Brasil está entre os países que mais se afastaram da democracia em 2020

Segundo relatório, entre 202 países analisados, a democracia no Brasil teve a 4ª maior queda

Redação Publicado em 13/04/2021, às 15h32

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Jair Bolsonaro (Foto: Gabriela Bilo / Estadão Conteúdo / Agência Estado / AP Images)

Em março de 2021, o relatório Variações da Democracia (V-Dem) foi publicado com análises de 202 países. O documento foi realizado por instituto ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e indica que o Brasil foi a 4ª nação a mais se afastar da democracia em 2020. As informações são da BBC.

O relatório estabelece uma escala, sendo 0 um regime ditatorial e 1, a democracia plena. Em 2020, o Brasil registrou pontuação de 0,51 - uma grande diminuição comparada à medição de 2010, que indicou 0,79.

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A queda de 0,28, que representa o afastamento do país da democracia, foi a 4ª maior do índice. Segundo a BBC, o Brasil só não superou Polônia, Hungria e Turquia - e os dois últimos se tornaram oficialmente autocracias, na classificação do V-Dem.

Em entrevista à BBC News, o cientista político Staffan Lindberg explicou sobre o índice do Brasil: "Quase todos os indicadores que usamos mostram uma drástica queda do Brasil a partir de 2015. O único ponto em que o país não perdeu de lá pra cá foi em liberdade de associação."

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Os números são formulados a partir da contribuição de 3,5 mil pesquisadores e analistas. Para obter o resultado de cada país, são agregados estatisticamente 450 indicadores que medem diversos fatores: da liberdade de expressão e de imprensa à repressão.

Segundo o índice, em 2020, 48% da população mundial vivia em regimes considerados não democráticos. Em 2020, a porcentagem subiu para 68%. A Índia, por exemplo, deixou de ser considerada democracia para se transformar em autocracia com eleições, de acordo com o V-Dem. 

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Staffan Lindberg também falou à BBC sobre a situação brasileira: "Estamos muito preocupados porque percebemos que Bolsonaro tem dado claros sinais que condizem com os padrões de comportamento de outros líderes autocráticos que vimos atuar antes, como Viktor Orban [primeiro-ministro da Hungria]. São movimentos preocupantes para a sobrevivência da democracia brasileira."


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