A Banda mais Bonita de Barcelona (que não é nem espanhola)

Grupo Sueco I’m From Barcelona acaba de lançar o disco Forever Today; leia entrevista com o vocalista Emanuel Lundgren

Stella Rodrigues Publicado em 06/10/2011, às 16h44

I'm From Barcelona
Foto? Fredrik Skogkvist/Divulgação

Sabe aquelas situações desconfortáveis, em um evento, quando um grupo de amigos seus, formado em um contexto, se encontra com outro grupo de amigos feitos em outros época/lugar/ocasião? Sempre fica aquela dúvida no ar de “será que eles vão se dar bem?”. Emanuel Lundgren (de vermelho e à frente, na foto ao lado) se provou um mestre na arte de integrar todo mundo. Conseguiu fazer isso tão bem que hoje é líder de uma banda cujos integrantes são mais de duas dúzias de amigos que colecionou ao longo da vida. “Eles se entenderam tanto que nem precisam mais de mim”, brinca Lundgren.

O I’m From Barcelona – que na verdade, não é de Barcelona, é uma banda sueca - tem uma proposta inicial um pouco “Banda Mais Bonita da Cidade”, mas com menos boom e, possivelmente, mais longevidade. Formada em 2005, a atração lançou recentemente o álbum Forever Today, gravado ao vivo. “Sempre quisemos gravar assim, mas não tínhamos os equipamentos. Além disso, quando você grava um instrumento por vez, perde a energia de ter toda a banda junta, o que é muito importante no nosso caso. Algo acontece quando estamos todos no mesmo ambiente.”

“De certa forma, sinto que o disco é a respeito da própria banda. Quando você começa um grupo com seus amigos, você leva um disco por vez e não sabe o quanto irá durar. Fazemos tudo como se fosse pela última vez, aquele velho clichê”, conta ele, acrescentando que, ao contrário do que se diz por aí, não é um disco de música da década de 50. Na verdade, foi apenas inspirado por essa geração artística. “Talvez não soe muito como Little Richard, mas foi uma ótima inspiração e nos deu a vontade que precisávamos”.

O clima retrô ajudou na composição do disco mas, mais do que isso, lhes deu o título da música que abre o álbum, “Charlie Parker” e o tema da faixa 8, “Dr. Landy”. O nome faz referência ao famoso e controverso psicólogo Eugene Landy, com quem o Beach Boy Brian Wilson tinha uma relação bastante peculiar. “Li a autobiografia de Brian Wilson e a coisa toda era tão estranha... há uma teoria de que o médico escreveu o livro. E a letra é do ponto de vista do Brian.”

Adeptos da filosofia do “do it yourself” – ainda mais eficiente quando dá para contar com quase 30 pares de mãos – os integrantes do I’m From Barcelona estão em cada pedacinho desse trabalho. “A gente mixou, produziu e, desta vez, eu até cuidei da capa. É legal voltar à época quando você fazia cópias da capa no escritório e queimava os CDs no seu computador. Eu era webdesigner antes da banda e amo poder juntar as duas coisas. Por que eu deveria deixar isso na mão de alguém se eu amo mexer com arte?”

Sobre a capa, Lundgren conta que ela foi feita, literalmente, com seu suor. “Eu tinha uma ideia de capa que eram pessoas sendo vistas pelos pássaros, mas não tinha mais nada específico em mente. Um dia, de férias em Paris, fui à Torre Eiffel e, olhando para baixo, vi toda aquela cena acontecendo. Fiquei lá horas, fazendo fotos. Depois, passei mais um tempão no chão da minha cozinha pintando e isso foi no dia mais quente do verão. Suor pingava da minha testa e dentro da tinta.”

O esquema todo, conforme ele conta, funciona quase como se fosse em uma comuna, embora hoje ele rejeite a palavra de tonalidade hippie. “É uma relação estranha quando você é amigo primeiro e um tipo de líder depois. No começo, eu tentava resolver tudo sozinho para não ter que ficar repassando funções. Afora, depois de um tempo, todo mundo se oferece para fazer e temos um cronograma pregado no ônibus de turnê, cada vez um é responsável por alguma coisa, viramos um time de verdade. Não precisamos de alguém de fora, nem mesmo de empresário de turnê. E o mais legal de tudo é que tem sempre alguém novo para contar alguma coisa nova, ainda mais porque tem gente de diversas profissões!”

O excesso de integrantes, apesar de divertido, claro, apresenta alguns desafios. Nunca ninguém foi deixado para trás, no melhor estilo casa cheia de Esqueceram de Mim, mas o vocalista conta que é comum eles saírem do aeroporto com malas que não pertencem a nenhum dos integrantes. “Dá um trabalhão, temos que achar o passaporte e correr atrás do dono”, ri. Além disso, por mais que namoradas e cônjuges sejam aceitos e encorajados a viajar com eles no ônibus de turnê, há a necessidade de um escalonamento. “A gente tem que coordenar direito os visitantes. Adoramos a presença deles, mas só alguns de cada vez!”, brinca Lundgren.