3 motivos para assistir (e 3 para não assistir) Seaspiracy, novo documentário da Netflix

A produção dirigida por Ali Tabrizi estreou no streaming em 24 de março e fala sobre os impactos da pesca

Camilla Millan Publicado em 10/04/2021, às 13h00

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Seaspiracy (Foto: Divulgação)

Para assistir Seaspiracy precisa ter estômago. O documentário de Ali Tabrizi estreou na Netflix em 24 de março para falar sobre o impacto ambiental da pesca, e contém diversas cenas chocantes. 

Da limpeza de praia à caça às baleias, Seaspiracy reflete o caminho pessoal do cineasta Ali Trabizi, cujo objetivo inicial era realizar um documentário sobre as maravilhas do oceano. No caminho, o diretor percebeu que todas as atrocidades comedidas pelos humanos nos mares (e fora deles) não poderia ser ignorada.

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Para retratar o impacto do ser humano nos oceanos, o documentário aborda uma rede complexa de informações: dos selos que prometem cuidar dos animais marinhos aos malefícios da pesca comercial e a controversa pesca sustentável. O trabalho serve de alerta enquanto indica a existência de uma salvação vegana para os problemas.

Além disso, o projeto se apoia em imagens muito fortes filmadas por Trabizi e dados alarmantes. Os números, entretanto, têm sido alvo de diversos ambientalistas que indicam a deturpação das informações.

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Está em dúvida sobre o documentário? A Rolling Stone Brasil listou 3 motivos para assistir (e 3 para não assistir) Seaspiracy; confira:


Assistir: Tema relevante

Ao se depararem com o sofrimento aos animais, diversas pessoas param de comer frango e carne vermelha, mas continuam com o consumo de peixe. Contudo, o documentário mostra que também há muitos efeitos nocivos aos peixes - e traz uma importante reflexão.

Do lixo nos oceanos à pesca ilegal, o documentário mostra o grande impacto do consumo de peixes atrelado a outras discussões atuais e relevantes. 


Não assistir: Informações deturpadas

Algumas das grandes críticas que o documentário recebeu estão relacionadas ao tratamento das informações - em entrevistas e em dados. Representantes da Dolphin Safe e Marine Stewardship Council acusaram o cineasta de uso enganoso das declarações, por exemplo.

Além disso, há críticas que envolvem uma das estatísticas mais alarmantes: em algum momento da trama, fala-se que, se o ritmo de destruição dos mares continuar, “o oceano estará vazio em 2048.” Segundo especialistas ouvidos pelo The Guardian, as informações não estão corretas.

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Assistir: Filmagens inéditas e entrevistas 

Devido ao trabalho de campo do diretor, Seaspiracy apresenta diversas filmagens inéditas e chocantes. O espectador se depara com a caça brutal às baleias, golfinhos, assim como uma rede “mafiosa” de caça aos tubarões e entrevistas com pessoas que sofreram com o trabalho escravo no mar.

Ali Trabizi consegue confrontar diversos entrevistados de peso para provar um ponto: quase não há regulação no mar. As entrevistas dão movimento à trama, e funcionam como recurso cômico em alguns pontos, quando os representantes de grandes entidades ficam incrivelmente sem fala.

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Não assistir: Falta de alguns temas

Além dos dados deturpados, as críticas também se referem à falta de alguns temas, como mudança climática. Ao anunciar o veganismo como solução para os problemas, especialistas também indicam a alternativa como insustentável para diversas comunidades - algo que não é citado ou explorado na trama.

Outro ponto negativo citado é o olhar estereotipado do cineasta, que mostra os “vilões” da trama principalmente como asiáticos, enquanto os brancos entrevistados são os “bonzinhos”. 

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Assistir: Sea Shepherd

Quem está familiarizado com a problemática da caça às baleias certamente já ouviu falar da Sea Shepherd. A ONG, inclusive, foi protagonista de uma série do Animal Planet que mostrava os métodos inconvencionais, porrém eficazes, de proteção aos animais marinhos.

O diretor Ali Trabizi se juntou a um dos barcos da ONG para impedir a pesca ilegal - e esse trabalho de campo do cineasta é fantástico.

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Não assistir: Narrativa didática (até demais)

A narração de Ali Trabizi na trama pode ficar cansativa. O diretor, que também é protagonista e narrador do documentário, explica todos os detalhes do documentário - o que talvez não seja tão necessário.

Com narração em quase todos os momentos, muitas vezes as cenas impactantes perdem a força na edição do documentário. É aquela máxima: o silêncio diz muito.


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