Arctic Monkeys maduro, xingamentos a Bolsonaro e acerto com os Tribalistas: o 1º dia do Lollapalooza 2019

Do indie ao rock, o primeiro dia do Lollapalooza recebeu 78 mil pessoas no Autódromo de Interlagos

Redação Publicado em 06/04/2019, às 07h40

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St. Vicent, Alex Turner, do Arctic Monkeys e Sam Smith (Fotos: Camila Cara)

Foram 78 mil pessoas a passar pelo Autódromo de Interlagos no primeiro de três dias de Lollapalooza 2019. O festival começou mais quente por culpa do sol de 32ºC do que qualquer outra coisa, já que a sexta-feira, 5, era dia útil e boa parcela do público chegou mais tarde. 

Mas esssa multidão chegou e fez da abertura da edição deste ano do Lolla um espetáculo de cabeça felizes a dançar ao som das batidas mais vagarosas do Arctic Monkeys, banda responsável por fechar o último dia com maestreia, com novos sons e sem cair na nostalgia barata. 

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Com quatro palcos, além de outras tantas atrações que vão de opções para se fazer uma tatuagem a andar em uma roda-gigante, é fácil ter perdido algo do Lollapalooza e, por isso, a Rolling Stone Brasil  está aqui, para dar o quadro geral, o resumão do que ocorreu no 1º dia de Lollapalooza Brasil:  com Foals, Tribalistas, uns coros em menção ao atual presidente da República, Sam Smith, St. Vincent e, claro, o mais esperado da noite e já citado Arctic Monkeys.

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Brasileiros fazem valer a pena chegar cedo

Pela manhã, estreando no Palco Budweiser, BRVNKS (lê-se “Brunks”) emocionou a galera ao som de “Fred, música escrita em homenagem ao melhor amigo da artista, que morreu em 2016. Com o disco de estreia saindo do forno, a apresentação foi um pontapé importante para deslanchar a carreira do projeto solo de Bruna Guimarães.

Xingamentos a Jair Bolsonaro

Na sequência, o clima do festival tomou outro rumo. Teve muito rock, bate-cabeça e várias menções ao atual Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Tudo começou com um sutil “Ah, e o Bolsonaro que se f*** também”, vindo do vocalista da Molho Negro, João Lemos. Depois, com a a banda Scalene, liderada pelos irmãos Gustavo e Tomás Bertoni, no palco, houve o primeiro coro do público de “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c*”, nos intervalos entre as canções. (leia aqui como foi a apresentação).

Um índio no palco 

Quando chegou a hora de Portugal. The Man invadir o palco Onix, uma surpresa: a banda fez uma homenagem ao país e convidou um grupo de índios para discursarem sobre genocídio e aclamarem pela Demarcação de Terras. Na sequência, o grupo iniciou o show com um cover de "Another Brick In The Wall",  do Pink Floyd. Depois, seguiram com os hits que todo mundo estava esperando: "Live In The Moment" e "Feel It Still".

Representatividade LGBTQ+

O Foals, que também foi um nome aguardado no line-up do festival, apresentou um show com suas canções - e ritmo - que fogem do comum e propõe sensações sonoras inusitadas. A banda montou seu repertório com base nas músicas do novo disco como “On the Luna”, “In Degrees” e “Syrups”. Mas o que de fato chamou a atenção foi a evolução do grupo desde a sua primeira vinda na edição de 2013 do Lollapalooza Brasil.

Na sua primeira visita a América Latina, Troye Sivan estreou o grupo de cantores ativistas nas questões LGBTQ+ da oitava edição do festival, e entregou um show sensível mas dançante. Sivan comandou o público com seu pop e emocionou os fãs ao falar sobre a sua luta na causa LGBTQ+. O artista australiano cantou, em sua maioria, faixas do disco Bloom, seu último álbum, lançado em 2018. Mas também deu um gostinho para os fãs de Blue Neighbourhood, o primeiro sucesso do artista.

O acerto com os Tribalistas

Na sequência, vindo lá de Manchester, The 1975 trouxe o ar sereno para o festival. Com “Give Yourself a Try”, “Sincerity Is Scary”, “She’s American” e “Robbers” ganharam o público no palco Onix na tarde de sol do Lollapalooza 2019.

No palco vizinho, o trio Tribalistas iniciou o show encarando problemas técnicos do palco principal do festival. Mas isso, em momento algum, abalou o sucesso do show. Rolou “Amor I Love You” para a galera cantar bem alto e o carisma de Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, juntos, não passou batido.

Foi o último show da turnê dos Tribalistas, como contou Brown no palco. O projeto, iniciado em 2003, nunca foi pensado como uma performance ao vivo - tratava-se de uma colaboração entre os amigos em estúdio. Dado o sucesso encontrado por eles nos Estados Unidos, Europa e Brasil, é bom eles voltarem logo. 

Clima show de cruzeiro

Em combo, mas cada um de um lado do festival, se apresentaram Sam Smith e St. Vincent. Ambos os artistas entregaram shows intensos e, com toda certeza, notórios.

Sam teve todo o seu público cantando junto com ele as 19 músicas que apareceram no setlist. A verdade é que todo mundo que estava lá, presente no show, ficou emocionado com o carisma do cantor e apresentação visual que rolou na performance do britânico que tinha uma vibe festival e melancólica, ao mesmo temop, como o clima de um show de cruzeiro - e isso é um elogio. 

Quem também ganhou destaque na primeira noite do Lollapalooza foi a Anne Erin, conhecida como St. Vincent, que entregou para os fãs um show expressivo comandado por beats eletrônicos com a guitarra e voz orgânicas. A artista se apresentou apenas na companhia de sua guitarra - e que companhia!

Arctic Monkeys cresceu, fez a barba e assumiu a vida adulta 

Para encerrar a primeira noite do festival, chegou ao palco Budweiser a tão esperada turma de britânicos: Arctic Monkeys.

O grupo assumiu sem peso, o seu mais novo disco Tranquility Base Hotel & Casino, que foi alvo de muita polêmica para os fãs dos Monkeys. A banda contou com um público de mais de 78 mil pessoas no Autódromo de Interlagos, e acredite, grandíssima parte da galera que colou no festival, estava lá só para vê-los.

O vocalista, Alex Turner mostrou toda a potência de um headliner dentro do festival e consagrou o novo cenário da banda. Mas também tocou os sucessos  “505”, de Favorite Worst Nightmare (2017) e “Cornerstone”, do Humbug (2009) que todo mundo conhece e ama. (Leia aqui a matéria completa sobre o show).

Macklemore, foi concorrente de horário do Arctic Monkeys e isso fez com que a apresentação do rapper não fosse tão disputada assim. Mas o seu público fiel marcou presença e cantou junto com ele os sucessos “Willy Wonka”, “Can’t Hold Us”, “Same Love” e “Dance Off”.

O primeiro dia do festival se encerrou repleto de discursos políticos que celebram a liberdade individual e o amor. Com certeza, um bom sinal para o festival que investiu em um line-up com artistas defensores de causas extremamente atuais - e urgentes. 

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