Bebel Gilberto lança DVD gravado no Rio de Janeiro e projeta aproximação com o público brasileiro

Bebel Gilberto in Rio é o primeiro registro ao vivo da cantora e será lançado no Brasil antes de chegar ao mercado exterior

Pedro Antunes Publicado em 07/06/2013, às 09h06

Bebel Gilberto
João Wainer

Bebel Gilberto espera que o primeiro DVD da carreira seja o ponto de intersecção entre as carreiras dela no Brasil e no exterior. Gravado na praia do Arpoador, diante do mar de Ipanema, no Rio de Janeiro, Bebel Gilberto In Rio recria as canções dos três primeiros discos de estúdio dela – Tanto Tempo (2000),Bebel Gilberto (2004) e Momento (2007) –, com outras ainda não registradas.

A cantora de 47 anos decidiu seguir por um caminho diferente do usual e lançar o novo trabalho primeiro no Brasil, para depois trabalhá-lo no exterior. “Eu sou muito intuitiva”, disse ela ao telefone, do Rio, depois que a coletiva de imprensa marcada para esta semana, em São Paulo, foi cancelada devido ao mau tempo que impediu o embarque dela. “Gosto muito de seguir a minha intuição, tudo foi acontecendo e achei que era o certo a se fazer.”

Bebel Gilberto in Concert, licenciado pelo selo dela, Bebelucha, e distribuído pela gravadora Biscoito Fino, chegou às lojas do país na última terça, 4, em dois formatos: CD e DVD. Os shows de lançamento serão marcados para a primeira quinzena de julho, mas as datas ainda não estão confirmadas.

Ainda assim, a norte-americana Bebel, filha dos brasileiríssimos João Gilberto e Miúcha, mantém Nova York como endereço principal, mesmo que ela não negue as raízes cariocas que cresceram com o tempo, na infância em Ipanema. “Tenho alugado apartamentos no Rio. Atualmente, estou no Leblon. Sempre faço isso”, explica ela.

Com uma carreira consolidada no exterior, com uma indicação ao Grammy, em 2011, ela diz que ainda se sente perdida quando chega ao Brasil, em uma tentativa de descobrir o próprio público. Bebel conta que, certa vez, estava gripada no Rio de Janeiro. Na farmácia, foi reconhecida pelo funcionário e isso a surpreendeu. “Para mim, foi uma coisa incrível”, diz ela. “Sempre fico na dúvida de quem é o meu público no Brasil. Nos Estados Unidos, eu sei que rola uma coisa de me acompanharem. É diferente.”

A própria escolha por um DVD é algo direcionado, já que o mercado fonográfico brasileiro abraçou os registros ao vivo, diferentemente dos Estados Unidos. “É. Aqui o DVD funciona bastante. Lá [EUA], eles não entendem o presente”, afirma.

É ela própria que assina a direção musical do show, com a assistência de Liminha e Kassin, ambos creditados como produtores do trabalho. “Na verdade, quando chegamos a eles, as coisas já estavam bem encaminhadas”, justifica Bebel. Ambos também fazem participações em cima do palco, tocando baixo. Kassin se apresenta em “Sun is Shining”, uma adaptação da canção de Bob Marley; já Liminha toca em “Rio”, música do Duran Duran, inédita na voz de cantora. “Sou fã deles”, diz ela, logo no início da entrevista. “Sou dos anos 80, né?”

Outras duas participações especiais mostram a pluralidade da bossa contemporânea de Bebel, que passeia com leveza por outros gêneros. Flávio Renegado, rapper mineiro, trouxe um samba-rap para o palco, a música “Na Palma da Mão”. A cantora conta que o conheceu em uma apresentação no Summer Stage, show realizado no Central Park, em Nova York, no verão norte-americano de 2012. Depois daquele encontro, eles se viram novamente, desta vez no Rio. “Ele me ensinou a música e, no show, foi aquela química. Ele é muito bom de palco”, diz ela. Já o tio dela, Chico Buarque, aparece no CD e DVD, mas não esteve presente fisicamente naquela tarde e noite de dezembro de 2012, no Arpoador. A participação dele é no estúdio, com a música “Samba e Amor”.

O DVD também foi a oportunidade para que Bebel conseguisse regravar “Preciso Dizer Que Te Amo”, grande hit na voz de Cazuza e composta por ela, ele e Dé, baixista do Barão Vermelho. A canção foi gravada apenas na estreia dela, no mini-LP de 1986 que leva o nome da cantora.

Apesar de ter sido gravado em um único dia, ao ar livre, o disco ficou limpo de grandes ruídos externos. Cada canção foi gravada duas vezes, na sequência, para que a melhor fosse escolhida para a versão final.

Bebel garante que possui músicas inéditas, que estão destinadas a um novo trabalho de estúdio, mas que sentiu a necessidade de saborear mais esse repertório. “Estou neste projeto há três anos”, revela ela, que criou o selo Bebelucha para o lançamento. “Nunca pensei em ter firma no Brasil”, completa Bebel.

Em um exercício de comparação das duas carreiras – no Brasil e nos Estados Unidos –, Bebel não titubeou: “Eu sou uma americana no Brasil”. “Tenho alguns fãs que me amam aqui, eu sei disso, mas outros sequer me conhecem”, continua a cantora, disposta a reverter esse placar desfavorável para o Brasil.