Bruno Giorgi é indicado ao Grammy Latino pelo trabalho ao lado do pai, Lenine

Músico se divide entre o estúdio e o palco e garante que a paciência é um de seus maiores trunfos

Lucas Reginato Publicado em 14/11/2012, às 11h49 - Atualizado às 11h53

Bruno Giorgi
Divulgação

Está lá, entre os indicados ao Grammy Latino 2012. Na categoria Melhor Engenharia de Som, o nome de Bruno Giorgi, aparece como uma jovem e bem-vinda renovação em uma lista que procura avaliar aspectos técnicos do trabalho em estúdio. Ele conseguiu o espaço ao ser escolhido pelo pai, Lenine, para trabalhar no mais recente álbum do compositor e cantor, Chão, lançado no fim do ano passado.

A parceria não é apenas um comodismo familiar. Bruno herdou do pai a criatividade constante e a busca por aventuras inesperadas durante a produção de uma música. “Hoje, o técnico tem quase que a função de um músico, um último músico, porque você não se limita ao domínio do maquinário – você também pode tocar isso”, explica. Além de ter desempenhado este papel no estúdio, Bruno também produziu Chão e acompanha o pai nos shows da turnê atual, que propõe uma nova concepção de concerto: os sons não musicais das canções – motosserra, cigarras, chaleira, entre outros elementos – são reproduzidos por um sistema surround, como se estivessem sendo realmente realizados no palco.

O resultado em Chão não poderia ter sido mais elevado. “É um jogo de montar, com dez pequenas peças complementares, como ligadas por um fio invisível. (...)Depois de ouvir as faixas algumas vezes, a sensação é de que cada um desses minutos foi pensado de forma a chamar o próximo, fazendo com que este seja realmente um álbum, no sentido completo (e cada vez mais raro) da palavra”, descreve a resenha publicada na Rolling Stone Brasil de outubro do ano passado. A indicação ao Grammy, um ano depois do lançamento, foi o eco de elogios vindos de todos os lados, tanto de crítica como do público. “Não podia imaginar”, diz Giorgi. “Na verdade eu ainda não acreditei.”

Aos 24 anos, Bruno Giorgi decidiu viver de música quando viu que não tinha mais escolha, ou, como ele diz, “quando vi que eu precisava”. Na verdade, não teve muito para onde correr: “Desde meus 10 anos de idade eu vou para o estúdio com meu pai ver como faz, ver os outros fazendo”, revela. Mas, claro, só esta vivência não basta. “Eu tinha uma coisa que o resto da galera não tem muito que é paciência. É chato ficar o dia inteiro na frente do computador, mas tem suas recompensas.”

O bom trabalho ao lado de Lenine não só lhe rendeu projeção e a indicação ao Grammy como também muitos convites de trabalho. Ele revela que atualmente trabalha no DVD do Casuarina, grupo do irmão João Cavalcanti, e também elabora novos projetos com músicos como Nicolas Krassik e Cícero.

Bruno transita entre o estúdio e o palco. Este último divide não só com o pai e o guitarrista JR Tolstoi nos shows da turnê de Chão, mas também em outras parcerias. Uma delas é com Carlos Posada, compositor que conheceu ao acaso e com quem prepara um primeiro álbum para muito breve. “É um maluco que caiu no colo do estúdio. Eu fui fazer uma tatuagem e ele era auxiliar do tatuador, daí ele me mostrou duas, três músicas, e eu fui gostando. A gente fez três faixas e ele me pagou em tatuagem”, lembra. O disco Posada, da banda que foi batizada como Posada e o Clã, tem semelhanças com Chão. Posada tem, por outro lado, uma agressividade contida que busca o tempo inteiro se revelar. “Se resta essa pouca cinza fria/ essa soma, essa poesia/ essa vontade de cantar/ devo ao espelho cristalino/ devo ao sol, devo aos meninos/ nunca a Deus nunca ao vulgar”, afirma ele em “Terraço”, por exemplo.

A divisão de tantos trabalhos pode provocar alguma turbulência na agenda de Bruno Giorgi. Mas o compromisso desta quinta, 15, está marcado e imperdível. Em Las Vegas, nos Estados Unidos, ele irá participar da festa do Grammy Latino, disputando o prêmio de Melhor Engenharia de Som com os álbuns de Regina Benedetti, Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, Arturo Sandoval e Hamilton De Holanda Quinteto.