Após recorde de mortes por Covid-19, Bolsonaro anuncia: ‘Não vai ter lockdown nacional’

O presidente também voltou a defender "tratamento precoce", cuja eficácia não é comprovada contra a Covid-19

Redação Publicado em 07/04/2021, às 16h26

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Jair Bolsonaro (Foto: Andressa Anholete / Getty Images)

Na última terça, 6 de abril, o Brasil registrou o número recorde de 4,2 mil mortes por Covid-19 em 24 horas. Contudo, nesta quarta, 7, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar medidas restritivas e afirmou que “não vai ter lockdown nacional”. As informações são do G1.

Durante visita à cidade de Chapecó, em Santa Catarina, o presidente declarou, novamente, ser contrário à restrição de circulação de pessoas, medida defendida por autoridades sanitárias para enfrentar o avanço da pandemia de Covid-19.

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"Seria muito mais fácil a gente ficar quieto, se acomodar, não tocar nesse assunto, ou atender, como alguns querem, que eu posso fazer, o lockdown nacional. Não vai ter lockdown nacional," disse Bolsonaro.

O presidente também falou sobre a necessidade de buscar “alternativas” para as medidas: “Não vamos aceitar a política do fique em casa, feche tudo, lockdown. O vírus não vai embora. Esse vírus, como outros, vieram para ficar, e vão ficar a vida toda. É praticamente impossível erradicá-lo"

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Durante encontro no Centro de Eventos de Chapecó, Jair Bolsonarovoltou a defender o “tratamento precoce”, também conhecido como “kit-Covid”, com medicamentos sem eficácia comprovada contra o vírus. Segundo o presidente, os médicos devem ter autonomia para escolher qual tratamento será utilizado:

"Não sei como salvar vidas, não sou médico, não sou enfermeiro, mas eu não posso escolher a liberdade do médico ou até mesmo do enfermeiro. Ele tem que buscar uma alternativa para isso (...) Não podemos admitir impor limites ao médico. Se o médico não quer receitar aquele medicamento, que não receite. Se outro cidadão qualquer acha que aquele medicamento não está errado... não está certo porque não tem comprovação científica, que não use, é liberdade dele,” disse.

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Bolsonaro continuou: “O off-label, fora da bula, é o remédio 'pro' paciente. Hoje, têm aparecido medicamentos que ainda não estão comprovados, que estão sendo testados, e o médico tem essa liberdade. Tem que ter. É um crime querer tolher a liberdade de um profissional de saúde.”

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, também participou do encontro no Centro de Eventos de Chapecó, Santa Catarina. Além dele, Bolsonaro estava acompanhado de outros três ministros: Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Onyx Lorenzoni (Secretaria Geral) e Carlos França (Relações Exteriores).

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Conforme noticiado pelo G1, Queiroga afirmou que Chapecó é um exemplo de como a autonomia dos médicos está relacionada à recuperação dos infectados: "Aqui em Chapecó, no estado de Santa Catarina, que tem um sistema muito organizado, nós podemos ter um exemplo que é possível conciliar a autonomia do médico com a recuperação dos nossos pacientes," disse o ministro.

Apesar dos elogios, Chapecó enfrenta um colapso na saúde com mortalidade superior à média nacional, segundo o G1. Além disso, na tentativa de frear a pandemia, a cidade suspendeu atividades essenciais e restringiu circulação de pessoas no final de fevereiro.


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