Bono ataca pirataria em coluna do NY Times

Líder do U2 critica provedores de internet e defende monitoramento do usuário

Da redação Publicado em 04/01/2010, às 15h24

Bono endossou o coro de artistas contrários à pirataria na internet em sua primeira coluna de 2010 no jornal The New York Times, para o qual escreve desde o começo do ano passado.

O vocalista do U2 chamou provedores de internet de "Robin Hoods às avessas", em referência ao mítico herói inglês que roubava dos ricos para dar aos pobres.

O problema, para Bono, é lucrar em cima dos escombros da indústria fonográfica, que vem perdendo mercado na medida em que a tecnologia de compartilhamento de arquivos avança.

Uma das soluções, segundo o músico, é vigiar a movimentação do usuário na rede. Um passo em falso e o infrator de direitos autorais (principalmente os serviços de internet que ganham dinheiro ) deverá ser punido, defende Bono. A experiência da China - que controla com rigor o conteúdo acessado pelo internauta, com bloqueio parcial a sites como Google e YouTube - foi taxada de "desprezível" pelo colunista, mas elogiada por sua eficácia. Bono esqueceu de sublinhar, no entanto, que parte da informação censurada pelo governo oriental chega à população sobretudo por conta da pirataria.

Bono sugere nova prova de que é possível manter o usuário na linha. "Sabemos pelo nobre esforço da América do Norte em deter a pornografia infantil que é perfeitamente possível mapear o conteúdo", escreveu.

Na coluna, publicada na edição de domingo, 3, do NY Times, o irlandês pede para que a indústria de filmes não cometa os mesmos deslizes que levaram a indústria fonográfica a lidar com números cada vez menos animadores.

"As leis imutáveis da banda larga nos dizem que estamos a apenas alguns anos de poder baixar uma temporada inteira de 24 em 24 segundos", argumenta.

Para o músico, uma década de compartilhamento de música "tornou claro que as pessoas feridas são os criadores", ou seja, "as pessoas que se beneficiam com este reverso 'Robin Hoodismo' são provedores ricos, cujos lucros crescentes espelham perfeitamente a perda na renda da indústria de música".

Bono - frontman do U2, banda que mais faturou com shows ao vivo no ano passado - afirma ter escrito em defesa a jovens compositores "que não podem viver de venda de ingressos e camisetas".

Se não agirmos o quanto antes, ameaça o músico, corremos o risco de perder "o próximo Cole Porter".