A melancolia do She Wants Revenge volta ao Brasil

Banda norte-americana faz duas apresentações no país esta semana; confira entrevista com o vocalista Justin Warfield

Por Stella Rodrigues Publicado em 16/09/2010, às 18h37

Dupla She Wants Revenge desembarca no Brasil esta quinta, 9
Divulgação

Atualizada em 16 de setembro, às 18h36

Influenciada pela música dos anos 80, a dupla She Wants Revenge faz uma espécie de "dance-dark" com toques de hip-hop e música eletrônica que o próprio vocalista, tecladista e guitarrista Justin Warfield não consegue definir com precisão. Justin conversou com a Rolling Stone Brasil por telefone e falou sobre o estilo da dupla, os shows no Brasil, o passado eclético, o presente indefinível e um possível futuro por trás dos holofotes.

A primeira e única passagem do She Wants Revenge pelo Brasil aconteceu em 2007, no festival Nokia Trends. Nesta semana a banda retorna para duas apresentações, uma em São Paulo, na quinta, 9, e outra em Brasília, como parte do line-up do Festival Porão do Rock, no dia 11. "A última vez que estivemos no Brasil foi uma experiência ótima, mas não pudemos passar muito tempo. Então, estamos empolgados de ir tocar, experimentar mais a cultura, os outros shows [do Porão do Rock], a comida, as pessoas ", afirma o músico.

Antes de passar por aqui, o She Wants Revenge alternou shows e a gravação do próximo disco. Sobre esse terceiro álbum, Justin faz mistério, limitando-se a contar que estão inovando bastante: "Não posso dizer ainda o nome, nem entregar muita coisa. Ele ainda não está pronto, mas está perto disso." Tudo que ele especificou foi que a dupla tem um conceito "ousado" para o disco, desde a sonoridade até a arte da capa. "Não deixa de ser She Wants Revenge, mas definitivamente está bem diferente do que a gente já fez", revela.

Quando questionado se as faixas inéditas que andaram pipocando na turnê atual da banda ("Maybe She's Right", "Suck It Up", "Some Girls, Some Boys" e "Kiss Me") farão parte do trabalho, ele desconversa: "Acho que sim, provavelmente. Não sei. Não posso te dizer ainda." Justin afirma que algumas dessas inéditas estarão no setlist brasileiro, mas garante que o show será bem equilibrado entre novidades e músicas conhecidas do público. "Nem todo mundo estava no outro show que fizemos em São Paulo, então vamos tocar um pouco de músicas antigas, algumas recentes. Queremos mostrar as músicas inéditas para o público, estamos ansiosos para que ouçam nossas faixas novas, mas não vamos deixar de tocar as que todos já conhecem."

Anos 80

Três das bandas sempre citadas como possível inspiração para o SWR são Depeche Mode, New Order e Bauhaus. "É engraçado", diz Justin, "eu não citaria nenhuma dessas como influências nossas... talvez só o Depeche Mode. Temos sim uma influência oitentista porque crescemos nessa época. Acho que todo artista tende a se inspirar com a música que ouvia quando era jovem."

Justin crê ainda que rótulos não são necessariamente ruins para o artista, já que podem auxiliar o público a entender melhor a música que está ouvindo: "Eles ajudam a definir o som para as pessoas, facilitam a compreensão. É menos complicado encaixar a banda dentro de um rótulo do que tentar entender o tipo de batida da bateria, acordes específicos, o estilo das guitarras." Porém, ele parece avesso à definição mais associada ao She Wants Revenge, o "darkwave" - gênero que define uma sonoridade depressiva e letras introspectivas, melancólicas. "Não sei se é bem isso. No começo, a gente dizia que era mais apropriado dizer que fazíamos um dance dark." De fato, por mais dark que seja, a sonoridade do duo cai muito bem nas pistas.

Um tema recorrente nas letras compostas pela dupla - a maior parte de autoria de Justin - são as mulheres. Elas - e as agruras pelas quais elas fazem os homens passar - estão em quase todas as composições do She Wants Revenge. "Senti demais, ela sentiu alguma coisa?", diz a letra de "She Loves Me, She Loves Me Not". Já em "She Will Always Be a Broken Girl" o refrão repete "ela vê um velho amigo/ enquanto anda pela multidão / veste seu melhor sorriso / mas no fundo é uma garota arrasada".

"Posso dizer que não existiria She Wants Revenge sem o 'She'", afirma o músico. Para ele, "as letras falam muito do relacionamento entre homens e mulheres, dessa dinâmica, das conexões interpessoais." E mais, elas não só são tema como são o alvo da dupla: "Se você consegue fazer música que as meninas possam apreciar, você sabe que realmente está fazendo algo com um nível maior de sofisticação e sensibilidade." Aliás, o próprio nome da dupla foi pensado a partir da palavra "ela". A única certeza que Justin e Adam tinham quando fizeram o brainstorm para batizar o projeto é que a palavra "she" estaria nele.

Passado

Os dois discos e os cinco EPs que o She Wants Revenge tem no currículo desde sua formação, em 2005, não representam toda a carreira de Justin. Antes de se juntar à Adam 12, o versátil músico passou por projetos de hip-hop (One-Inch-Punch), música eletrônica e até rock psicodélico (The Justin Warfield Supernaut), todos elementos que figuram no trabalho do She Wants Revenge em maior ou menor escala. "Se você pega a carreira de um músico desde que ele está no colegial, ele passa por muitas mudanças, tem vários projetos, experimenta com vários sons. Eu tive a sorte de todas as minhas bandas terem conseguido lançar discos, por isso, todo mundo conhece todos os meus projetos. Não sou mais aquele Justin. Eu uso algumas batidas de hip-hop com o Adam e um dia eu até gostaria de fazer um disco só de hip-hop, mas não é algo que me sinto instigado a fazer", explica. "Hoje eu consigo expressar tudo que preciso com o She Wants Revenge e isso supre essa necessidade que tenho como artista", ele completa.

Futuro

Com toda essa experiência em diversos estilos, o próximo passo na trajetória de Justin talvez seja atuar também nos bastidores. Ele e Adam 12 pretendem investir em grupos iniciantes com o selo do She Wants Revenge, o Perfect Kiss (que até hoje só lançou discos da dupla). Por enquanto, os rapazes estão incentivando descompromissadamente a carreira de bandas nas quais acreditam: abrem espaço nos shows para elas tocarem, ajudam em gravações e dão uma força na divulgação do trabalho, mas o plano é ir além. "Queremos assinar artistas no nosso selo no futuro, com certeza, mas estamos tentando achar um jeito que funcione para eles e para a gente", conta ele, que não quer que uma eventual carreira como produtor deixe inviável sua carreira de músico. "Quando for o momento certo, vamos definitivamente lançar outros artistas no Perfect Kiss", garante.

She Wants Revenge no Brasil

São Paulo

9 de setembro

Clash Club (R. Barra Funda, 969, Barra Funda)

Ingressos: R$ 90

Informações: (11) 3661-1500

Pontos de venda: Chilli Beans Galeria Ouro Fino: Rua Augusta, 2690, (11) 3062-3266 (somente dinheiro; vende meia entrada);

Clash Club: somente no dia do show, conforme disponibilidade de ingressos.

Venda online: http://www.ticketbrasil.com.br/

Brasília

11 de setembro

Festival Porão do Rock - Ginásio Nilson Nelson (Asa Norte - Localidade central - junto ao Eixo Monumental, situado entre o Estádio Mané Garrincha e o Palácio do Buriti)

Ingresso: Um quilo de alimento não-perecível

Informações: http://www.poraodorock.com.br/

Pontos de venda: lojas Chilli Beans de Brasília e Goiânia (gratuito)

Venda online:http://www.poraodorock.com.br/