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3 motivos para acreditar que o Coringa de Joaquin Phoenix será épico - 3 motivos para duvidar [LISTA]

Coringa vem chamando muita atenção mesmo antes de estrear e listamos motivos para acreditar (ou não) no potencial do filme

Vinicius Santos Publicado em 08/09/2019, às 11h00

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Joaquin Phoenix em Coringa (Foto: Reprodução Warner)

Como Coringa é o  filme baseado em personagens de HQ com a maior nota no IMDb mesmo um mês antes de estrear nos cinemas, podmos dizer que as expectativas estão altas para o primeiro filme solo do Palhaço do Crime da DC, dirigido por Todd Phillips e estrelado por Joaquin Phoenix.

Mas será que a produção fará jus à expectativa criada? A atuação de Phoenix pode superar o memorável Heath Ledger em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)? Listamos abaixo motivos para contra e a favor de Coringa para acreditar (ou não) no potencial do filme.

A favor: Joaquin Phoenix é um ator extremamente talentoso

Não é de hoje que Joaquin Phoenix tem se provado como ator. Mesmo sem ter ganhado nenhum Oscar, teve três indicações à estatueta (duas por Melhor Ator e uma por Melhor Ator Coadjuvante), e é particularmente habilidoso em retratar personagens perturbados e sombrios.

O comprometimento do astro com o filme é louvável. De emagrecer 23 quilos para se tornar Arthur Fleck até pesquisar e incorporar um transtorno de risada patológica para criar a risada do Coringa, Phoenix parece ter trabalhado arduamente em criar uma versão própria e extraordinária do vilão.


A favor: ousadia do filme em contar uma nova história

Filmes de super-heróis estão na moda, e por isso há uma imensa quantidade deles, a maioria bem parecidos, seguindo a mesma fórmula blockbuster. Apenas em 2019 tivemos seis filmes baseados em personagens com histórias em quadrinhos, e Coringa será o sétimo.

É difícil não ficar enjoado de tantos filmes de herói, não importa o quão fã você seja. Portanto, ter um filme protagonizado por um vilão, com uma história original e censura restrita a adultos é uma inovação bem-vinda ao gênero praticamente padronizado.


A  favor: similaridades com filmes de Martin Scorsese

Poucos cineastas são melhores em contar histórias de criminosos com personalidades complexas e perturbados do que Martin Scorsese, e a produção de Coringa sabe disso. Scorsese chegou a participar do projeto como produtor executivo, porém o abandonou.

Mesmo assim, Coringa carrega diversas similaridades com filmes de Scorsese - a decadência da sociedade e a solidão presentes em Taxi Driver (1976) e o humor às custas das pessoas em O Rei da Comédia (1982) podem ser vistos nos trailers do filme, e Robert De Niro, envolvido em diversas obras de Scorsese, está no elenco do longa.


Contra: vitimização de sociopatas 

Nunca houve tamanha atenção e detalhe na história do Coringa quanto nesta versão. O vilão ganhou uma história antes da vilania, como um comediante frustrado e com problemas mentais; após sofrer maus-tratos e incompreensão decide virar um criminoso. E essa história é preocupante na opinião de várias pessoas.

A escritora Audrey Wauchope Lieberstein tuitou: "Opinião impopular: esse trailer do Coringa parece-me uma carta de amor para crianças que se tornam atiradores em massa."


Contra: não é baseado nas HQs e, ah, não tem Batman

Mesmo que a história original do filme tenha sido citada anteriormente como um possível força, vale ressaltar a ausência do material advindo dos quadrinhos. Afinal, nessa empreitada de ser inovador no gênero de filmes de quadrinhos, Coringa pode acabar por sair completamente do gênero, descaracterizando enredo e personagem e desagradando os fãs.

Tamanha vontade de inovar resultou em um filme sem o Batman, no qual o Palhaço do Crime possa então ter todos os holofotes. Alguns fãs argumentam que não faz sentido contar uma história envolvendo o Coringa sem o Homem-Morcego, afinal, foi criado para ser o arqui-inimigo do Batman, não o protagonista da história. No entanto, quadrinhos como A Piada Mortal colocam o vilão em foco e funcionam muito bem, mas, novamente, Coringa não irá se basear em em nenhuma dessas obras.


Contra: o Coringa funciona melhor sem uma história de origem

Parte do apelo do Coringa como personagem vem do mistério que o cerca. O público nunca soube ao certo quem ele é, de onde veio, o que o deixou louco, ou sequer seu nome de verdade, e isso o torna muito mais assustador e interessante.

Jack Nicholson interpretou um ótimo Coringa em Batman (1989), e aprendemos tudo sobre ele, inclusive por que ele se veste como um palhaço e isso diminuiu o impacto do personagem. Em Batman: O Cavaleiro das Trevas, no entanto, além de relatos contraditórios do próprio personagem sobre abusos infantis, não sabemos muito sobre o vilão, e isso o torna muito mais eficaz. O novo filme do Coringa será uma história de origem, e isso pode ser um erro.


A favor e contra: Já tivemos o Coringa definitivo nos cinemas, e tudo bem com isso

Mais uma versão do Coringa pode ser ótimo, principalmente após a representação controversa de Jared Leto em Esquadrão Suicida. Mas, verdade seja dita, já tivemos a versão definitiva do personagem nas salas de cinema, um presente dado por Heath Ledger e o diretor Christopher Nolan.

O Coringa-Ledger é o perfeito oposto do Batman de Christian Bale, e o objetivo de causar o caos ao quebrar o espírito do mais integro dos homens é uma motivação muito baseada em A Piada Mortal, ainda que aplicada em um enredo diferente que o da HQ.

Qualquer representação do Palhaço do Crime será inevitavelmente comparada a performance ganhadora de Oscar de Ledger, e não há problema nenhum nisso. Ainda que a crítica dê um veredicto sobre qual atuação é melhor, não afeta o legado de Ledger como Coringa, que ajudo a popularizar o vilão e também foi uma importante contribuição ao gênero de filmes de herói como um todo.

Joaquin Phoenix certamente será avaliado da mesma maneira, mas são visões tão distintas do mesmo Coringa que Phoenix pode conquistar um novo lugar no coração dos fãs, enquanto Ledger mantém seu espaço consagrado no hall dos Coringas.