Brasileiros do Curumin se destacam no Texas

A quinta-feira do festival South By Southwest teve, ainda, Lou Reed discutindo filme sobre seu disco Berlin e banda local que atraiu 30 mil pessoas

Mateus Potumati Publicado em 14/03/2008, às 22h25 - Atualizado em 21/05/2008, às 18h57

Reed: os punks da época dele eram "uns fracotes"
Janaina Felix

A quinta-feira seguiu movimentada no SXSW 2008. Logo de manhã, centenas de pessoas formavam fila à frente do auditório principal do Austin Convention Center para ver Lou Reed de perto. O compositor, de 66 anos, falou sobre sua carreira e sobre o documentário Lou Reed's Berlin, dirigido por Julian Schnabel, vencedor do Globo de Ouro em 2007 com O Escafandro e a Borboleta.

Alternando seu costumeiro comportamento ranzinza com um surpreendente bom humor - ainda que recheado de sarcasmo -, Reed arrancou várias gargalhadas do público e, como de costume, pôs o entrevistador em algumas saias-justas.

Logo no começo, Hal Willner, produtor musical e amigo de Reed, disse esperar "falar de coisas melhores do que da última vez, em que ele (Lou Reed) ficou falando sobre como odeia a mãe". Sempre afiado, o ex-líder do Velvet Underground respondeu de pronto: "Ainda bem que você é produtor, não jornalista".

Ao longo da entrevista, foi exibido um trecho do documentário, em que Reed e banda tocam "Men of Good Fortune". Com grande qualidade de áudio e bastante virtuosismo cinematográfico, o filme ganhou aplausos efusivos da platéia. Ainda assim, porém, Reed não perdeu a chance de censurar boa parte dos presentes, que segundo ele não tinham ido à estréia do filme no dia anterior.

O compositor também fez várias críticas à indústria musical e ao fascínio pela tecnologia. Para ele, a facilidade de acesso aos meios de criação e divulgação é boa para os artistas, mas ao mesmo tempo "facilitou a produção de porcarias". Não deixou de ser curioso ver o criador de White Light White Heat criticar a proliferação de gravações caseiras, em baixa fidelidade.

Mas nem tudo foi acidez em seu discurso: Reed também elogiou, sem citar nomes, algumas "bandas punk adolescentes" que viu durante o festival (sim, ele tem circulado pelas ruas de Austin com freqüência, como vários outros figurões da música). Para ele, os punks de hoje construíram uma estrutura invejável de auto-promoção e são muito mais agressivos e espertos do que os de sua época, que Reed descreveu como "uns fracotes". Eles também revelou interesse por várias bandas modernas, como o grupo de noise japonês Melt Banana.

Destaques

A tarde seguiu com apresentações de vários estilos musicais. O grupo Cool Kids comprovou a boa fase que vive a cena juke/hip hop de Chicago, mostrando criatividade e um balanço irresistível em seus hits que misturam ringtone rap e guitarras indie.

Os locais do Spoon arrastaram 30 mil pessoas a um palco montado à beira do lago principal de Austin, para uma celebração coletiva. Um dos principais destaques indie de 2007, o Spoon mostrou que em casa é uma banda de arena. A noite foi fechada com muito peso e psicodelia com High on Fire e Black Mountain.

Brasileiros

À noite, o duo brasiliense Lucy and the Popsonics teve alguns problemas de som, mas conseguiu fazer uma apresentação animada. Mais tarde, o trio paulistano Curumin pôs para dançar a platéia do Buffalo Billiards com seu misto de hip hop, samba e música eletrônica.

O show experiente e cheio de feeling despertou muito interesse de grupos como os japoneses Dokkebi Q e os australianos do Money Mark. Vários produtores de festivais europeus também ficaram atentos ao grupo.