Há 50 anos, Bob Dylan gravava “Like a Rolling Stone”: saiba como surgiu a melhor música de todos os tempos

“Era algo ritmado em um papel, tratando-se do meu ódio constante”, disse o músico; a canção já foi tocada ao vivo por ele mais de 2 mil vezes

Rolling Stone EUA Publicado em 21/06/2015, às 11h06

Bob Dylan
Ron Frehm/AP

Há exatos 50 anos Bob Dylan entrou no Studio A, da Columbia Records, em Nova York, para gravar “Like a Rolling Stone”, aclamada a melhor música de todos os tempos pela Rolling Stone (veja aqui). A música chegou às lojas apenas um mês depois, alcançando o segundo lugar das paradas norte-americanas (atrás de “Help!”, dos Beatles) e influenciou uma geração inteira de músicos.

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“Aquele estouro [do começo da música] soou como se alguém tivesse chutado e aberto a porta da sua mente”, disse Bruce Springsteen quando Bob Dylan entrou no Hall da Fama do Rock and Roll, em 1988. “Quando eu tinha 15 anos e escutei ‘Like a Rolling Stone’, ouvi um cara que tinha coragem para assumir o mundo inteiro, e que me fez sentir como se eu tivesse que fazer isso também.”

Surgimento

Um mês antes de gravar “Like a Rolling Stone”, Dylan estava na Europa encerrando a turnê solo acústica registrada no documentário Don't Look Back, de D.A. Pennebaker. A elétrica “Subterranean Homesick Blues” estava tocando no rádio há três meses, mas os shows dele ainda eram acústicos e as músicas de protesto como “The Lonesome Death of Hattie Carroll” e “The Times They Are-A Changin’” estavam cravadas nos setlists.

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Contudo, em algum lugar da turnê, Dylan começou a rascunhar um texto longo e em formato livre que ele comparou a “vomitar”. “[Aquilo era] só algo ritmado em um papel, tratando-se do meu ódio constante”, disse ele. “Direcionado a algum ponto que era honesto.”

Ele voltou a Woodstock quando a turnê terminou e continuou a trabalhar naquilo. “Os dois primeiros versos, que rimavam ‘kiddin' you’ com ‘didn't you’, simplesmente me nocautearam”, disse Dylan à Rolling Stone EUA em 1988. “E quando eu cheguei nos malabaristas, cavalos cromados e a princesa na torre, aquilo tudo ficou muito grande.”

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É uma canção venenosa, mas ele nunca revelou publicamente a inspiração para ela, assumindo que possa ser até mesmo uma única pessoa. Chutaram que a “Miss Lonely” pode ser qualquer um, de Edie Sedgwick e Marianne Faithful, ou até Joan Baez. Mas a resposta certamente não é tão simples.

Gravação

“Like a Rolling Stone” foi ganhando forma em 15 de junho de 1965, quando Dylan começou a trabalhar no álbum Highway 61 Revisited. A quarta tentativa de gravar a música, em 16 de junho foi a definitiva – que foi lançada –, mas Dylan e a banda que o acompanhou – Mike Bloomfield na guitarra, Paul Griffin no piano, Bobby Gregg na bateria e Joseph Macho no baixo, com Al Kooper nos teclados e Tom Wilson como produtor – ainda tocaram a faixa outras 11 vezes.

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“[As sessões com Dylan] eram todas incomuns porque eram muito rápidas”, disse Kooper que, acidentalmente, criou as partes de teclados para a faixa. “Nem sequer sei como ele consegue cantar rápido daquele jeito. Há muitas palavras colocadas. Tenho uma cópia da sessão completa e nenhum take chega perto da versão masterizada.”

“Like a Rolling Stone” chegou às lojas em 20 de julho, poucos dias antes do Newport Folk Festival no qual Dylan tocou a música ao vivo como parte do primeiro show elétrico dele em todos os tempos – uma história tão contada que já foi tema de livros inteiros.

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Ao fim do mês, Dylan retornou ao Studio A para finalizar Highway 61 Revisited, tendo trocado o produtor Tom Wilson por um novo, Bob Johnston. Eles concluíram em 6 de agosto, data que marcou o último dia em que Dylan gravou com Mike Bloomfield – ainda que, em entrevista à Rolling Stone EUA em 2009, Dylan o tenha escolhido como melhor guitarrista com quem já trabalhou.


Bob Dylan - Like a Rolling Stone (Live...por toma-uno

Recepção

A gravadora Columbia não tinha muitas esperanças para “Like a Rolling Stone” – já que era uma música de seis minutos de duração e tão diferente da obra anterior de Dylan –, mas ela tornou-se o single mais conhecido da carreira do cantor.

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A música decepcionou muitos puristas do folk no processo, mas transformou Dylan em uma estrela do rock no momento exato em que a cena folk estava se dissipando. Ele terminou todos os shows da lendária turnê mundial de 1965/66 com “Like a Rolling Stone”, e atualmente ele tocou-a 2.024 vezes, atrás apenas de “All Along the Watchtower”.