Ainda o campeão

Com vitória fulminante por nocaute técnico no segundo assalto, Anderson Silva cala o desafeto Chael Sonnen

Pablo Miyazawa Publicado em 08/07/2012, às 02h38 - Atualizado às 12h13

Anderson Silva comemora a vitória na luta contra Chael Sonnen

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Foi mais rápido do que se esperava.

Na madrugada deste domingo, 8, o lutador Anderson Silva colocou em prática as ameaças físicas que fez a Chael Sonnen ao longo dos últimos dias. No UFC 148, quase não houve chances para o adversário norte-americano: levando a sério a condição pública de “melhor atleta de MMA de todos os tempos”, Anderson não precisou de mais de dois rounds para derrubar o desafiante, conhecido pelas ofensas públicas destiladas desde que enfrentou - e perdeu para - o brasileiro pela primeira vez, em agosto de 2010.

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Minutos antes da luta, o ambiente parecia favorável ao atual campeão, detentor do recorde de permanência no título dos pesos Médios (quase seis anos, ou dez lutas) e um dos poucos lutadores ainda invictos na liga Ultimate Fighting Championship. Caminhando ao som de “What's My Name”, do rapper DMX, Anderson tinha ao lado o ator Steven Seagal, que se tornou uma espécie de talismã nas lutas recentes. A caminho da arena octogonal, Anderson chegou a ter o boné roubado por um espectador. Vestido com a camiseta do Corinthians, clube que o patrocina, o curitibano de 37 anos tinha a impressão impassível e serena. Ao seu lado, o ex-jogador Ronaldo Nazário e o empresário Marcus Buaiz engrossavam o séquito de apoiadores do brasileiro, franco-favorito da disputa do título.

A Dança Solitária de Anderson Silva: atacado por todos os lados, o lutador desliza intensamente pela vida pública e permanece como o último homem a ser batido nas arenas do planeta. Mas a meta é chegar ainda mais longe.

Exatamente às 1h25 (horário de Brasília), os lutadores se encararam, porém sem tocar luvas. O primeiro round foi marcado pela agressividade de Sonnen, que não esperou segundos antes de levar a luta ao chão. Sabendo que seria a única chance de se sair vencedor, o norte-americano tentou golpear o brasileiro com murros e cotoveladas na cabeça – da mesma forma que procedeu na primeira luta entre ambos, há dois anos. Aparentando tranquilidade, Anderson tentava controlar os movimentos de Sonnen, utilizando as pernas e se protegendo dos golpes laterais – em dado momento, avisou o árbitro que o adversário teria dado golpes na nuca, proibidos no MMA.

No segundo round, Sonnen voltou a tentar a estratégia de conduzir a briga ao solo. Anderson desta vez evitou a queda, tentando, por sua vez, levar a luta para a média distância. Antes da metade do assalto, o brasileiro já baixava a guarda, dando a entender que tentaria a finalização. Após esquivar dos golpes com rapidez, Sonnen escorregou e Anderson aproveitou para desferir uma bem colocada joelhada no rosto. O norte-americano despencou rente à parede do octógono, sem conseguir se defender. O campeão aproveitou a deixa e não poupou diretos na cabeça do desafeto, que tentou se levantar. Novamente em situação de vantagem no solo, Anderson aplicou mais uma dezena de golpes, forçando o árbitro a encerrar a luta em favor do brasileiro. Pela segunda vez na carreira, Sonnen caía diante de Silva, desta vez, por nocaute técnico.

Apesar da guerra de nervos estabelecida pelos dois antagonistas nos últimos dias, a luta mais badalada da história do MMA não rendeu cenas de massacre sangrento dignas dos filmes de terror. Para quem temia presenciar uma disputa excessivamente violenta e pessoal, o desfecho não poderia ser mais “esportivo”.

Vitorioso, com um sorriso ofegante, Anderson agradeceu, em inglês: “Senhoras e senhores. Esse esporte é o melhor do mundo”.

Em seguida, pediu um segundo ao público e abraçou um impassível Sonnen. “Vamos mostrar que no Brasil também tem gente educada”, falou, se dirigindo à multidão de brasileiros ao redor da arena. “Vamos aplaudir o cara também.” Em seguida, se voltou ao derrotado, em português claro: “Obrigado pela luta. Quando você quiser fazer um churrasco lá em casa, eu te convido”.

Já fora do ringue, exibindo o cinturão de que é dono desde 2006, Anderson Silva finalizou como lhe é de costume – ufanista e descontraído –, mas sem esconder o alívio pela superação da mais importante luta de toda sua carreira até o momento: “Eu tinha a responsabilidade grande de honrar o Brasil”, disse. “Nunca serão, jamais serão. Agora é férias.”