'Alguém sempre quer ser um ditador,' diz Steve Hackett sobre saída do Genesis

Steve Hackett relembrou as desavenças entre os integrantes do Genesis e os motivos de ter deixado o grupo em 1977

Redação Publicado em 06/07/2021, às 19h12

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Steve Hackett (Foto: Jo Hale/Getty Images)

Em nova biografia, Steve Hackett relembrou as razões as quais o levaram a sair do Genesis em 1977. De acordo com Ultimate Classic Rock, o músico explicou no livro Genesis 1975 - 2021: The Phil Collins Years (2021) como queria participar de novos projetos e não teve apoio do tecladista Tony Banks.

"Tony falou que eu não poderia fazer mais álbuns solo e continuar um integrante do Genesis," disse em trecho publicado pelo Prog. "Tony estava assumindo a liderança naquele ponto e Mike estava o apoiando, então não havia garantia de uma proporção das composições ser divida igualmente. Tony disse: 'Se você não gosta, sabe o que pode fazer.'"

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Hackett estava na banda desde 1971 e participou de seis discos e um EP do grupo. Apesar de se sentir confiante com as letras, explicou como os outros músicos não receberam muito bem as novas ideias. "Os integrantes de um grupo não deveriam competir uns com os outros, você deveria tentar trazer o melhor de todos," disse ao escritor Mario Giammetti no livro.

"Se trabalho em um álbum solo para outra pessoa, independente de quem for, faço o que eles querem. Se Tchaikovsky me pedir para fazer um solo de guitarra, bom, ele é o chefe... Mas em um grupo não deveria ser assim. Mas alguém sempre quer ser o ditador," explicou.

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O guitarrista falou como "não estava conseguindo o que [ele] pensava que precisava" em relação aos créditos das composições, apesar de "fornecer muito material para a banda" naquela época. 

"Tinha conseguido um álbum de sucesso sozinho, então precisava ser respeitado como compositor, e não estava recebendo isso de Mike e Tony," disse. "A intenção deles sempre foi comandar a banda. Pete, quem foi uma parte extremamente importante da banda, sempre quis uma democracia, assim como Anthony Phillips."

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"Democracia em bandas é o ideal, mas raramente funciona na prática porque para conquistá-la você precisa reconhecer todos como tão talentosos quanto você, e isso é difícil para certas pessoas," explicou.

Hackett queria trabalhar com outros músicos e estava pronto para seguir o próprio caminho. "Tem uma voz que diz para você ver quando está a altura e quando não está," disse. Desde então, segue em carreira solo e o 27º disco, Surrender of Silence, tem previsão de lançamento em 10 de setembro.

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