Apenas 17% das 100 música mais ouvidas foram feitas por mulheres, aponta pesquisa

Das 1.064 pessoas indicadas às categorias de destaque do Grammy, entre 2013 e 2019, 89,6% são homens

Rolling Stone EUA Publicado em 05/02/2019, às 18h07

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Nicki Minaj (Foto:Reprodução)

A pesquisa que busca mapear o envolvimento e a presença de homens e mulheres na indústria fonográfica sofre de algo que podemos chamar de “déjà vu crônico". Nesta terça, 5, a USC (University of Southern California), responsável pela iniciativa, compartilhou os resulados mais recentes, e evidenciou a desigualdade que ainda existe no meio.

A instituição faz duas contagens: uma referente à primeira metade do ano, outra sobre a última metade. A mais recente revelou que, na Billboard Hot 100, lista que mostra as músicas mais tocadas, de 2018, apenas 1 a cada 16 músicas foram feitas por mulheres. Ou seja, apenas 17% de toda a lista. 

Esse número diminui ainda mais quando a ótica muda para analisar os responsáveis pela produção dos hits.

Entre os anos de 2012 e 2018, e levando em consideração o top 100 de cada um dos sete anos (resultando em uma análise de 700 músicas), o estudo mostrou que o número de cantoras, compositoras e produtoras presentes é assustadoramente baixo. No campo de compositores, as mulheres somam um total de 12,3%, e entre podutores apenas 2,1%.

Das 1.064 pessoas que foram indicadas às categorias de destaque do Grammy no período entre 2013 e 2019, homens compõe a parcela esmagadora de 89,6%. Além disso, uma entrevista com 75 compositoras e produtoras revelou que 43% delas sentiu que suas habilidades foram menosprezadas e 39% diz ter sofrido com estereótipos e sexualização. 

Stacy Smith, uma das autoras do estudo e fundadora do instituto responsável, disse à Rolling Stone EUA que todos esses dados destacam que “ser uma mulher é, por si só, uma barreira que impede a navegação” das artitas no espaço musical, além de ainda se mostrar por vezes perigoso para elas.

Stacy contou também que, junto com sua equipe, pretende expandir em 2019 o campo abrangido pelo relatório, para abordar também empresárias e assessoras de imprensa. Isso permitiria entender melhor como proporcionar igualdade desde a raíz de tudo.