Anticorpos contra o coronavírus duram até 3 meses, diz pesquisa

O estudo oferece uma "nota de cautela" contra a ideia de "certificado de imunidade" para quem já foi infectado

Redação Publicado em 19/06/2020, às 09h27

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Coronavírus (Foto: CC0/TMaxImumge)

Segundo o The New York Times, um estudo norte-americano publicado na última quinta, 18, no jornal Nature Medicine revela que os anticorpos produzidos em resposta ao novo coronavírus duram somente de 2 a 3 meses, também em pessoas assintomáticas.

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Os resultados não indicam, necessariamente, que essas pessoas podem ser infectadas mais de uma vez, como alertaram os especialistas, pois baixos níveis de anticorpos neutralizantes ainda são protetores. No entanto, oferecem uma nota de cautela contra os "certificados de imunidade" para as pessoas que se recuperaram da COVID-19.

Para o estudo, os pesquisadores compararam 37 pessoas assintomáticas com 37 pessoas que apresentavam sintomas no distrito de Wanzhou, na China, descobrindo que pessoas assintomáticas têm uma resposta mais fraca ao vírus so que aquelas que desenvolvem sintomas.

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O tamanho da amostra é pequeno, no entanto, e os pesquisadores não levaram em consideração a proteção oferecida pelas células imunológicas que podem combater o vírus por si próprias. Além das Células T, que podem matar o vírus, as pessoas infectadas produzem as chamadas Células B de memória, que produzem mais anticorpos quando necessário.

"Se [as células] encontrarem o vírus novamente, elas se lembram e começam a produzir anticorpos muito, muito rapidamente", disse Florian Krammer, virologista da Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai.

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Um segundo artigo, também publicado na última quinta, 18, no jornal Nature Medicine, sugere que pessoas assintomáticas espalham vírus quando infectadas - e o fazem por mais tempo do que aquelas que apresentam sintomas. A descoberta é interessante porque, na verdade, "pode indicar que esses pacientes assintomáticos são realmente capazes de transmitir o coronavírus", disse Angela Rasmussen, virologista da Universidade de Columbia.

Mas ela e outros especialistas observam que não está claro se o vírus espalhado por pessoas assintomáticas é capaz de infectar outras pessoas. "É importante saber se eles estão eliminando vírus infecciosos ou apenas restos do vírus", disse Akiko Iwasaki, imunologista viral da Universidade de Yale.

 

 


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