“Ainda me sinto como aquele moleque de 1965”, diz Ronnie Wood

Guitarrista dos Rolling Stones revisita diário de turnê dos anos 1960 que estava perdido

Simon Vozick­ ­Levinson Publicado em 12/09/2015, às 10h23

Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones

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Antes de Ronnie Wood entrar para os Rolling Stones, ele fez nome como guitarrista do Faces e do Jeff Beck Group – e, antes disso, na adolescência, tocou em um grupo com influências de blues chamado The Birds. Wood, de 68 anos, descobriu recentemente um diário pessoal que registrou durante uma turnê com o Birds em 1965, quando tinha 17 anos. Ele o complementou com novas lembranças e ilustrações e transformou o material em um livro, How Can It Be? (sem previsão de lançamento no Brasil).

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Como eram as plateias nos shows que fazia em 1965?

Muita ênfase nas garotas. Você media o quão bem estava indo se elas gritassem. Demorávamos uma eternidade para animá­-las, às vezes. Era preciso converter essas descrentes para que elas se soltassem um pouco.

Alguns trechos do diário mencionam festas com Keith Moon. Como eram?

Ele era um tremendo encrenqueiro, mas um tremendo cavaleiro ao mesmo tempo [risos]. O Who nos encorajava muito. Uma noite, eles vieram a este bar minúsculo fora de Londres onde todas as bandas costumavam tocar. Estávamos no palco e eles ficavam gritando do meio da multidão: “Somos o número 1!” Respondemos: “Filhos da mãe!” Era uma rivalidade amigável.

Ouça “How Can It Be?”, faixa inspirada pelo livro que Ron Wood encontrou.

Você está sóbrio há cinco anos agora, mas bebia muito naquela época?

Aquele era um momento de experimentar com uísque escocês e Coca-­Cola, e conhaque. Aquilo não acabava com a gente – nem aquilo, nem todas as viagens que fazíamos na van. Se eu tivesse de fazer isso agora, provavelmente não duraria uma semana.

Você acha difícil ficar longe do álcool quando está na estrada, atualmente?

Fica mais fácil. Nos primeiros meses, pensei: “Meu Deus, como vou conseguir enfrentar isso?”, mas agora vejo tudo de um jeito diferente, e com mais clareza.

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Sua primeira turnê com os Stones foi há 40 anos. O que você pensa desse marco?

É como se o tempo não tivesse passado. Depois que você faz 30, o tempo voa mesmo. Não consigo acreditar que tenho 68 anos. Ainda me sinto como aquele moleque de 1965.