Bill Ward não participará da reunião do Black Sabbath

“Não temos escolha, a não ser continuar gravando sem ele”, escreveu a banda em comunicado no Facebook

Redação Publicado em 03/02/2012, às 17h52 - Atualizado às 17h56

Black Sabbath
Foto: AP

A reunião do Black Sabbath não contará mais com todos os integrantes originais. Depois de divulgar um comunicado amargurado, o baterista Bill Ward está fora dos novos projetos da banda, que respondeu à longa carta do músico com um diminuto comunicado no Facebook. Leia abaixo:

“Ficamos tristes em saber pelo Facebook que Bill se recusou publicamente em participar dos planos da reunião do Black Sabbath... Não temos escolha, a não ser continuar gravando sem ele. As portas estão sempre abertas... Ainda estamos no Reino Unido com Tony. Compondo e gravando o novo álbum, e em seguida... nos vemos no Download!”

Nesta quinta, 2, Ward publicou um texto afirmando que não participaria do retorno do grupo caso o contrato oferecido a ele não fosse alterado. Pelo jeito, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Tony Iommi não têm interesse em mudar as cláusulas do documento.

Esse não é o primeiro percalço na aguardada volta do Black Sabbath: no início do ano, Iommi divulgou que está com linfoma. Isso fez com que as gravações do novo disco, que terá produção de Rick Rubin, fossem transferidas dos Estados Unidos para o Reino Unido. Há boatos de que uma apresentação no festival Coachella foi cancelada por conta do tratamento do guitarrista. Por enquanto, o show no Download Festival está mantido.

Leia abaixo a íntegra da carta publicada por Bill Ward:

Queridos fãs do Sabbath, amigos músicos e partes interessadas,

Neste momento, eu não gostaria de nada além de poder dar continuidade ao disco e à turnê do Black Sabbath. No entanto, não posso continuar, a não ser que seja feito um contrato “assinável”; um contrato que reflita um pouco de dignidade e respeito a mim, como membro original da banda. Ano passado, eu trabalhei de boa fé com Tony, Ozzy e Geezer. E em 11/11/11, novamente de boa fé, participei da coletiva de imprensa em Los Angeles. Alguns dias atrás, depois de quase um ano tentando negociar, outro contrato “não-assinável” foi entregue a mim.

Deixem-me dizer que embora isso tenha me deixado com o pé atrás, eu estou de malas prontas para deixar os Estados Unidos em direção à Inglaterra. Mais importante, eu definitivamente quero tocar no disco, e definitivamente quero sair em turnê com o Black Sabbath.

Desde a notícia da doença de Tony, e do entendimento de que a banda iria mudar a produção do álbum para o Reino Unido, eu passei cada dia pronto para partir. Isso envolve trabalho, e enquanto tentava descobrir o que estava acontecendo nas sessões de gravação, descobri que estava sendo ignorado (e, devo acrescentar, não pela primeira vez). Meu chute é que, a partir de hoje, eu não saberei de nada do que está acontecendo a não ser que assine o “contrato não-assinável”.

A posição na qual me encontro é solitária, porque por mais que eu queria tocar e participar, eu também preciso me posicionar e não assinar esse contrato. Se eu assinar do jeito que está, perco meus direitos, dignidade e respeito como um músico de rock. Eu acredito na liberdade e na liberdade de expressão. Eu cresci em uma banda de rock pesado/metal. Nós nos posicionávamos naquela época, e tocávamos com o coração e com sinceridade. Eu estou no espírito da integridade, distante da doença do corporativismo, sou real e sou honesto, justo e compassivo.

Se eu for substituído, tenho de encarar vocês, fãs do Sabbath. Espero que vocês não me culpem por um possível fracasso do Black Sabbath original, como foi divulgado. Sem mea Quero reafirmar a todos que a minha lealdade ao Sabbath está intacta.

Então aqui estou, deixo minha verdade com vocês. Estou pronto, caso eu receba um contrato “assinável”. Não quero desapontar ninguém, especialmente o Black Sabbath e todos os fãs. Vocês sabem que eu amo vocês. Seria um triste dia no rock se essa situação se confirme, pela vontade de poucos.

Minha posição não vem da ganância, eu não estou querendo uma “grande parte” do negócio (dinheiro), como se fosse uma chantagem. Gostaria de algo que reconheça e reflita as minhas contribuições à banda, incluindo as reuniões que começaram 14 anos atrás. Depois da última turnê, eu prometi não assinar um contrato irracional novamente. Quero um contrato que mostre algum respeito a mim e minha família, que honre tudo que eu trouxe ao Black Sabbath desde o início da banda.

É isso, por enquanto.

Amo cada um de vocês.

Bill Ward.