Bill Cosby e Roman Polanski são expulsos da Academia que realiza o Oscar

A decisão levou em conta o histórico de abusos sexuais de ambos

Rolling Stone EUA Publicado em 03/05/2018, às 18h44 - Atualizado às 19h10

O diretor Roman Polanski e o ator Bill Cosby

Ver Galeria
(2 imagens)

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas decidiu expulsar Bill Cosby e Roman Polanski do quadro de membros. A Academia é conhecida, entre outras coisas, por ser a realizadora do Oscar, prêmio máximo da indústria do cinema norte-americano.

Segundo o site norte-americano Variety, um comitê da Academia chamado Board of Governors, que é responsável por preservar a missão do Oscar, tomou a decisão na noite de terça-feira, 1º, mas enviaram o comunicado oficial à imprensa apenas nesta quinta, 3.

“A Academia votou em expulsar o ator Bill Cosby e o diretor Roman Polansky do quadro de membros, de acordo com as Normas de Conduta da organização”, diz o comunicado. “A diretoria continua a incentivar os padrões éticos que exigem que os membros sustentem os valores de respeito à dignidade humana”.

Cosby, que nunca foi indicado ao Oscar, foi julgado como culpado de abuso sexual em um julgamento criminal na semana passada. Ele está, atualmente, em prisão domiciliar e aguarda condenação. A esposa de Cosby, Camille, disse em um comunicado que espera limpar o nome da família, alegando má conduta judicial.

Polanski ganhou o Oscar de Melhor Diretor em 2003 pelo filme O Pianista e foi indicado outras quatro vezes. Ele fugiu dos Estados Unidos em 1978 e, desde então, não voltou ao território norte-americano, sob o risco de ser preso por um processo de abuso sexual de uma menor de idade no qual o diretor chegou a fazer um acordo, mas deixou o país antes de receber a sentença.

Polanski foi preso e detido em Zurique, Suíça, em 2009, mas as autoridades locais se recusaram a extraditá-lo para os Estados Unidos. Na época, mais de 100 pessoas da indústria cinematográfica, incluindo os diretores Woody Allen e Martin Scorsese e até mesmo Harvey Weinstein, assinaram uma carta pedindo a liberdade de Polanski, que chegou a enviar uma petição a um tribunal de apelação norte-americano. Ela foi negada sob a alegação de que, se o diretor quisesse, ele poderia ter se apresentado em 1977.

Em 2017, um juiz da Suprema Corte de Los Angeles negou o pedido de Samantha Greimer, a jovem que tinha 13 anos quando foi abusada por Roman Polanski, para que arquivasse o caso.

Essa não é a primeira vez que a Academia expulsa algum nome importante que está ligado a escândalos sexuais: ano passado, Harvey Weinstein também foi retirado do quadro de membros depois te ter sido acusado de abuso por várias mulheres. “Fazemos isso não apenas para nos manter distantes de alguém que não merece o respeito dos colegas, mas também para enviar uma mensagem de que os tempos da ignorância intencional e da cumplicidade vergonhosa no comportamento sexualmente predatório e do assédio em local de trabalho, em nossa industria, acabou”, continuou o comunicado da Academia. “O que está em questão aqui é um problema profundamente preocupante e que não pode mais existir na nossa sociedade.”