Além de Juntos e Shallow Now: 11 clássicos do rock que têm versões em português

Só o brasileiro para transformar "Psycho Killer" em uma música alegre. "Run, run, run away" virou "Vamo, vamo, vamo mexer" em português

Yolanda Reis Publicado em 18/05/2019, às 18h00

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Capa de disco de Markinhos Moura (Foto: Divulgação / Copacabana) e John Lennon e Yoko Ono (Foto: AP)

Nesta semana, Paula Fernandes e Luan Santana lançaram “Juntos, uma versão brasileira e em português de Shallow”, dueto de Lady Gaga e Bradley Cooper para o filme Nasce Uma Estrela, de 2018.

A canção rendeu Oscar e Globo de Ouro para a diva pop internacional, além de diversos outros prêmios. Gaga autorizou que Paula fizesse um cover oficial.

A música e seu refrão, “juntos e shallow now”, ganhou repercussão na internet e rapidamente virou um meme. Quanto à aceitação, é bem dividida: alguns gostaram, outros acharam engraçada.

Mas Paula e Santana não foram a primeira dupla a fazerem um cover em português para uma música de sucesso e ganharem notoridades. Faixas como “Astronauta de Mármore” de Nenhum de Nós, um cover de “Starman” do David Bowie, ou “Não Chore Mais” de Gilberto Gil, cover de “No Woman No Cry”, do Bob Marley, são bem conhecidas pelo público.

O rock parece ser o gênero favorito para covers, principalmente quando são transformadas em outros estilos, como sertanejo ou forró.

Nós separamos 11 versões brasileiras de sucessos de rock. Veja:

Então Se Joga, Henrique Costa (Psycho Killer, Talking Heads)

Em uma mistura de eletrônico, pop e sertanejo unversitário, Costa aproveitou só o ritmo e o “fa fa fa fa” da música original. A música foi feita em 2013, 36 anos depois da original. A história sobre um assassino virou uma música para chamar para festas. E destaque para o “run, run away”. Agora é “vamo, vamo mexer”.

Original: “Parece que não consigo encarar os fatos. Eu estou tenso e nervoso e não consigo relaxar. Não consigo dormir porque minha cama está pegando fogo. Não me toque, eu sou um arame farpado vivo”

Versão Brasileira: “A noite tudo pode acontecer. Traz a tequila pra ela enlouquecer. Um black, um red, um blue e fica no grau, se bebe tudo elas liberam geral”

Surf É o Que Eu Sei, Juba e Lula (Surfin’ USA, The Beach Boys)

Original: “Se todo mundo tivesse um oceano em todos os Estados Unidos, então todo mundo estaria surfando, como  na Califórnia. Você os veria usando calções e sandálias da Huarachi, e um penteado loiro e bagunçado. Surfando nos Estados Unidos.”

Versão Brasileira: “Eu vou fugir da escola, um zero nunca tirei. Meu professor tá de folga e eu sempre me esforcei. Até entendo de história e saco português, mas quando chego na praia, surf é o que eu sei”

Batendo Na Porta do Céu, Zé Ramalho (Knockin’ On Heaven’s Door, Bob Dylan)

O cover tem uma tradução quase literal da versão original. A faixa faz parte do disco Zé Ramalho Canta Bob Dylan - Tá Tudo Mudando, de 2008. Todo o álbum foi composto por covers, todos bem parecidos com o trabalho inicial. Mas é difícil não dar nem um sorrisinho com o “bate, bate, bate” do refrão.

Original: “Mamãe, tire este distintivo de mim, eu não posso mais usá-lo. Está ficando escuro demais para enxergar, e parece que estou batendo na porta do céu”

Versão Brasileira:” Mãe, tire o distintivo de mim que eu não posso mais usá-lo. Está escuro demais pra ver, me sinto até batendo na porta do céu”

Furacão, Cida Moreira (Hurricane, Bob Dylan)

Cida tentou transformar a música de Dylan em um pop bem moderno. Ou pelo menos o moderno de 1986, ano da gravação. A letra segue a proposta original, uma crítica à prisão injusta de um boxeador negro.

Original: “Enquanto isso, muito longe, em outra parte da cidade, Rubin Carter [o boxeador] e dois amigos dirigiam por aí. Lutador número um na categoria peso médio, e não fazia ideia da merda que estava prestes a acontecer”.

Versão Brasileira: “E no meio desta noite lá pros lados do mercado Ruy Pancada circulava com dois caras da pesada. Ele, uma promessa de ser grande boxeur, não tinha idéia da grande merda que estava pra pintar”

Ciúme de Rapaz, Markinhos de Moura (Jealous Guy, John Lennon)

O som dos pianos trocados pelos sintetizadores não deixa dúvida: Markinhos ia mudar bastante a proposta original do ex-Beatle. A letra é quase igual, mas a poesia parece perder-se.

Original: “Eu tentava capturar seu olhar, e pensei que você tentava esconder. Eu engolia minha dor, e não queria te magoar. Desculpe por ter feito você chorar, eu sou só um cara ciumento.”

Versão Brasileira: “Procurava por teus olhos, bem na frente dos meu olhos. Inventei a minha dor, eu criei a minha dor. Eu só falei bobagens, até que eu fiz você chorar. Jamais pensei que eu fosse capaz. Ciúme de rapaz, ciúme e nada mais”

Marvin, Titãs (Patches, Clarence Carter)

Os Titãs fizeram uma versão mais puxada para o rock do que o blues de Clarence Carter, mas ambas as letras são bem parecidas e mostram a desigualdade social e a vida difícil de dois garotos da roça.

Original: “Meu pai era um velhinho incrível. Posso vê-lo com uma enxada na mão. Sabe, ele nunca teve educação, mas ele fazia coisas incríveis quando as coisas ficavam ruins. O pouco de dinheiro que ele fazia nas colheitas mal pagavam as contas que tínhamos”

Versão Brasileira: “Meu pai não tinha educação, ainda me lembro, era um grande coração. Ganhava a vida com muito suor e mesmo assim não podia ser pior. Pouco dinheiro pra poder pagar todas as contas e despesas do lar”

Se A Gente Se Entender, Angélica (Linger, The Cranberries)

O grande sucesso de Angélica no quesito "cover" é “Vou de Táxi”, letra na qual ela transformou “Joe, o taxista, essa é sua vida” e “Vou de táxi, ‘cê sabe”. Mas outra música digna de nota é a das Cranberries. O clipe em tons de brancos e azul é a cara do início dos anos 2000,  e traz uma versão melosa de uma música que era, originalmente, sobre um relacionamento abusivo.

Original: “Mas é a sua atitude. Está me destruindo, me arruinando todos os dias. Eu jurei que seria sincera, e cara, você também. Então por que está segurando a mão dela? Vamos ficar assim? Você estava mentindo? Eu era só uma brincadeira?”

Versão Brasileira: “É só mais um dilema, mais uma confusão para me enlouquecer. Não é tão importante e você também passou por isso, mas essa é minha vida e nada é igual. O mundo já mudou e eu mudei também”

Solange, Leo Jaime (So Lonely, The Police)

A música surgiu em 1985 em plena ditadura militar do Brasil, e era uma crítica direta à Solange Hernandes, chefe do DCDP, órgão que censurava músicas.

Original: “Alguém me disse ontem que quando você abre mão do amor você age como se não ligasse, e parece que você tem um objetivo, mas eu não consigo me convencer, não poderia viver com mais ninguém. Eu só consigo viver esse papel, e sentar e cuidar do meu coração partido. Tão solitário”

Versão Brasileira: “Eu tinha tanto pra dizer, metade eu tive que esquecer. E quando eu tento escrever seu nome vem me interromper. Eu tento me esparramar e você quer me esconder. Eu já não posso nem cantar, meus dentes rangem por você, Solange”

Triste Mas Eu Não Me Queixo, O Surto. (Californication, Red Hot Chili Peppers)

O Surto foi uma das bandas a se apresentarem no Rock in Rio 2001. E foi lá que apresentaram esse cover icônico.

Original: “Espiões videntes chineses tentam roubar a alegria da sua mente. Garotinhas da Suécia sonham com trechos da tela prateada. E se você quer esses tipos de sonhos, isso é Californication.  Esta é a beira do mundo e de toda a civilização ocidental. O sol pode nascer no leste, pelo menos ele se põe num local final. Entende-se que Hollywood vende Californication”

Versão Brasileira: “Minha vida é uma desgraça, vou lhe contar um trecho. Cai da bicicleta e lasquei os ovos no eixo. É tanta coisa ruim comigo, mas eu não me queixo. Eu fui apartar a briga e levei um murrão nos queixo. Entraram na minha casa e roubaram meu PlayStation. É tanta coisa ruim comigo, mas eu não me queixo”

Por Que Eu Te Amo, Calcinha Preta (In the Name of Love, U2)

 

As guitarras rasgando no início da música deixam clara a inspiração. Mas logo, logo, entra o ritmo do forró.

Original: “Se eu te dissesse que isso só machucaria, se te avisasse que vai pegar fogo, você entraria? Você me deixaria começar? Faça isso em nome do amor. Você deixaria eu te guiar quando estivesse cega, no escuro, no meio da noite, no silêncio, quando não tivesse ninguém com você. Você ligaria em nome do amor?”

Versão Brasileira: “O seu nome você me falou. Nem sequer me olhou. Nem deu chance de se aproximar. Nem sei pra onde você foi. E por que eu te amo? Porque eu perdi você. Nem meu nome você quis saber. Nem fingiu me ver. Não deu bola, você nem me quis, foi embora e me deixou aqui”

Se Você não Valorizar, Aviões do Forró (Umbrella, Rihanna)

A música da Rihanna esteve entre as 10 mais tocadas de 2008, seu ano de lançamento, e ganhou muitos e muitos covers mundo afora. Mas aqui no Brasil, sem dúvidas, a versão forró foi a que mais fez sucesso. Embora a original não seja rock, “Se Você Não Valorizar” merece uma menção honrosa.

Original: “Quando o sol brilhar, brilharemos junto. Te disse que estaria aqui para sempre, disse que sempre seria sua amiga, e o que eu jurei eu vou cumprir até o fim. Agora está chovendo mais do que nunca, saiba que ainda teremos um ao outro. Você pode ficar sob meu guarda-chuva”

Versão Brasileira:” Você esnobou meus sentimentos depois voltou com seus lamentos, mas agora vi que não valia a pena te amar tanto assim porque toda vez que eu te aceitava você vinha e aprontava. Só eu sei o que passei, sofri calada. Vai me perder se não valorizar” 

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