70 anos de Milton Nascimento, o rouxinol de Minas Gerais

Leia depoimentos de Rita Lee, Lô Borges, Samuel Rosa, Roberta Campos, Paulinho Moska e Zé Renato sobre o aniversariante

Guilherme Bryan Publicado em 26/10/2012, às 12h14 - Atualizado às 18h03

Milton Nascimento

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A música brasileira está em festa, pois, nessa sexta, 26 de outubro, o cantor e compositor Milton Nascimento completa 70 anos. Justa homenagem ao artista que sempre fez questão de levar a música dele onde quer que o povo estivesse. Encantou o mundo todo com sua voz única e inconfundível, mas nunca esqueceu as suas Minas Gerais. Cantou para todas as Marias, as mulheres que merecem viver e amar como outras quaisquer do planeta. Fez questão de dar voz aos trabalhadores do sal, assim como o coração libertário dos estudantes. Também dedicou um de seus 35 álbuns aos índios, Yuaretê (nome de um povoado localizado na Terra Indígena Alto Rio Negro); e músicas para o “menestrel das Alagoas”, o empresário e político Teotônio Vilela, um dos grandes líderes na campanha pelas Diretas Já, na década de 1980; além de ter homenageado o ator norte-americano River Phoenix, morto com apenas 23 anos, em “Carta a Um Jovem Ator”.

Perfil - Misterioso, elusivo e indecifrável, Milton Nascimento continua a se reinventar em seu mítico e protegido universo particular.

Milton Nascimento nasceu no Rio de Janeiro, filho de uma empregada doméstica muito humilde, que, após tentar criá-lo sem sucesso, entregou-o para um casal rico que o levou para Três Pontas, em Minas Gerais, antes de completar dois anos. Foi ali que conheceu o compositor e pianista Wagner Tiso, com quem formou o grupo W’s Boys, que tocava em bailes. Ali também compôs a primeira música, “Barulho de Trem”, em 1962. O primeiro reconhecimento nacional veio em 1967, quando ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção, com “Travessia”, uma parceria com Fernando Brant e que deu título ao primeiro álbum, do mesmo ano. Outro marco na carreira de Milton Nascimento foi o Clube da Esquina, originado a partir dos encontros com os jovens irmãos Lô e Márcio Borges, Beto Guedes, Toninho Horta e Flávio Venturini. Aos poucos, teve suas canções gravadas por grandes artistas, dentro e fora do Brasil, como Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Wayne Shorter, Pat Metheny e Peter Gabriel, entre outros. Em 1998, foi agraciado com o Grammy Melhor Álbum de World Music, por Tambores de Minas. Mas ele já havia criado uma música universal muito antes de criarem a expressão “world music” e uniu a América Latina de modo como pouquíssimos fizeram.

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