Beyoncé e Jay-Z desafiam a arte ocidental em clipe de “Apeshit”

A música faz parte do álbum colaborativo Everything is Love

Rolling Stone EUA Publicado em 18/06/2018, às 13h19 - Atualizado às 15h21

Beyoncé e Jay-Z no clipe de “Apeshit”

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No último sábado, 16, o casal formado pela cantora Beyoncé e pelo rapper Jay-Z divulgou o clipe para a faixa “Apeshit”, primeiro trabalho audiovisual do álbum que os dois lançaram em parceria, Everything is Love, no mesmo dia. No vídeo, eles aparecem no icônico Museu do Louvre, em Paris, chamando para si a atenção em meio a obras que – assim como na maioria dos museus ocidentais – foram concebidas por artistas brancos.

Ao longo do vídeo, são destacados os negros presentes nas pinturas do Louvre, assim como representações de outras etnias. Os músicos cantam em frente a uma esfinge egípcia, e em galerias repletas de pinturas francesas neoclassicistas, enquanto a câmera evidencia os poucos rostos não-brancos. Dirigido por Ricky Saiz, o clipe se dedica a essa atividade não muito longa de “onde está o Wally”: dois negros no meio da multidão em O Casamento em Caná, do italiano Paolo Veronese, e a figura principal em O Retrato de Uma Negra, de Marie-Guillemine Benoist.

4:44: um guia faixa-a-faixa do 13º disco de Jay-Z

Com a representatividade claramente determinada, Beyoncé e Jay-Z se propõem a preencher essa carência, reivindicando o papel de protagonistas em um dos templos da cultura europeia. Grande parte da força do clipe tem a ver com o contraste criado entre os artistas negros (figurantes, dançarinas e os próprios cantores) e as pinturas repletas de figuras brancas. Em frente à extravagante obra A Coroação de Napoleão, de Jacques-Louis David, a rainha do pop dança com outras oito dançarinas, extraindo a atenção do estático símbolo autoritário branco e trazendo-a para os corpos negros em movimento, reduzindo a pintura a um mero papel de parede.

Esse ato de ofuscar as obras expostas no Louvre é repetido diversas vezes ao longo de “Apeshit”, opondo a fragilidade em muitos dos personagens pintados à agressividade e virilidade de Beyoncé. Jay-Z, por sua vez, tem uma participação visual mais limitada, deixando críticas através dos versos, e servindo como suporte e parceiro para que a esposa fique encarregada do protesto imagético. Na última cena, os dois músicos se posicionam em frente ao famoso quadro Monalisa, deixando claro que a obra é, sem dúvidas, o elemento menos interessante que aparece no enquadramento.

A música, coproduzida por Pharrell Williams e cocomposta por Quavo e Offset (integrantes do trio norte-americano de trap Migos), faz parte do disco Everything is Love, lançado pelo casal sob o pseudônimo de The Carters, e que já está disponível nas maiores plataformas de streaming – incluindo Spotify e Apple Music, além do Tidal, empresa da qual Jay-Z é dono.

Assista ao clipe e, abaixo, ouça o novo disco surpresa de Beyoncé e Jay-Z.