Bananada 2015: rimas da rapper Karol Conká e graves do duo Tropkillaz levam o público à loucura

Neste sábado, 16, também se apresentaram no festival goiano os norte-americanos do King Tuff e o líder do Dinosaur Jr. J Mascis

Luciana Rabassallo, de Goiânia Publicado em 17/05/2015, às 14h05 - Atualizado em 19/05/2015, às 17h32

A rapper Karol Conká enlouqueceu os fãs no Bananada 2015

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Dois momentos marcaram o sétimo dia do Festival Bananada 2015. Neste sábado, 16, subiram aos palcos do evento os norte-americanos do King Tuff e o líder do Dinosaur Jr. J Mascis, além da rapper Karol Conká, do trio Bonde do Rolê e do duo de música eletrônica Tropkillaz. As primeiras apresentações foram um presente para os amantes do rock alternativo e para os fãs do selo Sub Pop - sim, aquele mesmo que lançou o Nirvana - do qual fazem parte os caras do King Tuff e o Mascis. Durante a segunda etapa, os graves da trap music e as rimas do hip-hop foram um prato cheio para os que gostam de dançar como se não houvesse amanhã.

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No palco Yguá, o King Tuff, banda formada por Kyle Thomas, Magic Jake e Garrett Goddard, no estado de Vermont, nos Estados Unidos, mostrou o show de divulgação do disco Black Moon Spell, lançado no fim de 2014. Este foi o segundo show do trio no Brasil, o primeiro aconteceu dois dias antes, no Beco 203, em São Paulo, também como parte do Bananada 2015.

Campeões de simpatia dentre todas as bandas que passaram pelo evento até aqui, o grupo fez questão de deixar claro o quanto gostaram do país: "Nós amamos vocês. Muito obrigada por todo o carinho. O Brasil é incrível", repetiu diversas vezes o baixista Magic Jake, entre uma música e outra.

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O vocalista e guitarrista Kyle Thomas ainda citou os amigos que eles fizeram durante a estada em Goiânia: "Quero agradecer aos caras do Water Rats [banda brasileira que se apresentou na última quinta-feira, no Diablo Pub] pela diversão que tivemos por aqui. Vamos embora amanhã cedo, mas gostaríamos de voltar na próxima semana". A empatia com o Brasil culminou em uma marca da pele: Thomas fez uma tatuagem após o show.

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J Mascis, o cara que não precisa dizer mais nada

Uma das grandes atrações da noite, o músico norte-americano Joseph Donald Mascis dispensa apresentações. É um dos grandes nomes do rock alternativo, líder da seminal banda Dinosaur Jr., eleito Rolling Stone EUA como um dos 100 maiores guitarristas de todos os tempos e um homem de pouquíssimas palavras - seja no palco ou seja nos bastidores.

A última passagem dele pelo Brasil aconteceu em 2014, ao lado do Dinosaur Jr., quando se apresentou no Converse Rubber Tracks Live Brasil, em São Paulo. Desta vez, contudo, ele veio praticamente sozinho. Exceto por um fiel escudeiro e produtor. Em carreira solo, J Mascis trouxe ao Bananada o show do disco Tied to a Star, que chegou às lojas em 2014.

O sucessor de Several Shades of Why (2011) saiu pelo selo Sub Pop e contou com as participações de Cat Power, Mark Mulcahy, Pall Jenkins (do Black Heart Procession) e Ken Maiuri. Durante a apresentação no festival, Mascis entrou em cena sozinho, usando como instrumentos ora um violão elétrico ora uma guitarra. “Every Morning”, que traz a batida acelerada ao violão junto à voz inconfundível do astro, foi uma das canções mais festejadas pelos fãs.

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O toque feminino e a explosão de Karol Conká

A rapper curitibana Karol Conká, uma das pouquíssimas mulheres entre as 57 atrações do evento, fez o show mais animado do festival Bananada 2015 - até aqui. Os fãs disputavam cada milímetro da grade que os separava do palco quando a cantora finalmente surgiu ostentando os cabelos com ornamentos cor-de-rosa.

No repertório estavam canções de Batuk Freak, disco de 2013 que tem produção do também curitibano Nave Beatz. Nascida em Alto Boqueirão, bairro da periferia de Curitiba, Karoline dos Santos de Oliveira começou a escrever poemas e canções muito jovem – o interesse pela música floresceu a partir dos sambas de raiz que saíam das caixas de som em sua casa quando era pequena.

Hoje, ao lado de Flora Matos e Lurdez da Luz, ela se tornou um dos nomes de maior destaque do hip-hop nacional no exterior. E, mais do que isso, consegue atrair um público que não necessariamente tenha raízes no gênero. O repertório da rapper, com letras leves e beats mais com uma pegada pop, é um dos elementos que faz com que Karol consiga conversar com diversos tipos de pessoas. Em sua maioria, as canções lançadas por ela celebram as dores e os prazeres de ser mulher e exaltam a cultura negra.

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O ponto alto da noite foi o hit "Tombei", que tem produção de Zegon, do duo Tropkillaz. A faixa pautada na bass music é o primeiro lançamento da parceria entre a dupla através do selo Buuum, patrocinado pela Skol Music. Ainda em 2015 deve chegar aos ouvidos dos fãs o segundo disco de estúdio de Karol, completamente produzido por Zegon.

Trap music de "vagabundo" com Tropkillaz e Cachorro Magro

O Brasil colhe uma boa safra de artistas nacionais entre o hip-hop e a música eletrônica. Dentro da tendência mundial do trap/bass music, o duo Tropkillaz, formado pelo já citado Zegon em parceia com o também produtor Laudz, é praticamente o Rolling Stones da geração que dança ao som do grave.

A trap music nada mais é do que o "rap da internet" que ganhou as redes muito antes de chegar às pistas de dança. O gênero mistura hip-hop, house, timbres da década de 1990 e uma pitada de dubstep.? O termo trap surgiu em Atlanta, nos Estados Unidos, em meados dos anos 2000. Vem do trap rap, que deriva do dirty south, estilo de hip-hop que domina todo o sul norte-americano.

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Referência internacional dentro da música eletrônica, o Tropkillaz agora se apresenta com o Cachorro Magro, anteriormente conhecido como MC Shawlin. Durante a performance, o rapper carioca cantou "Late Igual Cachorro" e, antes de sair do palco, afirmou: "Eu gosto é de trap de vagabundo. EDM não é a nossa praia".

O Festival Bananada 2015 continua neste domingo, 176, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, com atrações como Marrero, Maskavo Roots, Garage Fuzz e Criolo.

Veja a programação completa do festival Bananada 2015.

17 de maio - domingo @ Centro Cultural Oscar Niemeyer

22h45 CRIOLO - Palco Pyguá

22h00 HELLBENDERS - Palco Yguá

21h15 VIVENDO DO ÓCIO - Palco Pyguá

20h30 GARAGE FUZZ - Palco Yguá

19h45 MASKAVO ROOTS 20 ANOS - Palco Pyguá

19h00 CADDYWHOMPUS (EUA) - Palco Yguá

18h15 MAGALY FIELDS (CHILE) - Palco Pyguá

17h30 MARRERO - Palco Yguá

16h50 GASPER - Palco Yguá

15h00 AR É MÚSICA - Goiânia Crew Attack