"A vida ainda é um pesadelo quando somos forçados a não agir como crianças", diz vocalista do Simple Plan

Antes da passagem de som no Credicard Hall, onde tocariam na noite desta terça, 24, Pierre Bouvier e Sébastien Lefebvre falaram ao site da Rolling Stone Brasil

Por Marcelo La Farina Cabrera Publicado em 25/03/2009, às 16h20

Esta é a quarta vez que os canadenses do Simple Plan vêm ao Brasil e a terceira com shows abertos ao público. Diferentemente da turnê realizada em 2007, que visitou apenas Rio de Janeiro e São Paulo, a deste ano contempla, além das duas capitais (eles se apresentam no RJ nesta quarta, 25), outras cinco cidades: Porto Alegre (18/03), Curitiba (19/03), Olinda (21/03), Goiânia (22/03) e Belo Horizonte (26/03).

Antes do show na capital paulista - onde a banda recebeu o disco de platina digital por atingir 100 mil celulares com conteúdo completo do disco Simple Plan vendidos por aqui - na noite desta terça, Pierre Bouvier (vocal) e Sébastien Lefebvre (guitarra) falaram ao site da Rolling Stone Brasil sobre inspiração vinda de uma luta contra o câncer, rotulação "emo" e sobre como ser adulto às vezes é um pesadelo.

Esta turnê é claramente maior do que a de 2007. Qual foi a reação de vocês ao encontrar o público em cidades que nunca estiveram antes, como Porto Alegre, Curitiba, Olinda e Goiânia?

Sébastien: Quanto ao público, não esperávamos nada menos do que loucura (risos). Todos os shows que fizemos no Brasil superaram nossas expectativas, mesmo que as casas de show onde tocamos não sejam tão grandes quanto no Rio ou São Paulo.

Tiveram tempo para conhecer as cidades?

Pierre: Pouca coisa... Tivemos que fazer muitos voos de conexão e coisas do tipo... Mas o que pudemos ver nos agradou, certamente. Desta vez estamos fazendo menos turismo e participando de mais eventos, conhecendo outras pessoas, bandas brasileiras, pegando uma ideia geral de como o povo brasileiro é no dia-a-dia. Tem sido realmente divertido.

O novo single do Simple Plan, "Save You", é baseado na luta e na vitória do irmão do Pierre contra um câncer no sistema linfático. Vocês acham que a letra da música conseguiu expressar tudo o que a banda sentia no momento?

Pierre: Não preciso nem dizer que foi um dos períodos mais difíceis, se não o mais, da minha vida. Eu queria falar sobre isso, colocar pra fora, e acho que consegui em "Save You". Acredito que as pessoas conseguem captar toda a emoção que a música carrega. Se você prestar bastante atenção na letra, vai perceber que é praticamente impossível não sentir alguma coisa, mesmo que não goste do trabalho do Simple Plan como um todo. É uma letra bem pessoal... Isso faz as pessoas pararem e pensarem.

No que vocês pensam quando compõem? É um processo natural, não forçado?

Pierre: Nossas músicas são basicamente sobre nossas vidas. Coisas que acontecem e que julgamos interessantes para serem divididas com mais gente. A melhor inspiração vem da sua própria vida.

Boa parte dos fãs da banda têm entre 14 e 16 anos. Isso traz uma dose extra de responsabilidade a uma banda de rock que notoriamente exerce influência sobre o público?

Sébastien: Acredito que isso seja uma escolha verdadeiramente pessoal. Vivemos nossas vidas do jeito que nos faz bem. Não vivemos pensando 24 horas por dia em ser exemplo para as pessoas, não nos preocupamos em estabelecer padrões a serem seguidos. Na verdade, atingimos o público certo, mas sem ser uma coisa proposital.

Como vocês lidam com a rotulação "emo"? Isso incomoda?

Sébastien: É engraçado. Aqui no Brasil muita gente nos pergunta sobre isso, mas nos outros países por onde passamos, essa classificação simplesmente não existe, ainda mais com esse tom pejorativo.

Pierre: "Emo" vem de "emotional", e sim, nossa música tem todo um lance de mexer com as emoções das pessoas. Mas somos só uma banda de rock, somos só o Simple Plan.

Em "I'm Just a Kid", de 2002, vocês cantam sobre a vida ser um pesadelo. A vida ainda é um pesadelo? O resto do mundo ainda se diverte mais que vocês?

Pierre: Não nesta turnê (risos)! Impossível alguém se divertir mais que a gente nesta turnê. Mas em alguns casos, a vida ainda é um pesadelo, sim, principalmente quando somos forçados a não agir como crianças, entende? Quando somos forçados a ser adultos. Na verdade, todos passamos dos 25, mas ainda somos crianças. É isso que nos faz seguir, que nos faz acreditar na nossa música. Quando isso terminar, não haverá razão para seguir com a banda.