50 anos de harmonia

Os Beach Boys comemoram cinco décadas de carreira nesta segunda, 4

Redação Publicado em 04/06/2012, às 16h05 - Atualizado às 16h50

Beach Boys em Los Angeles, em 1965.

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Apesar da banda ter sido formada em 1961, os Beach Boys marcaram para esta segunda, 4, a comemoração dos 50 anos, já que esta é data do primeiro lançamento oficial pela gravadora Capitol.

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Os rapazes de Hawthorne, subúrbio de Los Angeles, se interessaram por música desde cedo. Brian Wilson gostava de George Gershwin e do grupo vocal Four Freshman. Seu primo Mike Love e o irmão Carl Wilson gostavam de R&B e doo wop. O amigo de escola Al Jardine era fanático por folk music. Dennis Wilson, o irmão caçula do clã Wilson, não tinha nenhuma inclinação musical, mas foi ele quem sugeriu o tema para o primeiro single da banda. Para não ficar de fora, rapidamente aprendeu a tocar bateria. Dennis era um surfista fanático e achou que esse tema poderia ser explorado musicalmente pelos irmãos.

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“Surfin’ ”, escrita por Brian Wilson e Mike Love, foi gravada da forma mais rudimentar possível e lançada pelo pequeno selo Candix em 1961. O disco fez um sucesso regional e logo os rapazes, graças a Murray Wilson, pai de Brian, Carl e Dennis e empresário da banda, conseguiu um contrato com a Capitol Records. A gravadora, então, soltou o primeiro single da banda em 4 de junho de 1962. “Surfin’ Safari” / “409” alcançou a 14ª posição na parada, um grande feito para uma banda desconhecida. Nesse momento, Jardine foi estudar odontologia e David Marks, vizinho dos Wilson, entrou em seu lugar.

Os Beach Boys logo se tornaram a banda número um dos Estados Unidos, enfrentando os Beatles cara a cara e estourando com clássicos como “Surfin’ USA”, “Surfer Girl”, “Little Deuce Coupe”, “Shut Down”, “I Get Around”, "Don’t Worry Baby", “California Girls” e outras canções que traziam harmonias vocais impecáveis e melodias marcantes, exaltando o verão e o estilo de vida do sul da Califórnia.

Em 1965, o grupo lançou Beach Boys Today!, Summer Days and Summer Nights e Beach Boys Party!, - este último com o grande hit “Barbara Ann”. Mas Brian queria mais. Depois de começar a fumar maconha e ouvir sem parar Rubber Soul dos Beatles, ele, ao lado do letrista Tony Asher, começou a escrever o disco que daria uma guinada na música dos Beach Boys. Assim, em maio de 1966, os Beach Boys lançaram o introspectivo e inovador Pet Sounds, que trazia canções como "Wouldn't It Be Nice", "God Only Knows" e "Sloop John B". Pet Sounds se tornou um dos discos mais influentes de todos os tempos. No mesmo ano, saiu o single “Good Vibrations”, um sucesso mundial que coroava Brian Wilson como um das principais mentes criativas da história do rock.

Brian Wilson, então se dispôs a escrever o álbum que, segundo ele mesmo “iria revolucionar o rock”. A banda gravou extensivamente, nesse período, material para o psicodélico Smile, colaboração de Brian com o letrista Van Dyke Parks, que deveria ter sido lançado em 1967. Mas, depois de um enorme esforço, o material foi arquivado – Brian surtou e não conseguiu reunir as peças. O single “Heroes and Villains” foi o produto mais coerente surgido das sessões de Smile.

Com o impasse do disco, Brian foi saindo de cena, passando o tempo em sua casa em Bel Air. Gradualmente seu envolvimento com os álbuns dos Beach Boy foi diminuindo. A banda seguiu em frente, dividindo as responsabilidades que antes eram de Brian e lançando discos interessantes e diversificados, como Smiley Smile (que se apropriava de canções e ideias de Smile), Friends e 20/20. O single “Do It Again”, de 1968, já antecipava que os Beach Boys iriam ter que recorrer a temas como o verão e o surfe para se conectar novamente a seu púbico. Já “I Can Hear Music”, de 1969, foi um hit que não teve nenhum envolvimento de Brian Wilson.

A banda entrou na década de 70 lançando os álbuns Sunflower, Surfs Up, Carl and The Passions e Holland, elogiados pela critica, mas, no geral, ignorados pelo grande público. Em 1974, a coletânea Endless Summer, contendo hits da era do surf, mudou a sorte dos Beach Boys. O álbum duplo ganhou disco de platina e a banda, agora redescoberta por uma nova geração, embarcou em uma onda de nostalgia, tocando em estádios por todos os Estados Unidos. Com a reconquistada popularidade, a banda tentou trazer Brian de volta aos palcos e ao estúdio. Brian, que por muito tempo abusou das drogas, foi diagnosticado como esquizofrênico e começou a se tratar com o polêmico Dr. Eugene Landy. Brian reapareceu como produtor no álbum 15 Big Ones (1976), que fez sucesso e destacou o remake de “Rock and Roll Music”, de Chuck Berry. Beach Boys Love You, de 1977, foi outro álbum idealizado por Brian que virou cult. Mas, aos poucos Brian foi novamente perdendo o interesse – deixou mais uma vez os Beach Boys e voltou às drogas e a reclusão, sendo considerado “um caso perdido”.

O Dr. Landy, que controlava Brian 24 horas ao dias, também foi afastado. Bruce Johnston, que tinha saído em 1972, voltou a banda de vez em 1978 depois de ser convocado a ajudar na produção de L.A. (Light Album). Dennis Wilson, que sempre foi o mais rebelde do grupo, em 1977 lançou o aclamado álbum solo Pacif Ocean Blue, mas o sucesso do disco não acalmou os demônios do baterista. Na década seguinte, chegou ao fundo do poço, cada vez mais mergulhado nas drogas e no álcool e enfrentando problemas financeiros. Chegou até a ser expulso dos Beach Boys, mas acabou voltando. Em dezembro de 1983, Dennis morreu afogado.

A banda seguiu em frente cada vez mais dividida entre Mike Love e Carl Wilson. O grupo tocava no circuito de nostalgia e sua relevância parecia ter acabado. Em 1998, Carl Wilson morreu de câncer no pulmão e Al Jardine, depois de se desentender com Mike Love, foi afastado do Beach Boys. Enquanto isso, Brian Wilson se recuperava de uma forma surpreendente. Começou a gravar com regularidade e fazer shows com uma nova banda cujo núcleo era o cultuado Wondermints. A música de Brian Wilson e dos Beach Boys começou a ser redescoberta e Pet Sounds sempre figurava nas listas de álbuns mais importante de todos os tempos. Em 2004, Brian lançou a sua versão do mítico Smile e caiu na estrada apresentando o disco. Neste mesmo ano, ele se apresentou no Brasil, no Tim Festival. Enquanto isso, Mike Love e Bruce Johnston (e às vezes David Marks) seguiam com a marca Beach Boys. Al Jardine tocava sua carreira solo.

Em dezembro de 2010, os Beach Boys de Love e Johnston tocaram primeira vez no Brasil. Aos poucos, os membros sobreviventes voltaram a trabalhar juntos. No ano passado, a banda ajudou no relançamento da versão de Smile dos Beach Boys, engavetado desde os anos 60. E agora, Brian Wilson, Mike Love, Bruce Johnston, Al Jardine e David Marks estão na estrada, celebrando os 50 anos de carreira com um show de duas horas e meia. Para marcar o momento a banda gravou o álbum That’s Why God Made The Radio, que deve sair oficialmente nos próximos dias.