Rolling Stone
Busca
Facebook Rolling StoneTwitter Rolling StoneInstagram Rolling StoneSpotify Rolling StoneYoutube Rolling StoneTiktok Rolling Stone
Música / Primavera Sound São Paulo

The Killers: Fã que subiu ao palco 'descobriu' a banda há um ano e aprendeu bateria em dois meses

Gabriel Bunho é guitarrista de uma banda de thrash metal e passou a ouvir The Killers com mais afinco após acompanhar a esposa em show do GPWeek

Gabriel Bunho, Ronnie Vannucci e Brandon Flowers (Foto: Arquivo pessoal)
Gabriel Bunho, Ronnie Vannucci e Brandon Flowers (Foto: Arquivo pessoal)

The Killers encerrou a primeira noite da edição de 2023 do Primavera Sound São Paulo com hit atrás de hit e muita energia. Apesar da banda ter visitado os brasileiros no ano passado, no GPWeek, a apresentação do último sábado, 2, não foi uma réplica da performance de 2022. "Mr. Brightside", por exemplo, passou de última para primeira música da setlist, enquanto "Jenny Was a Friend of Mine" ficou de fora e deu espaço para "The Man".

Brandon Flowers não surpreendeu, porém, ao escolher alguém da plateia para ocupar o lugar de Ronnie Vannucci na bateria. É tradição do The Killers entregar as baquetas para um fã disposto a encarar a multidão e obedecer ao ritmo de "For Reasons Unknown". O escolhido da vez foi Gabriel Bunho.

Para o piracicabense de apenas 25 anos, a seleção não ocorreu por razões desconhecidas: o cartaz que dizia "If destiny´s kind, I´ll be your drummer tonight” ("Se o destino for gentil, eu serei o seu baterista nesta noite”, em tradução livre), feito à mão, colaborou para a decisão de Flowers.

Bunho argumentou, em entrevista à Rolling Stone Brasil, que a atenção do vocalista é sempre captada por placas "mais artesanais". Ele sabe disso porque assistiu diversos vídeos de shows do The Killers com o intuito de se preparar para o momento concretizado há poucos dias. 

Sabrina Consolmagno, esposa de Gabriel, foi quem o colocou em contato com a banda de Las Vegas. O casal decidiu ir ao GPWeek 2022 porque Sabrina é uma grande fã.

Bunho se ateve a uma playlist preparada para o show e acabou gostando do que ouviu. Ele também ficou hipnotizado pela ideia de tocar para um público tão grande. "Eu já estava com isso na cabeça por causa do ano passado, quando vi o show deles no GPWeek", contou. O músico "não sabia se seria possível" realizar o sonho criado tão recentemente, mas o "mais importante era acreditar".

Como baterista, ele é um ótimo guitarrista. Isso mesmo. Sendo membro da banda de thrash metal Exkil, Gabriel está familiarizado com instrumentos musicais, mas ele toca guitarra, não bateria. Foram necessárias algumas aulas do baterista da sua própria banda e muitos vídeos no YouTube para aprender cada virada feita somente ao vivo por Ronnie Vannucci.

"Eu acho que fiz o meu melhor, mas não fiz exatamente tudo que eu tinha ensaiado", ponderou o guitarrista, que preferiu ficar na zona de segurança durante seus minutos no Palco Corona. Sem retorno, ele precisou assimilar os sinais de Vannucci, que assumiu outra guitarra, e de Flowers, que "jogava o baixo para frente para a galera cantar".

Atrás de muitos pratos e sob fortes emoções, nem tudo saiu como o planejado. Entretanto, o público de 50 mil pessoas que passou pelo primeiro dia do Primavera Sound São Paulo não assustou Bunho como assustaria quem nunca subiu ao palco. A experiência com a Exkil o ajudou nesse sentido. Além disso, Gabriel enxergava apenas as pessoas próximas à grade, enquanto os demais fãs eram apenas "um borrão". 

Consolmagno ficou mais nervosa que o marido: "Acho que foi incrível para ela também, só que ela ficou mais nervosa do que eu, porque sabe que eu não sou baterista". Os dois revezaram o lugar perto do palco para ir ao banheiro, por exemplo. "Ainda bem que a galera estava generosa na água, porque estava muito quente", confessou. Eles chegaram às 12h e viram todos os shows que aconteceram no Palco Corona, como Black Midi e Marisa Monte.

Com os gritos de milhares de fãs e a barreira do idioma, o guitarrista da Exkil não conseguiu conversar o suficiente com os integrantes do The Killers. Quando foi pedir uma foto e confirmar se podia levar as baquetas, Brandon pensou que ele queria devolvê-las.

Bunho garantiu que o convite para o palco não é armação, como muitos pensam, e acrescentou que as chances de recebê-lo de novo são quase nulas. Ainda assim, se ele pudesse conversar com o The Killers novamente, ele pediria para tocar guitarra em outro show e convidaria os músicos para "um churrasco top em casa".

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!