Cannes 2013: Michael Douglas chora em entrevista coletiva

O ator, que passou recentemente por tratamento contra um câncer na garganta, se emocionou ao lembrar da doença durante a divulgação do filme Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh

Maria Fernanda Menezes, de Cannes Publicado em 21/05/2013, às 10h53 - Atualizado às 13h13

Michael Douglas
AP

Uma vida de talento e excessos marcou a trajetória de Walter “Lee” Liberace. Exímio pianista e showman, Lee é vivido por Michael Douglas em Behind The Candelabra, filme de Steven Soderbergh que estreou nesta terça-feira, 21, em Cannes.

Douglas define o personagem como predecessor de Elton John e Lady Gaga no quesito talento aliado à extravagância. “É um dos melhores papeis de minha carreira e foi uma oportunidade fantástica trabalhar nele após a minha cura”, disse o ator, que passou por tratamento contra um câncer de garganta. “Aqui está um grande diretor e grandes atores, tenho enorme orgulho por estar aqui hoje", completou Douglas, indo às lagrimas ao recordar a doença.

Matt Damon, em sua sétima colaboração com Soderbergh, interpreta o namorado de Liberace, Scott Thorson, que conheceu o pianista em 1977. Semanas depois, eles começariam a dividir a cama, a entourage e as maluquices demandadas pelo artista, como cirurgias plásticas, joias e carros. Na vida real, Scott Thorson é o autor do livro homônimo ao filme, que chocou o publico ao revelar o romance entre os dois e a morte de Liberace pelo vírus da Aids.

O livro foi a deixa que Soderbergh precisava para a adaptação. "Perguntei a Michael no set de Traffic: Ninguém Sai Limpo [de 2000] sobre o que ele acharia de viver Liberace, sem ter a menor ideia da razão da pergunta”, revelou o diretor. A publicação foi o ponto de partida para o início de um trabalho que Soderbergh perseguia há anos. “Esse excelente material humano daria um personagem único.”

Douglas contou que seu pai, Kirk, conhecia Walter “Lee” Liberace e o cumprimentava quando se encontravam na rua. “Achava estranho todas aquelas roupas e o cabelo torto que ele tinha. Hoje, eu entendo”, disse ele, rindo, ao se referir à calvície de Lee escondida por uma peruca e ao vestuário extravagante dele. “O que importa é que todos que o conheceram se referem a ele como uma pessoa feliz, generosa, educada e talentosa. E isso faz dele um personagem perfeito para essa linda história de amor.”

Por alguma questão inexplicável, Behind the Candelabra não será exibido nos cinemas. Nenhum distribuidor quis o filme, então a HBO tratou de arrematá-lo para transmissão na TV, honrando o digníssimo trabalho de Soderbergh.