Balbúrdia adolescente

Katy Perry levou seu mundo de fantasia para São Paulo na noite do domingo, 25

Paulo Cavalcanti Publicado em 26/09/2011, às 09h25 - Atualizado às 09h36

Katy Perry levou seu pop açucarado a São Paulo na noite de domingo, 25 de setembro

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O local escolhido para a passagem de Katy Perry pela capital paulistafoi o pior possível: a distante e inacessível Chácara do Jockey. Mesmo sabendo da canseira e das inevitáveis dores de cabeça, uma legião de crianças, adolescentes, pais e responsáveis rumaram para este ponto da zona sul paulista para conferir a apresentação do show da The California Dreams Tour, da cantora norte-americana. Mais de 25 mil pessoas transformaram o trânsito da região em um inferno, mas este show em São Paulo pelo menos teve um gosto diferente. Na sexta-feira, Katy cantou no Rock in Rio para uma plateia muito maior, mas lá era apenas mais um peixe no aquário. Na capital paulista as atenções eram apenas para ela.

Katy Perry colocou sua mistura de parque de diversões com Alice no País das Maravilhas para funcionar um pouco depois das 20h. Visualmente, o show de Katy Perry é uma balbúrdia. Há muitas distrações no palco: diversos telões, uma equipe de bailarinos, contorcionistas, adereços imitando pirulitos e balas, fogos de artifício, trocas de roupa, cores berrantes. No meio disto, Katy é mais atriz do que cantora. A voz não é grande coisa, mas ela cumpre bem o seu papel de apresentadora infantil meio pervertida. Em suas canções que falam de um mundo colorido, cheios de doces, bichinhos de pelúcia e da busca pelo namorado perfeito, há espaço para insinuações a sexo casual, masturbação, lesbianismo e até drogas. Mas tudo é muito sutil e infantil. Katy pode até falar um ou outro palavrão, mas no instante seguinte, parece ser a garota mais virginal e doce do mundo.

O show não mudou muito em relação ao do Rock in Rio - nem seria possível, já que é superproduzido e segue um roteiro, que é explicado em um vídeo exibido nos telões laterais. Katy é uma garota que vaga por um estranho mundo de fantasia atrás do garoto de seus sonhos. Musicalmente, o show é aquela mistura rotineira de dance genérico, baladinhas para cantar com as mãos para cima e um ou outro roquinho, tudo sem muita inspiração ou criatividade, mas já devidamente testado e consagrado pela turminha pré-adolescente.

A apresentação começou com o hit "Teenage Dream", e ela manteve o pique com "Waking Up In Vegas" e "Peacock". Em "I Kissed a Girl", Katy fez como no Rio de Janeiro. Chamou um rapaz da plateia para a beija-lá e ser "seduzido". O sortudo foi um moço magro de 17 anos chamado Ian. Antes de começar, Katy falou: "17? Será que eu vou ser presa hoje?". E claro, Katy, na maior cara de pau, jogava para a torcida: nunca deixava de elogiar São Paulo, dizendo que era a melhor plateia do mundo e que o Rock In Rio não tinha sido nada, entre outras declarações de amor.

A cada instante Katy, trocava de figurino. Ela apareceu vestida de corista de Las Vegas; depois virou mulher gato. O uso de playback e Auto-Tune foi farto e ilimitado e qualquer um percebia isto, principalmente nas canções onde ela interagia com os dançarinos ou então que exigiam um maior esforço físico, como no momento em que ela ficou dependurada num altíssimo balanço. E assim como aconteceu com Rihanna, as vocalistas de apoio estavam lá para salvar a pátria. Mas ela fez o que os fãs esperavam. Na balada "Thinking of You", enquanto era festejada pelo público, Katy até pareceu soltar uma lágrima, e estava com a voz embargada. Se fingiu, fingiu bem.

Em "Hot N’ Cold", ela trocou de figurinos quase dez vezes em piscar de olhos. "Last Friday Night" , uma das mais esperadas da noite, foi cantada por todos. Em "Dance With Somebody", chamou uma turma de fãs para dançar com ela no palco. "Fireworks", obviamente, foi pontuada por fogos de artifício. O fim ficou com "California Gurls", um verdadeiro caos visual, com gente dançando e pulando por todo o palco e Katy comandando o coro de vozes femininas e infantis que vinham da plateia. Uma chuva de papel picado cobria o público e cantora que, empunhando uma espécie de arma, melecava quem estava na frente com jatos de espuma. No final, prometeu voltar mais vezes ao Brasil.

Confira abaixo o set list do show da cantor em São Paulo:

Teenage Dream

Hummingbird Heartbeat

Waking Up In Vegas

Ur So Gay

Peacock

I Kissed A Girl

Circle The Drain

E.T.

Who Am I Living For?

Pearl

Not Like The Movies

The One That Got Away

Thinking Of You

I Want Candy

Hot N' Cold

Last Friday Night (T.G.I.F.)

Dance With Somebody

Firework

California Gurls