassada de geração a geração, a começar com as três filhas do artista. Seu Jorge ressaltou como o acesso aos diferentes sons, estilos, timbres e cantores é, diferente do passado, muito mais amplo e fácil. Por isso, a juventude tem liberdade para explorar esse universo, mas o primeiro passo aconteceu em casa.


Pluralidade

Mesmo com tanto talento, habilidades e ensinamentos, para Seu Jorge, "não existe facilidade nem dificuldade de ser plural, você simplesmente é." Seja no palco cantando, em casa compondo, com os amigos tocando ou atrás das câmeras atuando, o artista explicou como o mais importante dessa pluralidade é levar a arte para o público com carinho, amor e dedicação, principalmente em momentos complicados.

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São anos e mais anos nesse processo constante de colocar a alma no que gosta. Uma trajetória de dar inveja, mas, principalmente, orgulho - não apenas aos fãs, mas para o próprio Seu Jorge. A realização e a felicidade na voz do músico são quase palpáveis e emocionam.

Humilde, reforçou como não fez nada disso sozinho e agradece "a confiança de pessoas que me convidam a ingressar em projetos onde posso colocar toda minha dedicação, tudo que aprendi e aprendo junto a tantas pessoas incríveis com quem trabalhei."

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Além disso, também admite como essas principais inspirações refletem quem ele é hoje: "Fico muito atento à beleza que esses maravilhosos artistas e colegas têm capacidade de produzir, criar, inventar e deixar para inspirar gente. Acabo sendo muito estimulado a experimentar também um pouco de tudo."


Além da música

Seu Jorge também é um dos grandes nomes do cinema nacional - além de uma extensa na carreira na música e uma discografia repleta de hits. Quando questionado sobre como surgiu a vontade de trabalhar com a sétima arte, o artista brinca: "A pergunta deveria ser como surgiu o interesse do cinema por mim."

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Não é simples responder como o cinema encontrou Seu Jorge, mas devido aos ótimos desempenhos em grandes filmes, é fácil compreender a paixão do público pelo artista. É uma longa filmografia, com títulos como Cidade de Deus (2002), Irmandade (2021) e Marighella (2021). Quem o vê nas telas, consegue sentir a mesma naturalidade e talento ao vê-lo nos palcos.

Para o artista, fazer parte da história do cinema nacional é um privilégio. "Cada filme é uma especialização nova, é uma coisa nova que você aprende e fixa em você, então sou muito grato em todas as oportunidades que tive em filmar," explicou.

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E ele não para por aí, seja na música, cinema ou streaming, novos projetos estão a caminho: "Há um universo de coisas possíveis." E para alguém com tamanha grandeza, não há dúvidas como existem inúmeras possibilidades desde que não falte beleza e encantamento na busca por essa arte.

"Sou uma pessoa disponível a aventuras no cinema, música, artes. Com artistas que são parceiros, tem essa coragem, esse lugar de busca pela beleza da expressão, pela beleza da nossa cultura e que tenham prazer de fazer esse trabalho e levar o público para o público o encantamento que é contar essas histórias," revelou.

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Entre os novos projetos, Seu Jorge se arriscou em uma nova área: a moda. O cantor é a cara da nova campanha da Kenner, marca de chinelos e calçados e revelou como se sentiu honrado com o convite: "Gostei muito da experiência de fazer esse trabalho falando um pouco de mim e dessa trajetória até aqui. Espero que essa seja uma relação que dure," concluiu.

 
 
 
 
 
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