Detona Ralph emula nostalgia em fãs de videogames

Trama da animação da Disney segue os passos de um vilão dos games que tenta ser reconhecido pelo seu trabalho

Pedro Antunes Publicado em 04/01/2013, às 11h53 - Atualizado às 18h41

Detona Ralph
Divulgação

Em uma mesma sala, vilões como Bowser (de Super Mario), o ninja Sub-Zero (Mortal Kombat), o fantasma laranja (Pac-Man), M. Bison e Zangief (Street Fighter), entre outros. Para quem está habituado com o universo dos videogames, o encontro poderia significar o fim da humanidade, destruição do planeta, até da Via Láctea. Mas tudo não passa de um encontro de autoajuda, quase como um A.A. (Alcoólicos Anônimos) para esses tipos costumeiramente desagradáveis de se derrotar nos games. Eles estão ali para desabafar com outros de sua classe, dividir seus problemas e, juntos, encontrarem soluções e motivações para seguir a sina deles: ser objeto de raiva e desgosto dentro e fora dos jogos eletrônicos.

Entrevista: equipe de animadores de Detona Ralph precisou voltar a se adaptar aos 8 bits.

E dentre eles está Detona Ralph (dublado aqui por Tiago Abravanel), que dá nome à nova animação da Disney, que estreia no Brasil nesta sexta-feira, 4. Assim como os outros, Ralph quer encontrar um objetivo para sua vida de vilão dos games. Mais do que isso, quer o que qualquer trabalhador deseja, ter seu esforço reconhecido e, quem sabe, até receber um elogio vez ou outra.

Ralph está passando por uma espécie de crise da meia-idade, desajustado no mundo onde vive – e convenhamos, vilões não são muito queridos. No seu jogo Fix-It Felix, ele é responsável por destruir um prédio, enquanto o jogador controla o tal Felix. Os moradores do prédio, obviamente, idolatram Felix tanto quanto repudiam Ralph. A relação tensa se agrava quando o jogo comemora 30 anos, todos fazem uma festa e o protagonista do filme não é convidado.

E aí tem início uma jornada que levará os gamers da velha-guarda por uma viagem nostálgica e divertida através de referências mil de videogames. Personagens conhecidos pipocam pela tela ou interagem com Ralph, transformando a trama central em algo menos cativante do que procurar por esses outros seres digitais.

É preciso elogiar o esmero da equipe do brasileiro Renato dos Anjos, supervisor de animação do filme, em produzir três grandes cenários pelos quais Ralph passa durante a sua jornada de autoconhecimento e aceitação. No seu jogo, tudo imita os velhos games de 8 Bits, com movimentação limitada (frente, trás, direita e esquerda) e música precária. Depois ele passa por um jogo de tiro em primeira pessoa de última geração, chamado Hero’s Duty, onde tudo é detalhado e realista. Por fim, Ralph chega ao Sugar Rush, um game de corrida em um mundo feito inteiramente por doces.

É lá que ele conhece a pequena Vanellope von Schweetz (dublada por Marimoon) – uma espécie de reboot de Boo, de Monstros S.A.. Ela também não se adapta ao espaço onde vive. Por mais que demore, os dois personagens se juntam com esse mesmo objetivo.

Mas em Sugar Rush, o filme perde o embalo – como quando ficamos encalhados em uma fase difícil no videogame, sabe? Ralph é preso ao mundo colorido de Vanelloppe e a animação foge de tudo aquilo que era mais instigante – as referências e os questionamentos – e se torna uma história comum de aventura da dupla, como mais uma animação infantil. Detona Ralph perde parte do seu encanto dessa metade para frente e patina desgovernado no lugar-comum até encontrar o rumo, de novo, nos minutos finais.

O filme mergulha no limbo da indecisão do diretor e roteirista Rich Moore (Simpsons e Futurama): uma primeira metade recheada de referências ideais para os adultos, e uma segunda infantil e colorida. Mesmo assim, parece ser difícil sair do cinema sem um sorrido no rosto e uma vontade de procurar no fundo do armário aquele videogame antigo e aposentado.

Assista abaixo ao trailer de Detona Ralph: