Após batalha contra câncer, guitarrista do Surfer Blood morre aos 27 anos

Thomas Fekete revelou que sofria com um tipo raro e agressivo da doença no ano passado

Rolling Stone EUA Publicado em 31/05/2016, às 13h32 - Atualizado às 13h45

O guitarrista Thomas Fekete, do Surfer Blood.

Ver Galeria
(3 imagens)

O guitarrista do Surfer Blood, Thomas Fekete, morreu na última segunda, 30, após batalhar contra um raro e agressivo tipo de câncer. A informação foi dada pela esposa dele, Jess, que escreveu uma postagem na página do músico no GoFundMe, que funcionava para ajudar a cobrir as despesas médicas dele. Fekete tinha 27 anos.

“Ainda que seu corpo tenha falhado, sua mente e seu espírito continuaram firmes”, escreveu Jess. “Não houve um dia em que não estivemos cheios de esperança. Não houve um dia em que ele chegou a considerar jogar a toalha. Ele era esse feixe de luz bondoso, engraçado, corajoso e magnético, que vocês conheceram, até o último suspiro”. Ela acrescentou: “Agora, meu anjo, vá encontrar Bowie e tocar com ele.”

LEIA TAMBÉM

[Aquivo] Fekete lançou álbum lo-fi para financiar tratamento de câncer

[Entrevista] O Surfer Blood tocou em São Paulo e Porto Alegre em 2013

[Galeria] Veja fotos do show do Surfer Blood em São Paulo, em 2013

Fekete revelou aos fãs que tinha câncer em abril de 2015, quando ele foi forçado a abandonar uma turnê do Surfer Blood. O guitarrista escreveu que havia passado por uma grande cirurgia para remover um tumor do abdômen, mas os médicos descobriram que o câncer havia se espalhado pelos pulmões e pela coluna.

Apesar de ser submetido a cirurgias e quimioterapia extensiva, Fekete continuou a fazer músicas, lançando – exclusivamente em fita cassete – o LP Burner, em dezembro do ano passado. “Em alguma época entre março e junho de 2015, enquanto eu me recuperava de duas cirurgias e começava a quimioterapia, debrucei-me sobre meu gravador de quatro canais e criei este desastre”, escreveu o guitarrista na ocasião, em comunicado. “Sem muitos takes, sem microfones caros, sem direcionamento exterior... apenas eu no meu quarto com um equipamento barato e limitado.”

Todo o lucro obtido com o álbum ajudou Fekete a custear o tratamento dele. Em maio do ano passado, o Surfer Blood fez uma série de shows beneficentes para angariar dinheiro para os tratamentos “alternativos” de Fekete. Entretanto, os lucros obtidos com as apresentações foram roubados quando a van de turnê da banda quebrou em Chicago, nos Estados Unidos.

Outras bandas, contudo, também chegaram a intervir e ajudar Fekete, entre elas Yo La Tengo, Guided By Voices, Cults e Real Estate, que contribuíram com músicas inéditas, demos e faixas ao vivo para uma compilação vendida na página do GoFundMe.

Cofundadores do Surfer Blood, John Paul Pitts e Tyler Schwarz conheceram Fekete e o baixista Brian Black em uma festa posterior ao Ultra Music Festival, em Miami. A banda da Flórida então começou um regime de turnês e gravações em sequência, fazendo o disco de estreia, Astro Coast (2010), no apartamento de Pitts na Florida Atlantic University.

Puxado pelo single “Swim”, Astro Coast estabeleceu o Surfer Blood como uma das bandas contemporâneas que revitalizaram o indie rock dos anos 1990. O grupo ainda lançou um EP – Tarot Classic, em 2011 –, o segundo – Pythons, de 2013 – e o terceiro – 1000 Palms, de 2015 – disco.

Jess Fekete fará uma celebração da vida de Thomas na praia da região de South Florida na primeira semana de julho. Mais detalhes serão divulgados em breve, e o evento será aberto a “todos que tiverem Thomas em seus corações.”