Ali Campbell, ex-UB40, se diz satisfeito com a saída do grupo: “Gravar agora é mais fácil”

“O UB40 era uma boa banda, mas não eram grandes instrumentistas”, provoca o cantor

Lucas Reginato Publicado em 09/10/2012, às 11h28 - Atualizado às 11h28

Ali Campbell
Divulgação

É um desafio vivido por diversos nomes na história recente da música. O vocalista decide encarar carreira solo e, de repente, se vê em grande dificuldade para se livrar da alcunha de “ex-alguma coisa”. Ali Campbell, ex-UB40, é um deles. Após 28 anos a frente de uma banda com sucesso nas décadas passadas, ele tenta recuperar o rumo com seu trabalho próprio.

“Eu dei início ao UB40 em 1979 para promover o reggae e fiz 24 álbuns com eles”, lembra. Mas divergências comerciais fizeram Campbell deixar a banda, que cada vez mais fugia do reggae que o músico queria fazer. “Sou um fanático por reggae”, confirma. Por isso foi em busca de uma nova banda para, desta vez sob seu próprio nome, continuar fazendo aquilo que ama.

Campbell, embora tenha ficado escondido no UB40 por tantos anos, tem como trunfo uma grande e conhecida voz que ele afirma não prezar demasiadamente. “Não tenho nenhum cuidado especial com minha voz, fumo maconha 24 horas por dia, talvez por isso ela tenha ficado mais grave e rouca com o tempo”, brinca.

Ele encontrou nos músicos da Depp Band os parceiros para a nova empreitada, que já chega a seu terceiro álbum. “Gravar agora é mais fácil. O UB40 era uma boa banda, mas não eram grandes instrumentistas, e o trabalho era mais difícil. Eu considero a Depp Band a melhor banda de reggae do mundo.” E mesmo que tenha deixado sua antiga banda de lado, conseguiu em seu mais recente trabalho voltar às listas de mais vendidos do Reino Unido.

Great British Songs é uma coletânea de canções britânicas das décadas de 60 e 70 que ganharam uma versão em reggae. “Fiz uma versão de ‘Purple Rain’ em reggae e ficou bom, para minha surpresa. Então comecei a pensar: ‘o que mais poderia ser regravado em reggae?’”. The Hollies, Beatles e Rolling Stones são algumas das bandas que foram homenageadas desta forma. “Na verdade, são canções que eu nunca ouviria. Eu fiz por diversão, gravamos em seis dias – era uma brincadeira que acabou entrando nas listas de mais vendidos.”

Regravar sucessos, além de garantir pelo menos a curiosidade dos ouvintes, também facilita, segundo ele, a aproximação do público em seus shows. “A beleza de você fazer um álbum de clássicos é que as pessoas podem achar estranhas as versões em reggae, mas todo mundo sempre vai conhecer”. E em suas apresentações ele não deixa de lado os sucessos alcançados com sua antiga banda. “Não sou egoísta, sei que as pessoas que vão aos meus shows querem ver o Ali Campbell cantando músicas do UB40 como ‘Can't Help Falling in Love’, ‘Red Red Wine’, ‘Kingston Town’.”

Novas regravações deverão também estar presentes em seu novo trabalho, que tinha sido batizado como Rhythm Method, mas teve título alterado para algum outro ainda não definido pelo músico. “Vamos ter mais ou menos metade de faixas novas e metade de covers. Ainda estou escrevendo e vamos gravar nas últimas duas semanas de dezembro.”, revela.

Ali Campbell faz três shows no Brasil – em São Paulo, em Recife e em Fortaleza, onde será uma das atrações do Ceará Music.

Ali Campbell em São Paulo

Quarta, dia 10 de outubro, às 21h30

Espaço das Américas – Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda

Ingressos: de R$80 a R$300

Onde comprar: vendas online