Análise: após anos de guerra e assassinatos, até os vencedores de Game of Thrones estão pagando o preço

Quarta temporada da série baseada nos livros de George R. R. Martin chega aos televisores brasileiros em 6 de abril, mesma data de estreia dos Estados Unidos

Rob Sheffield Publicado em 31/03/2014, às 09h51 - Atualizado às 20h19

Game of Thrones - Daenerys Targaryen
Reprodução / Vídeo

Atenção, pode haver spoilers da terceira temporada

“Um brinde às crianças Lannister”, diz Tyrion Lannister, levantando o copo. “O anão, o aleijado e a mãe da loucura”. Sim, vamos brindar a esses nojentos. Neste retorno para a quarta temporada de Game of Thrones, os Lannisters podem estar oficialmente vencendo a guerra em Westeros, mas o Trono de Ferro continua destruindo a família que o ocupa. Basta olhar para eles: Tyrion perdeu o companheiro/guarda-costas; Jamie perdeu a mão que segurava a espada; e Cersei é mãe de um rei que fica mais louco a cada dia.

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Não existe um trio de filhos tão disfuncionais desde que a família Drummond dominava o mundo na série Diff'rent Strokes (no SBT, a série era chamada Arnold). Você quase sente dó dos garotos Lannister, exceto que eles todos têm sangue nas mãos. Desde o início, Game of Thrones mostrou seu charme narrativo dos efeitos corrosivos da política – a ideia básica de que o poder sempre transforma as pessoas em monstros. E não ter poder fazem dela o café da manhã dos monstros. Em todas as lutas sangrentas, nunca tivemos um competidor que merecesse a vitória, ou que faria de Westeros um lugar melhor para todos.

Este tom político cínico faz de Game of Thrones bastante realista, apesar de acontecer em um mundo fantasioso. Também faz da série uma fonte de influências – para citar o mais bem-sucedido exemplo, House of Cards apenas troca a luta de poder de Westeros por Washington, mesmo que pareça mais leve e sentimental em comparação com a série da HBO. Outros dramas que se passam na capital norte-americana, de The Americans a Scandal, tiveram que entrar nesta onda de Game of Thrones de tramas sem esperança, sem heróis, sem futuros promissores.”

Uma das cenas que capturam a essência violenta de acabar com os inimigos, um vilão acerta uma flecha em um daqueles que conspiravam com ele. “Dinheiro compra o silêncio de um homem por um tempo”, disse ele. “Uma flecha no coração o compra para sempre.”

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A terceira temporada foi a melhor de todas até aqui, chegando ao clímax com o choque horrível do evento que ficou conhecido como Casamento Vermelho, no qual a maior parte dos personagens mais agradáveis foram assassinados. De fato, o único postulante ao trono que sobrou que parece ter alguma consciência é Daenerys Targaryen – grande problema é que ela está do outro lado do mundo.

Neste momento, Dany parece ser uma espécie de Dorothy, de O Mágico de Oz - a mocinha acompanhada de três companheiros que se atropelam para tentar agradá-la no caminho pela estrada (sem tijolos amarelos, ok?). E ela também mostra ter certo apreço pela nossa moda dos anos 1980: vestidos turquesa de veludo, jeans clareados, botas acima dos tornozelos de fazer inveja aos protagonistas de Flashdance. É definitivamente muito mais impressionante ver a Mãe dos Dragões vestida como se tivesse saído de um videoclipe do Journey. “Don’t stop Believin’”, Dany, como já diz o hit da banda!

“Um homem tem um código”, diz o personagem Cão de Caça nesta nova temporada, citando Omar, da série The Wire (de quem é a senha que ele está usando para acessar o HBO Go?). Mas qual código é este? Enquanto a pilha de corpos não para de aumentar, Westeros se torna mais sombria e uma terra na qual não há honra entre ladrões, reis ou soldados.

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“Que guerreiro corajoso você é. Atacando um homem com a guarda baixa”, reclama um soldado. O antagonista responde: “É o melhor momento para atacar um homem.” Este é o código de honra de Game of Thrones - exceto que com isso, todos os personagens perdem, mesmo os vencedores. Os Lannisters continuam conseguindo vitória após vitória, mas, mesmo assim, encostar a cabeça no travesseiro para descansar não é nada fácil. Não importa quem você seja, ou quantas batalhas você venceu, nunca parece ser suficiente para escapar de ter a garganta cortada.

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