Afinal, o que é ser diva pop em 2020? Lady Gaga e Taylor Swift se enquadram? [ANÁLISE]

Os criadores do canal Diva Depressão, Edu e Fih, comentaram sobre as principais características das carreiras de grandes cantoras do pop

Isabela Guiduci Publicado em 09/06/2020, às 07h00

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Lady Gaga (Foto: Dennis Van Tine/AP) | Rihanna (foto: François Mori/ AP) | Taylor Swift (Foto de Evan Agostini / Invision / AP)

Música? Voz? Performance? Eras? Looks? Empoderamento? O que faz uma diva pop? Para Edu, do canal Diva Depressão, além de todas as alternativas listadas, o posicionamento da artista é o diferencial e o catalisador para uma carreira impecável - é claro, contando que em algum momento, o flop também fará parte dela. 

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Para entender ainda melhor o conceito de diva pop, em entrevista à Rolling Stone Brasil, Edu e Fih, criadores do canal no YouTube Diva Depressão, comentaram sobre as principais características das carreiras das grandes cantoras pop. 

“Diva” vem do latim divus, que significa deusa. No passado, este era o termo utilizado para se referir à cantora principal de uma ópera. Com o crescimento do pop, as artistas responsáveis por marcar o estilo musical com grandes carreiras passaram a receber o título de Divas combinados ao gênero, portanto, “divas pop”. 

Antes mesmo do termo ser ligado ao pop, outras figuras de Divas estiveram em diversos gêneros musicais. É possível apontar Billie Holiday e Ella Fitzgerald no Jazz na década de 1930. Na mesma época, Aretha Franklin e a marca inconfundível dela no Soul. Mais tarde, na década de 1950, Tina Turner no rock e enfim, nos anos 1960, Cher no pop. 

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Embora Cher tenha preparado o terreno para as Divas Pop, é com Madonna que o conceito nasce, até porque foi ela a responsável por trazer as principais características do que conhecemos como “pop farofa”, extravagância, espetáculos no palco, looks lendários, polêmica, além do posicionamento citado pelo Edu.

As apresentações ao vivo pensadas como um espetáculo, as músicas populares, hits, os clipes muito produzidos, os looks extravagantes, as eras e os hinos empoderados são características que podem - ou não - estar presentes na carreira de uma diva pop. 

Não há uma regra ou fórmula para uma artista ser tida como Diva Pop. Madonna ‘lançou’ essa tendência há muito tempo, contudo, é claro, esse estilo foi modificado, experimentado por novas cantoras, se ramificou e existem diversos “modelos” de celebridades que se encaixam no conceito. 

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Edu pontuou: "Esse conceito de Diva Pop na nossa época era muito mais fechado. A gente queria ver a diva cantar ao vivo, fazer clipe bafônico, coreografia, enfim, aquele show espetacular. Ao longo dos anos, porém, começaram a surgir muitos tipos de divas pop diferentes."

"Para nós, a Madonna é um grande exemplo de Diva Pop, porque ela faz ao vivo, tem um grande show, tem as polêmicas dos discos e ela se posiciona. O que define uma grande diva para além da música é o posicionamento. A Diva Pop usar a arte dela para se posicionar, principalmente em relação à comunidade LGBTQ+, é essencial", explicou Edu

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Visual e Espetáculo ao vivo

A mudança no visual é bem relacionado ao termo, principalmente porque é o modelo apresentado por Madonna ao revolucionar a maneira de se pensar para além da música. Se reinventar com novas combinações de sonoridade, coreografia e visual é uma proposta interessante e utilizada por muitas cantoras.

"A Madonnanão tem um disco que ela está igual a outro, tanto na música quanto no cabelo, por exemplo. Às vezes assistimos ao show dela e parece que é outra pessoa a cada turnê. A questão da sonoridade e do visual, o visual sempre acompanha a sonoridade, é uma estratégia sim para fidelizar o público, mas, ao mesmo tempo, também pode afastar outro determinado público. Até porque, por exemplo, em questão de visual, existem divas pops que não mudam de uma era para a outra como a Britney Spears e a Ariana Grande. Mas no caso da Madonna, ela conseguiu um público muito grande por conta dessas diferentes eras e funcionou tão bem que outras artistas replicaram o processo como a Katy Perry", lembrou Edu

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Possivelmente por conta da imagem das divas estarem ligadas com os looks incríveis e maquiagens icônicas, o mundo pop é associado ao da moda e, Rihanna é o principal exemplo disso com os produtos da Fenty Beauty e a linha de lingeries Savage x Fenty.

"Rihanna é extremamente icônica e todo mundo sente muita falta dela na música, principalmente porque ela sumiu há muito tempo. Por outro lado, o que ela fez no mundo da maquiagem é extremamente inovador, aquela pluralidade de tons de base é louvável. Com essa linha, ela não cai no esquecimento, porque ela se mantém em evidência por conta dos produtos", falou Edu

O espetáculo ao vivo de uma diva é muito importante para fidelizar o público, inclusive, ele é mais do que apenas a voz. Para ser completo, o show precisa de um visual interessante, looks incriveís, mensagens importantes e coreografias. Edu acredita que "é no ao vivo que a diva se mostra 100%, porque vídeos são editados."

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Ele completou: "Acredito que a voz dentro do mundo pop, na verdade, já ficou para trás há muito tempo, não penso que seja primordial. Um grande espetáculo com uma mensagem importante e uma estrutura, para mim, é bem mais bacana e interessante."


Mudança do Conceito

Certamente o conceito de diva pop que começou com Cher e foi explorado por Madonna não é mais o mesmo em 2020. Até porque, o mundo da música está em constante mudança, a internet apresenta novas propostas para os videoclipes, além do streaming e todas as novas ferramentas que permitem a artista a ser bem mais diversa e aberta às experimentações. 

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As próprias cantoras conhecidas pelo “pop farofa” se permitiram explorar novas sons que foram estranhados pelo público no qual as acompanham. Um exemplo é a Lady Gaga com os discos Art Pop (2013) e Joanne(2016) e a trilha sonora de Nasce Uma Estrela (2018). 

Essa fase mais “diferentona” pode até ser considerada um flop - oposto de um hit - por muitos. Faz parte da carreira se permitir reinventar e apostar em novos estilos, porém. Fih, inclusive, lembrou: "É no flop que a diva se mostra, e mostra quem ela é de verdade", por conta de letras mais íntimas ou sonoridades nas quais agradam mais a cantora naquele momento, e ela não havia explorado até então.

Edu complementou: "O flop faz total parte da carreira da Diva Pop. Não tem como você lançar 20 discos e os 20 darem muito certo. É questão de arriscar com coisas novas. Toda cantora tem um disco flop na carreira, só que também acho que é uma questão de tempo até esse disco ser reconhecido como um grande marco pop."

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De fato, o conceito foi se desconstruindo ao passar do tempo com experiências inéditas das próprias Divas ou a partir de novos nomes como Billie Eilish, cujo Edu comentou sobre a sonoridade contemporânea: "A Billie Eilish, como exemplo, que usa roupa larga e não tem nada a ver com a Madonna. Mas ela é considerada uma diva pop, porque tem um som super inovador e um show bacana."

Outra característica não tida mais como essencial são os espetáculos ao vivo com danças e super-produções. "A Adeleé outro grande exemplo, porque é tida como uma Diva Pop e o show dela é só ela em frente ao microfone", falou.

"Atualmente, cantoras que fazem um som mais popular já são tidas como diva pop, independente se canta, dança, muda de visual ou não. Cada uma do seu jeito, cada uma com o seu estilo, porque é aquilo: tem para todo mundo. Penso que isso é o bacana do mundo pop, tem para todo gosto", apontou o YouTuber. 

Portanto, ao notar que o conceito foi modificado com novas experimentações, é bem mais aberto e contempla a pluralidade dentro do pop, além das clássicas como Madonna, Rihanna e Lady Gaga, é possível listar Taylor Swift, Ariana Grande, Billie Eilish, Rosalía e muitas outras como Divas Pop que também estão construindo carreiras marcantes para a história do gênero. Vale reafirmar, assim, que não há uma fórmula certa ou um padrão, mas, em geral, uma característica que se repete em todas as artistas é o posicionamento. 

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Featurings e Fãs

Embora a Madonnajá tenha experimentado isso muito antes e continua até hoje, os featurings têm sido apostas para alcançar novos públicos e fãs dentro do próprio pop para permanecer em evidência. 

"A Lady Gaga, por exemplo, quando começou a lançar músicas que não agradavam o próprio público dela, como o Artpope Joanne, lançou a grande estratégia do Chromatica que além de voltar ao pop farofa, tem a questão do feat com a Blackpink, porque hoje em dia é o k-pop que comanda e foi uma estratégia muito inteligente para alcançar um público mais adolescente", afirmou Edu.

Ele também acrescentou: "Uma hora ou outra, todas as divas vão se render ao feat, como, por exemplo, convidar alguém mais jovem, porque é estratégia. Sinto que a Lady Gaga está indo para o caminho que a Madonna trilhou - de querer estar sempre em evidência e precisar de um público mais jovem para isso."

Não tem como falar de Diva Pop sem falar dos fãs. Os fandoms, também como são chamados, são um dos motores principais para manter as cantoras em alta. Para Edu "o fandom é extremamente importante e continuo acreditando que é o fandom que segura a reputação."

Fih lembrou, porém, de um ponto muito importante que deve ser mencionado. Como no mundo pop a maioria é mulher, elas são muito mais cobradas: "Tem essa cobrança de se posicionar, de ter uma música farofa, música que vire hit, e, porque um álbum deu certo, o próximo tem que dar também. Então, infelizmente existe essa cobrança e infelizmente às vezes vem do próprio fandom", completou Edu


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