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Associado à polêmica cientologia, O Mestre estreia nesta sexta, 25

Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman entregam interpretações impressionantes do surpreendente roteiro de Paul Thomas Anderson

Stella Rodrigues Publicado em 25/01/2013, às 10h56 - Atualizado às 19h03

Phoenix e Hoffman em delicada relação

A expectativa inicial cercando O Mestre, novo longa de Paul Thomas Anderson (Magnólia, Sangue Negro), era de um tratado feito para bater na religião que todo mundo ama odiar, a cientologia. Não é isso. Pelo menos, não é só isso. Em sua nova parceria com o sempre brilhante Philip Seymor Hoffman, o diretor e também roteirista desta produção conta uma história que vai além. Aliás, que fique claro, nunca foi declarado oficialmente que o filme é um retrato do início da religião controversa que Tom Cruise ajudou a tornar famosa – embora sejam inegáveis as semelhanças entre ela e o culto descrito pela obra de ficção.

Na trama, Freddie Quell (Joaquin Phoenix, igualmente brilhante), um soldado recém-regresso da Segunda Guerra Mundial, está naquele período comum aos veteranos em que há a necessidade urgente de encontrar sentido no mundo. Quell, entregue ao álcool e sem rumo na vida, acaba se tornando seguidor de Lancaster Dodd (a suposta versão de L. Ron Hubbard, o criador da cientologia). Dodd (Hoffman) é pai d'A Causa, um culto baseado em ciência e regressão que é dita capaz de curar doenças e promove viagens no tempo por meio do mergulho na consciência, tudo justificado como autoconhecimento. A afirmação, claro, causa polêmica e Dodd, sua esposa (Amy Adams) e os seguidores são perseguidos pela sociedade pós-guerra norte-americana, um pano de fundo montado sob medida para servir a história.

Apesar de o papel Hoffman ser profundo e difícil, é Quell quem define as camadas do filme e torna a trama um estudo de personagens. Ele aparenta a ideia de um prisioneiro, é alguém torturado, nervoso e com a necessidade de encontrar o ponto entre a obediência e a independência, um sofredor da agonia de quem procura um caminho. Ele se machuca, se debate literalmente, maltrata o próprio corpo, que tolera momentos da calma e aceitação de um pupilo misturados aos rompantes temperamentais e acessos de fúria de um homem perdido.

Além da qualidade técnica inegável do filme e as atuações incontestáveis dos protagonistas, o trabalho tem diálogos inspirados e o mais rico dos roteiros – característica tão típica das obras de Anderson quanto a tendência dele a passar das duas horas de duração. E a nova parceria do cineasta com Jonny Greenwood (Radiohead) na trilha sonora foi acertada mais uma vez, como dá para perceber no trailer abaixo, inclusive.