Assalto sensorial

O Motörhead lotou a Via Funchal na noite deste sábado, 18, em São Paulo - e, como de costume, agradou o público com mais do mesmo

Por Paulo Cavalcanti Publicado em 19/04/2009, às 16h33

Mesmo já tendo vindo ao Brasil inúmeras vezes, o Motörhead ainda é capaz de atrair um grande público. Desta vez, o trio esteve em locais mais distantes do eixo Rio-São Paulo, como Recife (no Abril pro Rock), mas veio novamente de mala e cuia para a capital paulistana.

Nesta nova passagem pela metrópole, a banda liderada pelo baixista e cantor Lemmy Kilmister lotou a Via Funchal na noite de sábado, 18. As quatro mil pessoas que compareceram ao local ainda tiveram que aguentar uma banda de abertura desnecessária (Baranga) e um irritante atraso de uma hora e meia. O show, que estava programado para às 22h, só começou às 11h30. Segundo a organização, isso aconteceu por causa de um atraso na chegada dos instrumentos.

Uma apresentação do Motörhead é sempre meio previsível, mas esta é que é a graça. Quem assiste ao show espera ver o de sempre, e não se decepciona. O trio se gaba de ser um dos mais barulhentos de todos os tempos - e isto fica claro logo de cara. O volume estava no máximo e o guitarrista Phil Campbell ainda teve a ousadia de perguntar se a galera queria ouvir o grupo tocando ainda mais alto. Mas simplesmente o som no talo não adiantaria se os três instrumentistas não fossem tecnicamente bons. Especialmente o baterista Mikkey Dee, que não deixa a monotonia tomar conta e castiga brutalmente os tambores.

Vez por outra alguns inconvenientes técnicos interferiam no show, fazendo com que o trio fizesse pequenas pausas para que tudo se ajustasse. Outro problema foi a mixagem da voz de Lemmy, muito baixa em boa parte da apresentação.

O setlist trouxe os velhos cavalos de guerra do Motörhead, entre eles "Iron Fist", "Stay Clean", "Be My Baby", "I Got Mine", "Another Perfect Day", "Bomber", "Ace of Spades" e "Overkill", além de algumas de Motorizer, último trabalho de estúdio do grupo, lançado em 2008. Quem gostou e saiu com o ouvido zunindo pode ter certeza que no ano que vem (ou no próximo) Lemmy e sua gangue devem estar por aqui novamente. Mas esperamos que, dessa vez, sem atrasos.