Terno Rei mergulha em nostalgia, redescobre própria sonoridade e deixa melancolia de lado em Gêmeos [ENTREVISTA]

Atração do Lollapalooza 2022, a banda paulistana Terno Rei descreveu ansiedade e prometeu set enérgico para show no Lollapalooza

Dimitrius Vlahos (sob supervisão de Eduardo do Valle) Publicado em 25/03/2022, às 13h00

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Terno Rei (Foto: Divulgação)

Terno Rei, revelação do indie brasileiro, se prepara para tocar no Lollapalooza 2022. Ora tranquilos, ora ansiosos como crianças antes de uma prova importante na escola: é assim que se definem prestes a viver um dos marcos da carreira. 

Além do festival, banda promove o recente Gêmeos, quarto disco de estúdio. Com investidas no pop, sem perder essência do shoegaze e dreampop que os consagrou em Violeta (2019), Ale Sater, Bruno Paschoal, Greg Maya e Luis Cardoso mergulharam em texturas orquestrais, tonalidades maiores e sentimentos de nostalgia.

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Durante pandemia, banda buscou influências distintas, enquanto se reconectavam com espírito das primeiras músicas lançadas. De Cocteau Twins à Alanis Morissette, fizeram encontro dos anos 1980 com os anos 2000, e acrescentaram um leve toque de MPB.

Com turnê se aproximando, integrantes do Terno Rei refletiram sobre ambições, conquistas, crescimento da banda e expectativas do público.

 
 
 
 
 
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Confira entrevista da Rolling Stone Brasil com Terno Rei:


Rolling Stone: Sábado tem Lollapalooza. Como estão se sentindo? Animados?

Ale Sater: Agora eu tô ansioso. Falta pouco tempo. A gente achou que esse show não ia rolar, estávamos nos três line-ups. Vou ficar nervoso, mas depois de tocar a primeira nota, dá tudo certo. Vai ser lindo.

Luis Cardoso: Parece que tenho uma prova amanhã e não estudei nada. Tenho que dar aquela respirada funda, mas é normal. Um evento grande que estamos esperando há tanto tempo.


O que muda de um show em palco enorme como o Lollapalooza para os shows em casas menores, apenas com o público que comprou ingresso para assistir Terno Rei?

Bruno Paschoal: Tem que pensar bem no setlist. É uma galera que não conhece a gente muito, então, o que faz mais diferença é a vibe da banda no palco e o setlist feito com bastante cautela. Tem muita gente que vai conhecer a banda na hora.

AS: Fizemos show assim antes, na abertura do Keane no Espaço das Américas. Tinha 7 mil pessoas. A gente costuma fazer um show mais dinâmico. Sem parar muito, tocando as músicas mais fortes. No Lollapalooza, vai ser algo parecido com isso. 


Teremos faixas do disco mais recente, Gêmeos?

BP: Esse show foi marcado há muito tempo. Vamos tocar o Violeta, mas também colocar algumas novas. Disco tá lançado e tem que soltar algumas. Falar pouco e tocar o máximo que der. Dá-lhe!

LC: Umas três ou quatro novas e o resto do Violeta.


O que mudou no processo criativo de vocês após o Violeta? O aumento da popularidade da banda nos últimos anos influenciou?

AS: A gente colocou mais energia no processo. Gastamos mais tempo, fizemos mais músicas pra selecionar melhor, trouxemos um produtor a mais. Mas, ao mesmo tempo, independentemente do Violeta, estamos no quarto disco e tentamos experimentar um pouco mais. O disco tem mais violões, trios de cordas em algumas músicas, continuamos com os synths… tem até sax! Foram algumas tentativas que nos deixaram bastante satisfeitos. 

BP: O processo ficou mais complexo e mais trabalhoso, tinha muita gente envolvida. Querendo ou não, tinha aquela pressão de fazer um álbum à altura do Violeta. A gente sempre foi minucioso com isso, bem chatos, mas dessa vez foi assim: “Não pode passar uma agulha.” Quisemos deixar perfeito mesmo.


Como foi compor e produzir musicas com mais elementos além dos tradicionais sintetizadores e guitarras da banda?

BP: “Olha Só,” a última música do disco, por exemplo, tinha uma estrutura bem crua. Pensamos em deixar a Érica [Silva] - que faz os arranjos de cordas - bem livre. Foi uma put* surpresa quando ficou pronto. Também trabalhamos com o Janluska, produtor que gravou o sax. Ele já tocava com a gente, então, sabíamos como soaria. 

As cordas cresceram durante a gravação. Nos últimos discos foi tudo digital, e nesse chamamos a orquestra mesmo. Foi bem doido!

AS: A gente não compôs nada pensando nos instrumentos. A única foi “Isabella,” que tínhamos o arranjo quando fizemos a composição. Depois de ouvir as músicas mais prontas, pensamos em colocar essas produções.


Como surgiu a ideia de mergulhar na sonoridade pop em Gêmeos

BP: Sempre tivemos vontade.

Greg Maya: Soar pop é sempre um desafio, porque não é nosso lugar-comum. Estamos sempre nessa busca de tentar soar pop. O disco inteiro não é assim, mas temos que arriscar. Flertamos com essa sonoridade, mas não soamos tão pop no final das contas.

AS: Alguns momentos foram mais naturais, como as músicas que começam com um [acorde de] sol aberto - “Dias da Juventude” e “Internet.” Desde o começo da composição já estava assim. Até “Brutal,” uma mais tristona, cheia de acordes menores, quando fiz, ela era toda [em tom] maior. Não deu muito certo e voltei pro menor.

Na composição é sempre natural, mas na produção você pode puxar um pouco mais pra soar mais hi-fi ou lo-fi.


Vocês abordaram bastante a nostalgia neste disco, mas não de forma melancólica. Como a sonoridade mais extrovertida e leve se conecta com a fase da banda e com as letras de Gêmeos

AS: Eu conectaria as letras com o instrumental com as guitarras oitavadas e bateria mais alta, essa energia, menos mão suave. A primeira faixa do disco, “Esperando Você,” tem isso, uma subida da batera e fuzz da guitarra. É menos melancólico.


Quais foram as músicas mais legais de compor?

BP: Em “Difícil” tentamos várias roupagens, mas quando decidimos fazer uma pegada pós-punk foi a maior empolgação no estúdio. Mudamos o beat da batera e foi muito divertido: “É isso! Vai ser assim.” Todo mundo se emocionou na hora.

“Aviões” também foi assim. Tivemos quatro versões com banda, e depois o Ale mostrou uma só com violão. Colocamos uma bateria meio Blink [182], e um baixo diferente também.

GM: A gente se divertiu muito fazendo “Internet.”  Estávamos tentando fazer uma música mega pop e achamos engraçado. Tocamos dando risada, meio debochados, mas nos divertimos muito.

AS: “Dias da Juventude” foi divertido. “Aviões” foi trabalhoso, foi doído [risos].


O que vocês mais ouviram durante a composição de Gêmeos?

BP: Na pandemia, voltamos a ouvir artistas dos anos 1990 e 2000. Bem nostálgico. Assistimos o documentário da Alanis [Morissette], ouvimos bastante também. Não tem muito a ver, mas ouvi bastante música eletrônica.

GM: Escutei muito a discografia do Smashing Pumpkins na época.

AS: Super referência pra estética do disco.

GM: Além das referências que estão até no jeito de tocarmos, como The Cure.

AS: Cocteau Twins… mas isso sempre tivemos como referência.


Falando sobre o futuro, como enxergam a Terno Rei daqui há alguns anos após crescerem tanto em tão pouco tempo recentemente?

BP: Estou focado em dar o melhor pra esse disco e rodar com ele, foi uma trabalheira! Não faço muitos planos, porque nunca sabemos o que vai acontecer. Temos fôlego para mais discos, tentando fazer música relevante e interessante pras pessoas.

LC: Com certeza. E o ensaio no show é muito mais eficaz que o ensaio no estúdio. Então, o show vai crescer ao longo do tempo conforme ficarmos confortáveis. Só tende a melhorar! Vamos pra lugares que não fomos, festivais que nunca tocamos, e o futuro a nós pertence.

AS: Concordo! E só uma pitadinha a mais: queria fazer um som meio grogue no próximo disco.

LC: Música de bêbado. Tô dentro.


Ouça Gêmeos: