Barack Obama é reeleito presidente dos Estados Unidos

A disputa contra o candidato republicano Mitt Romney foi acirrada; disputa eleitoral custou US$ 2,6 bilhões

Eric R. Danton Publicado em 07/11/2012, às 11h48 - Atualizado às 12h30

Barack Obama
AP

O presidente Barack Obama conseguiu a reeleição, derrotando de forma apertada o candidato republicano Mitt Romney na mais cara corrida presidencial da história dos Estados Unidos.

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Com as pesquisas mostrando os candidatos estatisticamente empatados nas últimas horas de campanha, a NBC declarou Obama como vencedor somente depois das 23h (horário local) e a CNN fez o mesmo minutos depois.

Toda a campanha foi focada em qual dos dois candidatos era mais indicado para acelerar a recuperação do país após a crise financeira de 2007 e 2008 e a recessão que se seguiu. Obama argumentava que herdou uma economia em frangalhos e que o cenário teria piorado ainda mais não fosse seu esforço para mantê-la – relembrando do pacote federal de estímulo econômico, que resgatou a indústria automobilística e, diz ele, salvou milhões de empregos e diminui gradativamente, embora devagar, a taxa de desemprego, agora em 7,9%.

O presidente também destacou suas conquistas, como a assinatura para a lei de reforma no sistema de saúde, o Affordable Care Act, o fim da Guerra do Iraque, a assinatura do ato Lilly Ledbetter Fair Pay, a morte do líder da Al Qaeda Osama bin Laden e o fim das restrições contra gays entre os militares, a Don’t Ask, Don’t Tell (“Não Pergunte, Não Conte”).

Acusando Obama de ter falhado ao liderar os Estados Unidos de volta à prosperidade, Romney, antigo governador de Massachusetts, tentou sem sucesso persuadir os eleitores de que sua experiência no setor privado na chefia da empresa de capital fechado Bain Capital fazia dele melhor qualificado para o trabalho.

Os candidatos passaram os últimos dias da campanha perambulando pelos estados apontados como decisivos, cada um tentando angariar em seu favor os últimos eleitores indecisos, particularmente aqueles em Ohio. Obama teve a seu favor nos últimos dias uma constelação com Bruce Springsteen, Jay-Z, Stevie Wonder, Katy Perry, Dave Matthews e John Mellencamp, além da ajuda do vice Joe Biden e do ex-presidente Bill Clinton.

Enquanto isso, Romney moveu-se para o centro, recuando das posições extremamente conservadoras que tomou durante as primárias republicanas em temas como aborto, política internacional e relação com instituições não-governamentais como o FEMA, que está apoiando as vítimas do furacão Sandy. O furacão ajudou a diminuir o ímpeto que o republicano construiu desde o primeiro debate em outubro, quando superou seu adversário. A campanha de Romney também foi marcada por numerosas gafes, como a declaração, em maio, de que 47% dos americanos se viam como “vítimas” que eram “dependentes do governo”.

Ao final das campanhas, a disputa eleitoral custou cerca de US$ 2,6 bilhões, e mesmo assim os candidatos terminaram da mesma forma como começaram: trancados a um país dividido, que se inclinou ligeiramente para o presidente em atividade.

“Nós vamos ter uma agenda cheia nos próximos quatro anos, mas as pessoas não deveriam subestimar o quanto nós podemos fazer”, disse Obama à Rolling Stone EUA no último mês. “Obviamente, eu amaria ver uma mudança no Congresso, elegendo pessoas menos interessadas nas próximas eleições e mais interessadas em fazer o serviço. E isto vale tanto para Republicanos como para Democratas. Eu só quero ter certeza que há pessoas com senso de serviço diante de seus eleitores.”