Adriana Calcanhotto propõe a renovação e raspa o cabelo no clipe de Margem; assista

Música, com levada de bossa nova, é o segundo single do novo disco da artista, previsto para 2019

Pedro Antunes Publicado em 22/03/2019, às 00h01

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Adriana Calcanhotto, no clipe de "Margem", dirigido por Murilo Alvesso (Foto: Reprodução)

Adriana Calcanhotto subtraiu a si, tirou seu ego, sua imagem, para se colocar em transformação diante da câmera. A artista do começo do videoclipe de "Margem", adiantado com exclusividade pela Rolling Stone Brasil, não é a mesma ao terminá-lo.

No quadro, sob a direção de Murilo Alvesso, Adriana encara o espectador, quem está do outro lado da tela (nós, no caso) para expor seu bravo ato de mudar. Enquanto isso, uma bela levada de bossa nova conduz as primeiras tesouradas.

Adriana Calcanhotto refaz a próxima figura ao cortar o cabelo diante da câmera. Sempre com aquele par de olhos impactantes fixados em nós. É fácil ser levado pela canção e, ao fim da música, enfim perceber o que ocorreu ali.

É tudo parte de um sentimento de renovação, afinal. "[A música] é adeus e prazer em conhecer. No ato imperativo da renovação, Adriana encara o tempo e as rotas traçadas para seguir adiante", explica Alvesso.

"Vai-se o que precisa ir e a artista é folha em branco", decreta o diretor.

"Margem", a canção, aponta para essa nova folha em branco. “Eu, Menos Meu Nome / Menos Meu Reino / Menos Meu Senso / Menos Meu Ego / Menos meus credos / Menos meu ermo”, ela canta, antes de anunciar, no fim do refrão: "Querendo teu beijo / Querendo teu beijo".

No fim das contas, é o amor - e a entrega que só os apaixonados podem dar - o combustível para uma canção que não explode, mas queima em fogo brando, a ponto de queimar, mas não esturricar.

"Escolhi uma batida clássica de Bossa Nova, com o aro da bateria bem pronunciado, fiz um loop longo desse beat e fiquei anos compondo em cima somente da batida. Nunca peguei o violão ou pensei em qualquer harmonia prévia”, conta Adriana.

"Margem", como ela conta, foi construída aos poucos. "É do tipo de canção que projeto, imagino o que eu possa ser com o que quero dizer e depois levo algum tempo escrevendo", ela conta. A letra foi encerrada somente no estúdio, quando a artista ouviu a própria voz.

Assista ao clipe de "Margem", de Adriana Calcanhotto, abaixo: 

 

"Não é comum pra mim esse tipo de procedimento", conta, "ao contrário, considero
essa operação de ir pro estúdio com material não pronto muito arriscada, mas como
tinha já bastante intimidade com as diversas possibilidades, fui gravando, ouvindo e
fazendo as escolhas definitivas, sempre a parte mais árdua do trabalho de composição,
fazer escolhas, o que significa deixar palavras [ou notas] de fora."

A música integrará o novo disco de Adriana, cujo lançamento é previsto ainda para o primeiro semestre de 2019. É, aliás, o segundo single lançado dentro desse novo ciclo de trabalho. O primeiro foi "Ogunté".

Neste 2019, aliás, a obra de Adriana Calcanhotto foi revisitada por uma nova geração de artistas, que desconstruiu canções dela, de hits a lados B, em próprias visões e distintas. O trabalho, chamado Nada Ficou no Lugar, realizado pela Xirê Produções, já está disponível nas plataformas digitais.