3 motivos para assistir (e 3 para não assistir) Tribes of Europa, série da Netflix dos produtores de Dark [LISTA]

Distopia retrata uma Europa após uma guerra tecnológica

Marina Sakai | @marinasakai_ (sob supervisão de Yolanda Reis) Publicado em 04/03/2021, às 19h59

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Tribes of Europa (Foto: Divulgação/Netflix)

Em 2029, o mundo passou por uma guerra tecnológica e um apocalipse digital. A Europa se dividiu em tribos e entre elas há apenas um aspecto comum: a ausência de energia. 45 anos depois, conhecemos Liv (Henriette Confurius), Kiano (Emilio Sakraya) e Elja (David Ali Rashed), irmãos da tribo dos Orígenes, a qual abriu mão de qualquer contato com o mundo antigo e retomou a relação com a natureza. Esta é a premissa de Tribes of Europa, nova série da Netflix.

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Apesar de ter os mesmos produtores do sucesso alemão Dark (2017), as semelhanças entre as duas param aí. Tribes of Europa não tem viagem no tempo e mistérios filosóficos. Mistura Game of Thrones (2011) na violência, Mad Max (1979) na caracterização de uma das tribos e Jogos Vorazes (2012) na distopia. É também um espelho exagerado do nosso próprio mundo: desigual, polarizado e agressivo.

A série chegou no top 10 da Netflix no Brasil. Confira três motivos para assistir — e três para não assistir — Tribes of Europa:

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Para assistir: distopia

O conceito de um apocalipse por guerra tecnológica é interessante, também por estar próximo da realidade. Mas, o mais curioso é enxergar partes do nosso mundo no deles. Nas histórias dos sobreviventes do “Dezembro Sombrio,” nos artigos raros e colecionáveis da civilização velha como carros, televisões, utensílios de cozinha; murais de lembranças com páginas de jornais e notícias da guerra e o modo como a Europa foi repartida, espelhando a divisão da Confederação Germânica do século XIX.

Para não assistir: desenvolvimento de personagens

Outro aspecto parecido com Game of Thrones é o modo como a série se reparte e se desenvolve em três histórias diferentes, uma acompanhando cada irmão. Elja descobre o cubo dos Atlantianos, objeto revelador de como um único povo conseguiu manter a tecnologia. O menino assiste ao massacre dos Origines e foge com o cubo. Liv, a irmã mais velha, após ser ferida no ataque dos Corvos à sua tribo, escapa da matança, encontra os Escarlates e se junta a eles. Enquanto isso, Kiano é levado junto do pai como escravo dos Corvos.

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No começo da história, quando os irmãos estão todos juntos, a introdução de cada um é feita de maneira apressada e superficial. As características e visões de mundo de Kiano e Liv, principalmente, mudam muito no decorrer da série. Elas não se desenvolvem, são apenas inconstantes. Apenas Elja permanece original à maneira como é apresentado no início.

Para assistir: segunda temporada?

Se você espera para saber se a série seria renovada para mais uma temporada antes de assistir, aqui está a sua resposta. A Netflix ainda não confirmou, mas o diretor Philip Koch trabalha na nova parte. Koch enxerga um futuro longo para a série, como revelou ao alemão DWDL: “Até oito ou nove temporadas.”

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Para não assistir: cadê a conclusão?

Os seis episódios tem momentos apressados e outros arrastados demais. Os primeiros constroem lentamente uma base e, chegando no quinto episódio, o questionamento surge: "Como isso vai terminar tão rápido?"

O final surpreende porque não tem conclusão nenhuma. Nas seis horas de duração, não houve tempo suficiente para acumular tensão para um bom final. A razão para isso pode estar nos planos de Philip Koch, quem deve planejar uma continuação para o último capítulo. Mesmo assim, dá a impressão de que a série se encerrou na metade.

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Para assistir: Oliver Masucci

Masucci (Moses), Ulrich Nielsen em Dark, tem um papel importante e carismático na série. Catador de sucata, conhece Elja e, após tentar roubar o cubo dele, faz um acordo com o menino para consertar o objeto, vendê-lo e dividir os lucros. Elja e Moses se tornam parceiros durante a jornada, passam por desafios na busca pela arca dos Atlantianos. É uma das relações de maior desenvolvimento e dinâmica na série.

Para não assistir: construção do mundo

Toda a história da série gira em torno do “Dezembro Sombrio” e do cubo Atlantiano, segredo de toda a evolução do povo. No entanto, sabemos apenas que o apagão foi causado por um excesso de tecnologia e por uma guerra entre duas potências.

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Também não fica claro se existem outros continentes com vida humana no mundo distópico. Os Atlantianos podem ou não ser descendentes dos estadunidenses, ou povos vindos do Oceano Atlântico. O cubo revela a Elja uma ameaça vinda do Oriente e uma família de imigrantes orientais aparece em um dos episódios, mas não há outras explicações na primeira temporada.


Assista ao trailer da série:


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