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Relembre grandes momentos do festival Woodstock

Redação Publicado em 15/08/2014, às 19h53 - Atualizado em 29/01/2016, às 14h01

Galeria - Woodstock - abre
AP

Na sexta-feira, 15 de agosto de 1969 o congestionamento em direção a uma fazenda em Bethel (“Casa de Deus”, em hebraico), comunidade rural a 145 km de Nova York, denunciava a chegada de um dos festivais que marcaria a história da música para sempre: o Woodstock Music & Art Fair, conhecido apenas como Woodstock.

Edição 94: O nascimento dos festivais de rock.

Segundo a polícia, havia cerca de 1 milhão de pessoas na estrada – sendo que só 186 mil ingressos, a US$ 18 por dia, foram vendidos. Muitas pessoas desistiram de seguir em frente, outras voltaram para casa e grande parte ou pulou o muro (o que posteriormente deixou a impressão de que o festival era gratuito) para acompanhar as apresentações.

Greil Marcus foi até Woodstock - e relatou suas experiências na edição 42 da Rolling Stone EUA, em setembro de 1969.

A partir das 17h daquele dia, e nos dois dias seguintes, grupos como de The Who, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, Jefferson Airplane, Joan Baez, Joe Cocker, The Band, Johnny Winter, Crosby, Stills & Nash (e Young), Neil Young e Jimi Hendrix (que encerrou a programação), entre outros. Selecionamos algumas das apresentações mais marcantes dos três dias.


Joan Baez – 15 de agosto



Com o line-up mais tímido comparado ao de sábado e domingo, o primeiro dia de Woodstock teve shows de Richie Havens, Swami Satchidananda, Sweetwater, Bert Sommer, Tim Hardin, Ravi Shankar, Melanie e Arlo Guthrie, nesta ordem. Entretanto, o momento mais marcante foi protagonizado pela cantora – e ativista política – Joan Baez, grávida de seis meses, que dedicou a faixa “Drug Store Truck Drivin' Man” ao então governador da Califórnia, Ronald Reagan. O Woodstock acontecia ao mesmo tempo que a Guerra do Vietnã e a face política do evento ficava ainda mais escancarada com performances como esta.


Grateful Dead – 16 de agosto



Faltava banheiro, comida, e o meio milhão de hippies ainda enfrentava a lama do festival, que ouvia novos acordes após 10 horas de pausa. O segundo dia do evento – 16 de agosto – começou às 12h15, quando os irmãos Cole, da banda Quill subiram ao palco, e teria como principal característica a psicodelia.



É bem verdade que o show do Grateful Dead foi marcado por diversos problemas técnicos. Entretanto, nada conseguiu tirar a magia da performance de “Dark Star”, uma verdadeira ode ao bom e velho rock and roll, com 19 minutos de pura sinergia em improvisos.


Janis Joplin – 16 de agosto



A madrugada paz e amor seguiu com o Creedence Clearwater Revival e, logo depois, com a cantora Janis Joplin, acompanhada pela The Kozmic Blues Band. E, durante o show, ela se mostrou irritada com as condições do evento, dizendo: “Vocês não tem que aturar a merda dos outros só porque gostam de música. Então, se estão aturando mais merda do que merecem, vocês sabem o que fazer. É só música, pessoal, e ela deve ser diferente disso”.



Dado o recado, Janis – que morreria de overdose de drogas dali a 14 meses – entregou uma versão matadora de “Piece of My Heart”.


The Who – 16 de agosto



Vindo diretamente da Inglaterra, o The Who subiu ao palco para fazer uma das apresentações mais longas e emblemáticas do final de semana de Woodstock. O show – que contou com Pete Townshend expulsando, “à guitarradas”, o ativista político Abbie Hoffman do palco – teve duas horas e 25 faixas no repertório.



É difícil escolher uma entre as músicas apresentadas pelo The Who, mas, com certeza, “See Me, Feel Me” representa com clareza a ópera rock que o grupo havia acabado de dar início, com o clássico disco Tommy, lançado no começo daquele ano.


Jefferson Airplane – 16 de agosto



Já era manhã quando o último show do segundo dia Woodstock teve início. De São Francisco, na Califórnia, o Jefferson Airplane subiu ao palco do festival tocando por quase duas horas para uma plateia sonolenta e, mesmo assim, sendo ovacionado por ela.



“Então, amigos, vocês já viram diversos grupos pesados e agora verão música matutina de maníaco, acreditem em mim", disse Grace Slick, vocalista do grupo. Entre improvisos e faixas conhecidas, “White Rabbit” foi uma das melhores.


Joe Cocker – 17 de agosto



Às 14h do domingo, 17 de agosto, o jovem Joe Cocker deu começo ao fim do Woodstock. O primeiro show do terceiro dia contou com um repertório pautado em versões de músicas de outros artistas. E foi com uma delas que o cantor ganhou imenso destaque. Para apresentar “With A Little Help From My Friends”, dos Beatles, ele contou com a presença do Grateful Dead, e uma voz tocante, que, posteriormente, faria com que a música ficasse tão conhecida na voz dele quanto na de Ringo Starr.


The Band – 17 de agosto



O disco Music From The Big Pink, estreia do grupo folk The Band, lançado em 1968, foi a base da apresentação das 22h – que trocaria provisoriamente as guitarras das bandas anteriores pelos violões.



“Tears of Rage”, escrita pelo vocalista Richard Manuel em parceria com Bob Dylan, marcou a apresentação do The Band, acalmando os ânimos com melodias suaves e uma letra emocionante.


Johnny Winter – 17 de agosto



Para não deixar dúvidas de que as guitarras mandaram no último dia de Woodstock, Johnny Winter apareceu com os cabelos brancos e um blues acelerado e contagiante. Albino, o guitarrista daria mais uma prova de que o gênero pode ter alma negra, mas também é muito bem tocado pelos brancos.



O show foi um desfile de solos distorcidos e virtuosos, aperitivo para o que viria pela frente.


Crosby, Stills, Nash (& Young) – 17 de agosto



O supergrupo Crosby, Stills & Nash, que contava com eventuais participações do (também pouco conhecido) Neil Young, levou ao festival a candura das variações de tons presentes nas diversas vozes que permeiam o repertório do grupo.



Empunhado violões bem afinados e usando roupas largas e coloridas, a banda apresentou músicas que até hoje são capazes de arrepiar qualquer um. “Judy Blue Eyes” – um apanhado de pequenas canções, lançada em 1969 no disco de esteia, autointitulado, do trio – foi a primeira faixa do show. Os músicos driblaram o nervosismo encarando a multidão com muito nervosismo e fazendo caretas entre si quando algo dava errado.


Jimi Hendrix – 17 de agosto



Quando o festival chegava próximo ao fim, aproximadamente 320 mil pessoas ainda permaneciam na fazendo onde acontecia o Woodstock. A essa altura, a expectativa por Jimi Hendrix já era grande, e por volta das 9h, ele finalmente subiu ao palco, acompanhado de mais cinco músicos.



Nem o fato de ter perdido uma das cordas da guitarra – arrebentada – atrapalhou Hendrix naquilo que seria o maior momento de todos os três de Woodstock. Ele tocou uma versão inesquecível de “Star Spangled Banner”, o hino nacional dos Estados Unidos. Um gesto emblemático, que fez parte das duas horas e dez minutos de show do guitarrista.



Tinha fim o Woodstock, com um saldo de duas pessoas mortas: uma atropelada por um trator, outra por overdose de drogas. Ainda reza a lenda que dois bebês ganharam vida naquele fim de semana.