As deusas gregas e as "pernas moles" da SPFW

Redação Publicado em 19/06/2009, às 23h00 - Atualizado em 27/06/2012, às 10h48

Quem não entende nada do mundo da moda pode sair de um desfile da São Paulo Fashion Week com aquela clássica: "Modelo é tudo igual!". Pois talvez o desfile da Cia. Marítima - que encerrou a maratona desta quinta, 18 - possa ajudar a esclarecer algumas regras do jogo.

Feita para a mulher que curte tomar uma brisa em seu iate enquanto zanza pelas ilhas gregas (crise, obviamente, é um conceito tão ultrapassado quanto penteados dos anos 80), a coleção de moda praia evidencia, pela pouca roupa, o padrão de todas as passarelas: as modelos, altas como arranha-céus, têm pernas tão finas que fazem de qualquer magricela no "mundo normal" uma irmã perdida de Beyoncé.

Confuso? Como saber quem é quem? Façamos o seguinte: Gisele Bündchen, que no dia anterior roubou a cena (ao lado de Jesus Luz) no desfile da Colcci, é como se fosse o Beatles. A partir daí, não adianta discutir. Beatles é Beatles, Gisele é Gisele.

Nesses termos, temos Isabeli Fontana, Raica Oliveira, Izabel Goulart e Ana Claudia Michels, estrelas do cast da Cia. Marítima. O quarteto causa furor em fotógrafos e repórteres, mas nunca no nível "Gisele". O assédio da imprensa funciona como uma espécie de "giselômetro". Se conseguir falar com a top, capa da primeira edição da Rolling Stone Brasil, é tão fácil como ver o Guns N' Roses entregar Chinese Democracy no prazo combinado, Isabeli, Raica, Ana e Izabel eram bem mais acessíveis - mas foram, de longe, os maiores imãs de fotógrafos e cinegrafistas no backstage da grife.

Outras no casting: Vivi Orth, Gracie Carvalho, Juliana Imai. Já ouviu falar? Todos do mundinho sabem quem são - o que faz delas a típica bandinha indie que bomba no MySpace, mas ainda não deu um salto à la Mallu para o mainstream.

Aos poucos, as modelos começaram a sair do camarim onde trocavam de roupa, já só de biquíni ou maiô. E como aquele frio de lascar não ajudava, houve quem invocasse uma clássica de Tim Maia para reparar, bom, que talvez o tecido das peças fosse fininho demais para a temperatura. "Acenda o Farol..."

Já na sala do desfile, é fácil perceber que desfiles de moda praia atraem, além do público de praxe, um tipo em particular de convidado. É o sujeito que pode estar acompanhando namorada ou amiga - e parece mais interessado no recheio do que na roupa apresentada. Talvez por isso, teve sala abarrotada para ver as "garotas de Ipanema versão Daslu", com salto alto e joia gigantesca no pescoço para ir à praia. Coisas da moda.

E como nada mais refrescante do que a visão da juventude, deixamos a crítica do desfile a cargo de Mavi, Luiza, Marina e Raffaella - o quarteto de amigas que deu um jeitinho para acompanhar tudo desde o backstage. Todas na sexta série do ensino fundamental e com dois, três anos a menos do que muitas modelos do casting, elas eram uma espécie de Sex and the City mirim. Sem direito a Cosmopolitan, claro.

"As modelos estavam lindas, porém, algumas estavam com a perna mole; não sabemos se eram muito magras ou algo do tipo. A música e todo o entretenimento estavam modernos, o que combinava com o tema da Grécia."

Carrie Bradshaw teria ficado orgulhosa.

Foto: Lucas Landau