Caetano Veloso riu do Especial de Natal do Porta dos Fundos e condena censura: ‘Não estamos no Irã’

Em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S. Paulo, o músico brasileiro discutiu sobre as polêmicas da produção da Netflix

Redação Publicado em 16/01/2020, às 10h44

None
Caetano Veloso (Foto: Cristina Granato / Instagram)

Nesta quinta, 16, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma entrevista exclusiva, feita por e-mail, com Caetano Veloso.

Na matéria, o música conta mais detalhes sobre o novo disco Caetano Veloso & Ivan Sacerdote, já disponível nas plataformas digitais, e discute sobre as recentes polêmicas que envolvem o especial de Natal do Porta dos Fundos da Netlix: "Não estamos no Irã"

+++ LEIA MAIS: Deputado se revolta com Jesus gay em especial de Natal da Netflix: "Chacota à fé"

Desde o lançamento de A Primeira Tentação de Cristo, o canal tem sido alvo críticas de vários grupos religiosos por retratar Jesus Cristo, interpretado por Gregório Duvivier, como homossexual. 

+++ LEIA MAIS: De Jesus gay a Reis magos festeiros: 5 polêmicas do especial de Natal do Porta dos Fundos da Netflix

A polêmica gerou um ataque com bombas caseiras à sede da produtora no Rio de Janeiro na véspera de Natal e o pedido do vice-premiê polonês para que o filme seja retirado do ar.

"Sou contra censura", explica Caetano.

"Lancei É Proibido Proibir em 1968, em plena ditadura militar. Adorei a atitude de Felipe Neto em relação ao desenho do beijo gay. Vi o Especial de Natal do Porta dos Fundos com atraso. Mas ri à beça. Os atores são muito bons e as cenas irresistíveis. Venho de uma família muito religiosa, mas sempre achei muita graça em humor blasfemo. Entendo que alguns devotos protestem".

"Mas censurar por razões religiosas, não: não estamos no Irã. O Estado brasileiro tem agora liberais anglo-americanos inspirando a economia, como pode querer tomar atitude de aiatolás?", completou. 

Recentemente, a Justiça do RJ determinou que o Especial de Natal do Porta dos Fundos fosse retirado do ar, no entanto, o STF derrubou a medida provisória


+++ CORUJA BC1: 'FAÇO MÚSICA PARA SER ATEMPORAL E MATAR A MINHA PRÓPRIA MORTE'