Bolsonaro pressionou Moro para sair do ministério: ‘Tenha dignidade de se demitir'

Um novo relatório da Polícia Federal mostra uma troca de mensagens entre o presidente da República e o ex-ministro da Justiça

Redação Publicado em 03/09/2020, às 07h51

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Jair Bolsonaro (foto: Andressa Anholete, Getty Images)

Na última quarta-feira, 2, a Polícia Federal entregou ao STF - Supremo Tribunal Federal uma transcrição inédita de uma conversa entre Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, na qual o presidente da República pressiona Moro  para sair do ministério e diz: “Tenha dignidade de se demitir”. (Via Uol)

O documento analisou mensagens de telefone trocadas entre os dias 12 e 23 de abril de 2020. Após Moro declarar publicamente no dia 6 de abril que “a polícia pode impor coercitivamente” a quarentena de coronavírus, Bolsonaro questionou o posicionamento do então ministro.

No dia 12 de abril,  o presidente da República enviou uma matéria Valor Econômico, que continha a declaração de Moro, e escreveu: “Se esta matéria for verdadeira: Todos os ministros, caso queira [sic] contrariar o PR [presidente da República], pode fazê-lo, mas tenha dignidade para se demitir. Aberto para a imprensa".

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O ex-ministro respondeu: “O que existe é o artigo 268 do CP [Código Penal]. Não falei com a imprensa".

O novo relatório faz parte de investigação da suposta intervenção de Bolsonaro na cúpula da Polícia Federal. O documento mostra diversas mensagens enviadas pelo presidente sobre o assunto no dia 22 de abril. 

Em conversa com o ex-ministro de Justiça, Bolsonaro escreve: "Moro, o Valeixo sai essa semana", "Isto está decidido", "Você pode dizer apenas a forma", "A pedido ou ex oficio [sic]".

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As considerações finais do documento ainda apontam que a exoneração de Maurício Valeixo do comando da PF foi influenciada pelo presidente. 

"Em relação às conversas entre o ex-ministro Sergio Moro e o Exmo. sr. presidente da República Jair Bolsonaro, observa-se que a determinação emanada por este último no dia 22/04/2020 àquele se concretizou, tendo o Delegado de Polícia Federal Maurício Valeixo sido exonerado do cargo de Diretor-Geral da PF.”

Valeixo pediu demissão publicamente no dia 24 de abril e acusou Bolsonaro de interferir na organização da PF. 


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