Dan Smith, do Bastille, ‘quase’ sente mais falta de ir a shows do que subir no palco [ENTREVISTA]

Banda britânica trabalha no quarto álbum de estúdio e pretende "chocar" fãs com novo material

Larissa Catharine Oliveira | @whosanniecarol Publicado em 01/11/2020, às 14h00

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Bastille (Foto: Reprodução/Instagram)

Conhecida por hits como “Pompeii” e “Happier, a banda britânica Bastille se aproxima da primeira década de carreira com um projeto completamente diferente. What You Gonna Do?” e “Survivin’”, primeiros singles do novo álbum do grupo, são músicas distintas - a primeira, uma parceria com Graham Coxon, do Blur, explora um peso inédito na discografia da banda, enquanto a outra é “esquisita”, nas palavras do vocalista Dan Smith - por isso, completamente adequada aos eventos inesperados de 2020.

“Me sinto muito sortudo por poder continuar a trabalhar”, começa Smith em entrevista à Rolling Stone Brasil. O cantor e compositor está no estúdio da banda em Londres, não muito longe de casa, para trabalhar no quarto álbum do Bastille. O isolamento, de certa forma, remonta ao surgimento da banda, em 2010, quando um Dan Smith de 24 anos e nenhuma experiência musical escrevia “Pompeii”- faixa responsável pela explosão mundial da banda, formada pouco tempo depois, e um dos maiores sucessos de 2014, quando foi lançada como single do álbum Bad Blood

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Desta vez, porém, Smith já possui uma carreira sólida, com três álbuns de estúdio e várias turnês mundiais no currículo como frontman do Bastille. O sucesso alcançado parece não afetar a capacidade do artista de ainda se sentir grato com a oportunidade única que é viver de música, especialmente durante a paralisação inesperada do mundo. Felizmente, todas as pessoas próximas da banda estão bem, mas alguns amigos perderam o emprego, enquanto outros não têm previsão para retornar ao trabalho. “Fomos muito sortudos por aplicar esse tempo no estúdio, nos mantendo ocupados e produtivos em tempos tão estranhos”, analisa Smith. 

A banda passou o período mais rígido de quarentena (“Viver junto de vez em quando no ônibus de turnê pelos últimos sete anos foi suficiente”, se diverte o cantor), mas trabalharam no mesmo estúdio no sul de Londres de forma isolada. A primeira novidade produzida nesse novo formato foi “What You Gonna Do?”, com a participação de Coxon, ídolo do grupo, um feito facilitado pelas circunstâncias atípicas. “Apenas entramos em contato, sou um grande fã e queríamos uma música surpreendente e chocante”, explica.

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A faixa foi escrita ano passado, durante a turnê, e foi inspirada pela barulhenta “Song 2”, do Blur. Smith decidiu que precisava de guitarras poderosas, “de uma maneira que as pessoas não esperassem do Bastille”, então mandou a música para Coxon. “Foi estressante, mandar uma música própria para um ídolo é sempre assustador”, lembra. “Mas ele amou. Foi bem no começo da quarentena, teria sido muito melhor colaborar junto, mas é 2020 e trabalhar com ele de forma remota foi incrível”. 

A segunda música lançada para divulgação do novo álbum, ainda sem nome ou previsão de estreia, também foi escrita ainda em 2019 - mas ganhou um novo sentido com a pandemia. Apresentada à gravadora uma semana antes da paralisação, “Survivin’” é honesta sobre os altos e baixos inevitáveis da vida, e se tornou mais relevante com o momento atual. Smith teve dúvidas sobre lançar o single, mas a recepção de amigos próximos o convenceu. “Parecia um abraço quentinho em forma de música”. 

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Nos três primeiros álbuns, o Bastille manteve o processo criativo restrito aos integrantes da banda, mas agora o grupo britânico pretende abrir espaço para produtores e compositores de fora, justamente quando o mundo ainda está solitário. “Para manter as coisas interessantes, prosseguir e nos desafiar, pensamos em trazer mais pessoas”, explica. “Queremos manter as pessoas curiosas. Pensamos nessas músicas com apresentação individual, não como um corpo de trabalho”. Entre as parcerias gravadas, ainda não confirmadas no disco, está o produtor Kenny Beats e o cantor Lauv. 

Nem mesmo o Bastille tem certeza dos rumos do novo projeto. A banda ainda não decidiu a tracklist do álbum, mas já gravou “um monte” de músicas novas. As palavras-chave do projeto são  ‘diversão” e a necessidade de surpreender, tanto para os integrantes, quanto para o público, durante a criação de uma nova era. 

 
 
 
 
 
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Com os próximos shows marcados apenas para 2021, Smith confessa a saudade de ver os artistas favoritos ao vivo. “Shows são muito importantes e incríveis. Quase mais do que me apresentar, sinto falta de ir a shows e festivais”, confessa. “A vontade de ver as bandas que amo ao vivo tem sido um buraco enorme em minha vida, estou animado para voltar”. 


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