Billy Corgan fala sobre fãs ardorosos do Smashing Pumpkins e da grandeza do Led Zeppelin

“Somos uma banda melhor do que a maioria atualmente”

Steve Baltin/Tradução: Ligia Fonseca Publicado em 19/06/2012, às 18h41 - Atualizado às 18h48

Billy Corgan
Reprodução/Facebook Oficial

Na próxima terça, 25 o Smashing Pumpkins irá lançar Oceania, o mais recente capítulo de seu ciclo contínuo de 44 músicas Teargarden by Kaleidyscope, que a banda iniciou em 2009. Embora muitos fãs estejam aclamando o álbum como uma volta aos dias de glória de rock progressivo do Pumpkins, Billy Corgan não concorda com isso. "As músicas basicamente estão em um nível completamente diferente das antigas do Smashing Pumpkins", afirma o líder. "Praticamente não há comparação."

Corgan falou com a Rolling Stone EUA sobre seu relacionamento às vezes tumultuado com os fãs do Pumpkins, sua nova liga de luta livre, a grandeza do Led Zeppelin e a razão de seus companheiros atuais de banda – a baixista Nicole Fiorentino, o baterista Mike Byrne e o guitarrista Jeff Schroeder – estarem aqui para ficar.

A reação ao novo álbum tem sido muito forte.

Muita gente diz: “Ah, existe uma familiaridade neste Oceania", mas estamos ensaiando o material dele porque concluímos o disco há seis, sete meses e, obviamente, fizemos outras coisas, então tivemos que aprender as músicas novamente, e elas basicamente são totalmente diferentes das antigas do Smashing Pumpkins. Praticamente não há comparação. Só que o efeito da audição parece estar sendo registrado como familiar, mesmo não sendo construído da mesma forma, o que é interessante, porque não esperava isso.

Só que acho que a familiaridade pode vir da composição. Talvez seja isso. Talvez esteja tirando conclusões precipitadas e se trate mais da composição literal.

Há uma teoria de que a maioria dos compositores tem um tema e o aperfeiçoam com o tempo. Acha que isso se aplica a você? Qual seria o tema?

Não sinto que esse seja necessariamente meu caso. Tenho temas familiares. Minha mãe saindo de casa quando eu tinha quatro anos é um tema recorrente; embora não esteja necessariamente presente de um jeito simbólico, está em todos os meus relacionamentos. Então, há uma raiz ali que continua aparecendo, que são temas de abandono ou alienação que permeiam minhas outras relações. Então, sinto uma familiaridade nesses temas e como eles aparecem, devido à forma como se dão em meus relacionamentos.

Para quando você está planejando uma turnê para o disco?

Acho que nos Estados Unidos, no terceiro trimestre. Vamos tocar o álbum na sequência como parte do show. Vai ser interessante, porque há um pouco de “danem-se” para todas as pessoas que ficam tocando nossos discos antigos. Vamos tocar nosso novo álbum, então estamos empolgados com isso. Também estamos trabalhando com o Sean Evans, que trabalha com o Roger Waters na turnê The Wall, então haverá um componente visual no show. Será uma boa mistura – os velhos cavalos de guerra junto ao novo álbum. Estamos empolgados com isso porque sentimos que o novo material está no mesmo nível do melhor do material antigo, e isso formará um show muito interessante, do meu ponto de vista. As pessoas tentam polemizar, como se eu não quisesse tocar minhas músicas antigas, mas não é o caso. Não quero tocá-las se essa for minha única opção, o que é outra coisa. Se eu subir ao palco e o público quiser ouvir Oceania, serei o cara mais feliz do mundo tocando as próprias músicas.

Você tocou "Bleed" pela primeira vez em 25 anos recentemente e falou sobre como ela parecia contemporânea. Há outras músicas mais antigas que soam assim para você?

Fico surpreso com o quão autobiográficas algumas delas são, e não achava que fossem. Uma que me vem à cabeça é "Mayonaise", do Siamese Dream. Provavelmente foi uma das últimas para as quais escrevi a letra. Lembro que fiquei só juntando ideias, pensando: “Tenho de descobrir alguma coisa”. Então, é meio que uma colagem de ideias e temas diferentes. Anos depois, estou tocando esta música, pensando: "Esta letra mostra bem o que eu estava enfrentando”, e não pensei nisso na época.

Nossos leitores acabaram de escolher "Mayonaise" como sua favorita do Smashing Pumpkins.

Pois é, este é meu grupo louco de fãs que empacou em 1993. É uma música ótima, mas nem de longe é a melhor do Smashing Pumpkins.

Todo artista passa por períodos cíclicos de popularidade. Você observou outros artistas para ver o que os faz se conectar com seus fãs depois de décadas de carreira?

Em outros artistas, em termos de observação, tenho uma teoria positiva e outra negativa. A positiva é de que artistas que têm sucesso, como Bob Dylan e Neil Young, e conseguem fazer obras monumentais quando mais velhos, é porque nunca se desviaram de seu processo orgânico. Estavam dispostos a confiar em si mesmos mesmo sabendo que o trabalho que vinha deles não seria necessariamente popular. O lado negativo disso é [quando] um artista tem sucesso por um simbolismo ou movimentos ou som em particular. Digamos que ele comece a mudar e não veja uma reação do público – então, artificialmente se força a uma lembrança em particular porque é confortável ali, especialmente com relação a negócios. Então, em algum momento, a musa meio que o abandona porque ele não está ouvindo mais. Está tentando fazer a musa ser o que era quando tinha 22, 28 anos ou algo assim, e simplesmente não funciona desse jeito. As coisas que sou guiado a fazer são muito estranhas para mim. As pessoas pensam que tenho algum prazer masoquista em lançar músicas que não vão ser nada populares. Não tenho, mas também sei que as músicas mais populares que já fiz não foram tentativas minhas de ser famoso. Vieram de meu desejo de me comunicar em um nível muito alto, e esse é um conjunto diferente de parâmetros.

O que está acontecendo com a liga de luta livre?

Faço parte da empresa. Esta manhã fiquei trabalhando no roteiro, então estou muito envolvido com a luta, colocando a mão na massa, e gostando muito.

Quem é seu lutador preferido?

Para mim, o Ric Flair é o maior, porque é a combinação louca de promoção incrível, estilo elétrico, com lutas em superalto nível de roteiro no ringue. Basicamente, é o pacote completo.

Sempre fui fã do Undertaker.

Eu o conheci depois da luta da aposentadoria contra Shawn Michaels. Foi maluco, porque foi uma luta incrível, e ficar lá conversando com ele sobre aquilo foi “Uau, isto é louco."

Acho que ele tem aquele ar de mistério de um astro do rock.

Estive nos bastidores de eventos do WWE e ele simplesmente vem – nem está tentando – e aí você pensa “Uau”. Simplesmente tem aquela coisa, aquele “fator x” que os astros têm.

Que astros do rock têm esse "fator x" para você?

Jimmy Page vem à mente, encontrei com ele uma vez. Quando você pensa no que Jimmy Page criou, é impressionante. Você fica lá conversando com este homem e existe uma qualidade mística no ser dele. Não está por aí como fazia em 1975, mas há algo nele. Seja místico ou malicioso, há uma alegria no espírito dele que ainda está lá. Quando se pensa na música do Led Zeppelin, sua guitarra é quase como um vocal principal, então existem praticamente dois vocais principais, o que é a insanidade do Zeppelin.

Há outras coisas que você admira no Zeppelin?

Quando o John Bonham morreu, eles anunciaram que a banda tinha acabado. Não pararam para pensar. Sempre respeitei isso, porque era como um irmão e a banda sabia que não seria o mesmo sem ele. Tive de aprender essa lição do jeito difícil. Quando o Jimmy Chamberlin deixou a banda em 1996, pensei: "Vou contratar outra pessoa. A banda é grande e encontraremos alguém ótimo. Não vai ser o mesmo, mas vai ser tão bom quanto, de um jeito diferente”. Não funciona dessa maneira. Você não substitui um irmão assim.

Você aplicou essa lição desde que percebeu isso?

Absolutamente. Algumas pessoas chamaram esta [formação] de "Pumpkins Mach Two". Como o "Pumpkins Mac Two" está fazendo sucesso atualmente, trato essas relações de um jeito muito diferente de antes. Não vejo ninguém como substituível. Odiaria estar em uma posição de ter de substituir alguém na banda, porque agora está bem naquele ponto onde tudo clica, tudo funciona, e não é porque algum de nós é o melhor músico. Por algum motivo, você tem as quatro pessoas certas e, de repente, as coisas simplesmente começam a acontecer. Assim que Nicole entrou para a banda e ela, Jeff, Mike e eu começamos a fazer shows, a diferença no público foi imediata.

Você sente que os fãs acabaram aceitando esta formação do Pumpkins?

Acho que é uma conta muito simples. Se não tivéssemos um nome – digamos que fosse Banda X –, seríamos uma banda melhor do que a maioria no planeta [risos]. Então, ou você vai nessa, ou não. Se for contra isso, não é porque não é bom, mas sim porque não concorda ou não gosta disso, é diferente. É difícil ser uma grande banda, mas quando você acerta, os resultados são incrivelmente satisfatórios, porque você meio que não consegue estragar isso.