"A Barra da Tijuca é meu Twin Peaks", diz diretora do promissor Mate-me Por Favor

Longa brasileiro de Anita Rocha da Silveira foi selecionado para a Mostra Internacional de Veneza

Lucas Borges Publicado em 19/10/2015, às 16h33 - Atualizado às 17h52

Julia Roliz, Mari Oliveira, Anita Rocha da Silveira, Dora Freind e Valentina Herszage na Mostra de Veneza

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Corpos começam a ser achados em um dos muitos terrenos baldios de um bairro quase distópico, no qual as pessoas vivem confinadas e os donos das ruas são os automóveis. Há sangue, mas tudo é roxo, rosa e azul. Adolescentes perambulam pelas cenas do crime livres e desimpedidos, como se vivessem em um universo paralelo.

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Mate-me Por Favor é o primeiro e promissor longa-metragem da diretora brasileira Anita Rocha da Silveira. Selecionado para a Mostra Internacional de Cinema de Veneza e vencedor de dois prêmios no Festival do Rio – um deles de Melhor Diretora –, a produção cinematográfica é ousada.

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"[Filme de adolescente] normalmente trata o jovem como estúpido", define com sinceridade a diretora em entrevista à Rolling Stone Brasil. "Queria fazer algo que um adolescente pudesse ver tendo uma reação diferente, algo em que se espelhasse."

Anita inova na mensagem de Mate-me Por Favor, explorando polêmicos símbolos cariocas como o bairro da Barra da Tijuca, o gênero musical funk, a sexualidade e a religião. E também inova na forma. "David Lynch é um dos meus cineastas favoritos. E me inspirei em algo que ele fez de forma exemplar tanto em Twin Peaks como em Veludo Azul: trabalhar com um universo fechado e alternativo, criando um espaço que de certo modo pode se assemelhar ao cotidiano e exagerar no tom, aumentar o volume. Lynch trabalha o terror com traços de humor. Eu me inspirei nisso."

Além da ficção: astros de filmes e séries que mataram pessoas na vida real.

"Para mim a Barra da Tijuca é como se fosse meu o Twin Peaks [cidade fictícia na qual é ambientada uma produção televisiva de mesmo nome, dirigida por Lynch]", define a cineasta sobre a série de sucesso dos anos 1990. "Peguei a Barra e mudei certos tons. A paisagem é muito interessante, esse contraste entre condomínios altos, carros em pistas largas, shopping gigantescos e terrenos ainda com mato esperando para serem usados nessa doideira da especulação imobiliária do Rio. Acho muito instigante."

Sem prazo para estrear em circuito comercial, por enquanto o longa só tem a resposta dos críticos (adultos), bastante positiva, por sinal. Anita diz não imaginar qual público se interessará mais pelo seu filme, mas o convívio com as quatro protagonistas lhe dá a impressão de que sua aposta pode ter sido certeira.

"A grande mudança dessa geração para a minha é que eles são muito mais abertos", exemplifica a diretora. Ela usa como referência o quarteto de atrizes Valentina Herszage, Dora Freind, Julia Roliz e Mari Oliveira, hoje (dois anos depois das filmagens) na faixa dos 16 aos 18 anos.

Homossexualidade, por exemplo, em nenhum momento foi um tabu para Valentina, vencedora do prêmio de Melhor Atriz do Festival do Rio e, assim como as demais companheiras, estreante nas telonas. "Para ela foi tranquilo. 'Ok, agora beijo uma menina, beijo um menino, entro no elevador e caminho na rua'. Eu estava mais preocupada do que ela", conta a diretora.

Anita já tem planos para o segundo longa, que também deve ser estrelado por mulheres, agora de uma faixa etária mais elevada. Mate-me Por Favor poderá ser visto na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo entre 24 de outubro e dois de novembro.

Veja as datas de exibição de Mate-me Por Favor na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo:

24 de outubro (sábado), às 20h45 – Reserva Cultural

26 de outubro (segunda-feira), às 16h – Espaço Itaú Frei Caneca

2 de novembro (segunda-feira), às 17h – Espaço Itaú Frei Caneca