Alex James, do Blur, diz que o “espírito independente” da música morreu

Produtor de queijos, o baixista afirma que tal sentimento foi transferido para a alimentação

Redação Publicado em 19/10/2015, às 14h27 - Atualizado às 16h15

Alex James, baixista do Blur

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Para Alex James, baixista do Blur, o “espírito independente” da música morreu. E, no entendimento dele, esse sentimento figura dentre as atuais ideias da indústria de alimentos. O músico, que também é proprietário de uma fazenda que produz queijos em Oxfordshire, aproveitou a colocação para traçar uma ponte entre os dois mundos que o interessam.

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“A cultura da música independente com a qual eu cresci está desaparecendo. Todas as bandas que gostava de ouvir quando estava na escola, como Gay Bykers on Acid, já não existem mais”, justificou o músico ao Daily Express.

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“Os grupos pequenos estão desaparecendo, mas você pode fazer um picles de cebola na própria garagem. Ninguém mais usa a garagem para ter uma banda. Além disso, você pode vender o que produz. Há espaço para produtos artesanais”, continuou James. “Esse sentimento de independência hoje vive na alimentação”, justificou o baixista britânico.

O músico ainda comentou o atual cenário da indústria alimentícia: “Tive muita sorte. Essa discussão sobre comida só ganhou força no Reino Unido na última década. Ligue a televisão. Antigamente tudo era sobre música, mas hoje os programas são sobre comida”.

Em 2015, o James esteve envolvido no novo disco do Blur, The Magic Whip, o primeiro da banda em 12 anos. O trabalho anterior do grupo, Think Tank, foi lançado em 2003. Este é, ainda, o primeiro CD do grupo com o guitarrista Graham Coxon desde 13, de 1999.

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As gravações aconteceram nos estúdios Avon, em Hong Kong, ao longo de cinco dias, logo depois da turnê Spring 2013 ter sido cancelada. “Não tínhamos muito (equipamento). Foi como nos tempos em que começamos a gravar nossas primeiras coisas”, disse Damon Albarn no anúncio do álbum.

A cidade de Hong Kong serviu como inspiração para trabalho, o que pode ser visto, por exemplo, nas duas palavras que estampam a capa (acima) do disco, “Blur” e “The Magic Whip”, em letras do alfabeto chinês. O anúncio, aliás, foi feito justamente no Ano Novo chinês.