Baterista do Black Keys diz que lançamento do U2 “desvalorizou a música deles completamente”

Patrick Carney ainda afirma que a banda irlandesa não pensou em outros grupos quando decidiu disponibilizar o álbum de forma gratuita

Rolling Stone EUA Publicado em 17/10/2014, às 12h29 - Atualizado às 13h45

Patrick Carney, do Black Keys, se apresenta no Barclays Center, em Nova York, em setembro de 2014.

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Acrescente Patrick Carney, baterista do Black Keys, à lista de críticos contra o lançamento de Songs of Innocence, do U2, disponibilizado de forma gratuita em 500 milhões de contas do iTunes. Em entrevista ao Seattle Times, Carney comentou que a forma como o álbum foi disponibilizado “desvalorizou a música deles completamente”, acrescentando que o acordo com a Apple “mandou uma mensagem errada para bandas que estão tentando crescer. Acho que o U2 não estava pensando muito generosamente quando fez isso.”

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Os comentários de Carney chegam depois que o próprio Bono expressou um arrependimento pela saída de lançamento encontrada pela banda. “Ops, sinto muito por isso”, disse o vocalista do grupo em uma sessão de perguntas e respostas com fãs no Facebook, ao ser questionado sobre a ação.

Veja um guia faixa a faixa de Songs of Innocence

“Sinto muito. Eu tive essa linda ideia e fomos carregados por ela. Artistas são propensos a fazer esse tipo de coisa.” Segundo Bono, a banda tinha “um grande medo de que essas músicas nas quais colocamos a nossa vida toda nos últimos anos talvez não fossem ouvidas”. O vocalista admitiu que houve “um pouco de megalomania, um toque de generosidade e algo de autopromoção”.

Veja um guia faixa a faixa de Songs of Innocence

Carney está ao lado de outros artistas como Thom Yorke e Tool que também formam uma força de resistência contra sites de música por streaming como o Spotify. Os dois últimos discos da dupla, True Blue e El Camino estão indisponíveis no site, mas curiosamente o baterista falou, em entrevista ao Seattle Times, que entende que o streaming “é o caminho do futuro”.

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“Todo o meu lance sobre a música é: se alguém está fazendo dinheiro, então o artista deveria ganhar uma parcela justa disso”, disse ele. O dono do Spotify tem uns US$3 bilhões. Ele é mais rico que o Paul McCartney, tem 30 anos e nunca compôs uma música.”

Tristeza e inspiração: no auge do sucesso, o Black Keys encontrou uma nova maneira de chegar ao fundo do poço. Agora, a dupla espera retornar aos eixos com o disco.

O companheiro de Carney no Black Keys, Dan Auerbach, revelou em entrevista à Rolling Stone Brasil que a banda deve voltar ao Brasil em 2015, após a passagem pelo Lollapalooza 2013. Leia a entrevista aqui.